Antoine Griezmann é um dos jogadores franceses que mais cresceu nos últimos anos. É um dos principais jogadores da seleção de Didier Deschamps e se moldou como um sul-americano sob o comando de Diego Simeone. Este espírito de luta ajudou o camisa 7 a ser o principal jogador da vitória da França por 2 a 1 sobre a Irlanda, de virada, nas oitavas de final da Eurocopa. Um jogador que é tecnicamente muito bom, mas que tem uma garra que o torna ainda melhor.

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Podemos olhar para vários aspectos que tornam Griezmann um jogador decisivo para a França neste jogo. A começar pelas estatísticas. Griezmann chutou sete vezes a gol, mais do que qualquer outro jogador na partida. Foi também o segundo jogador a mais passar a bola na partida, com 58 passes (quem mais passou foi Pogba, com 65). Mas estes números não dizem tudo. Em uma estatística defensiva, Griezmann também se destacou: foi o jogador que mais fez desarmes no jogo, com cinco, mesmo número de James McCarthy, da Irlanda.

Canhoto, habilidoso e, nas últimas temporadas, goleador. Griezmann se tornou um jogador mortal atuando pelo meio, como atacante, mais do que o ponta rápido que era quando surgiu. No segundo tempo, com a França mais à frente, Griezmann se tornou um atacante mais centralizado. Se mostrou mais eficiente que o camisa 9 francês, Olivier Giroud. Foi um gol de cabeça, em um cruzamento, e depois um gol pelo meio, com chute de canhota no canto. Dois gols de atacante puro, por assim dizer.

Griezmann chuta para marcar o gol da vitória da França sobre a Irlanda (AP Photo/Laurent Cipriani)
Griezmann chuta para marcar o gol da vitória da França sobre a Irlanda (AP Photo/Laurent Cipriani)

No Atlético de Madrid, seu clube, Griezmann se tornou um dos melhores jogadores da Europa quando ganhou liberdade. Simeone percebeu o potencial goleador do francês e o aproximou do gol. Deixou de ser um ponta que cria jogadas para ser um jogador que também as finaliza. O pontinha habilidoso se tornou goleador.

Foi assim que ele se tornou o principal artilheiro do time. Na sua primeira temporada nos Colchoneros, 2014/2015, foram 25 gols em 53 jogos. Na temporada 2015/16, foram 32 gols em 54 jogos. Uma melhora importante nos números, que o levou a um patamar mais alto e também a conduzir o time mais longe: foi finalista da Champions League e ficou na disputa pelo título espanhol até o fim da temporada.

Se tornou muito comum o esquema tático 4-2-3-1 e Griezmann muitas vezes é o ponta por um dos lados. Na França de Deschamps, o 4-3-3 é o esquema básico e o camisa 7 é um dos jogadores pelos lados do campo, normalmente pela direita. Com um pouco mais de liberdade para flutuar pelo meio, Griezmann mostrou ser ainda mais perigoso e mais artilheiro.

É o caso de se pensar como aproveitar melhor suas qualidades dessa forma. Se for para ter um esquema com pontas, que Griezmann não seja um deles. Pode jogar pelo meio, como foi no segundo tempo, com Coman por um lado e Payet de outro. Atrás de um atacante de referência – que, aliás, pode ser Gignac, que entrou melhor que Giroud -, Griezmann pode fazer o que fez contra a Irlanda: decidir jogos para a França.