A Alemanha construiu o seu sucesso na Copa de 2014 a partir da força de seu coletivo. Apesar disso, dependeu várias vezes do talento de seus destaques individuais. Algo que não se viu nos maiores desafios do time nesta Eurocopa. E dois símbolos do atual elenco, sobretudo, deixam a França em baixa. Se muitos não apareceram nesta quinta, Bastian Schweinsteiger e Thomas Müller conseguiram se destacar negativamente. Ambos estiveram abaixo do que poderiam contribuir ao time e mais abaixo ainda do que representam à seleção. Figuras de uma noite na qual os alemães dominaram, mas não funcionaram como deveriam em Marselha.

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É preciso ressaltar: a dupla não paga pela inoperância da Alemanha sozinha. Neuer saiu mal no segundo gol, no qual a defesa inteira parou. Kroos ditava o ritmo, mas pouco contribuía na criação. Kimmich dava opção pela ponta direita, mesmo falhando em outros lances. Um pouco menos passíveis de críticas, apenas Özil e Hector, os que mais participavam nas jogadas agudas do Nationalelf, mas não conseguiram ajudar muito mais que isso.

Schweinsteiger fez ótimos 45 minutos. Ao longo do primeiro tempo, ele se colocava como o principal responsável por orientar o jogo da Alemanha a partir da faixa central e também dava proteção à defesa quando a França ameaçava nos contra-ataques. Quase marcou o primeiro gol, parando em boa defesa de Lloris. Até seu erro fatal nos acréscimos, pouco antes do intervalo. O veterano foi imprudente na disputa aérea que resultou no pênalti, e Nicola Rizzoli apitou conforme as determinações da Fifa. Já na segunda etapa, o capitão pouco apareceu. Pesaram também os problemas físicos de quem luta contra as lesões há três temporadas. Desde então, contam-se nos dedos as grandes atuações do camisa 7. São poucas as exceções, como a tarde monstruosa que viveu no Maracanã na final da Copa de 2014.

Thomas Müller, por sua vez, viveu um péssimo momento técnico na Eurocopa. A metade final da temporada do atacante com o Bayern de Munique já esteve abaixo da inicial. No entanto, na Euro, o camisa 13 mais atrapalhou que ajudou. Não apareceu o oportunista que se consagrou nos Mundiais e que teve papel decisivo nas Eliminatórias da Euro. Entre azar e falta de precisão, Müller já tinha passado em branco nos cinco jogos anteriores, além de ter perdido o pênalti contra a Itália. Já diante da França, foi nulo na tentativa de substituir Mario Gómez como homem de referência. Apesar do claro empenho, sobretudo pressionando a saída de bola, Müller não conseguia abrir espaços aos companheiros e nem mesmo encontrá-los para si, como é de sua característica. Pior, várias jogadas simplesmente morreram quando chegaram aos seus pés. De todos os jogadores que ficaram os 90 minutos em campo, até Neuer tocou na bola mais vezes que o homem de frente.

Aos 26 anos, Müller tem chão para dar a volta por cima com a seleção na Euro, torneio no qual segue sem nunca ter marcado gols. Enquanto isso, o ciclo de Schweinsteiger parece próximo do fim. O meio-campista de 31 anos permanece como uma liderança importante na seleção. Todavia, o seu rendimento é baixo, diante de tudo o que já jogou na carreira. E, na França, embora o pênalti desperdiçado contra a Itália tenha acabado encoberto, o erro contra os Bleus foi determinante. Se o Nationalelf jogou abaixo das expectativas, isso também se explica pelo mau momento de dois daqueles que foram tão importantes em outras vezes.