Suso virou um emblema dos tempos sofríveis do Milan. O espanhol não deu certo no Liverpool e passou um tempo com o Almería, antes de ser contratado pelos rossoneri. Não foi bem em sua primeira passagem e só depois de seis meses positivos no Genoa é que desabrochou em Milão. Foram três temporadas como uma das principais figuras do time, mas quase sempre representando a mediocridade de um gigante distante de sua história. Na temporada atual, nem isso o meia vinha fazendo e as críticas sobre si eram enormes. O Sevilla parece um bom recomeço, emprestado até o final da próxima temporada.

Suso não tem culpa da draga que o Milan atravessa nas últimas temporadas. Os problemas dos rossoneri vão além da mera questão de rendimento e os diferentes entraves na gestão também se refletem na política de contratações. O espanhol acabou se tornando uma solução até positiva, por ter rendido acima de seu preço inicial (€1,3 milhão) e por ter ajudado o time durante mais de duas temporadas. Contudo, não tinha o nome e nem o talento que se espera de um protagonista do Milan. Quando o jovem começou a render bem, o clube apostou suas fichas em seu crescimento e isso não aconteceu.

Suso teve bons números com a camisa do Milan para um ponta. Foram 20 gols e 22 assistências nas três primeiras temporadas, antes que o declínio se tornasse visível durante a reta final sob as ordens de Gennaro Gattuso. Não era o cara que carregaria o time nas costas, mas foi tão bem como coadjuvante que acabou recebendo um fardo maior do que deveria. O problema aumentou mesmo nos últimos meses, quando claramente se acomodou e deixou de render, insatisfeito com sua situação. Na atual temporada, raras vezes brilhou. Chegou a salvar três pontos contra a Spal, mas as críticas eram constantes e sua saída se tornou natural.

O Sevilla surge como um ótimo destino a Suso. Chega a um clube com menos pressão e menos exposição, com condições melhores de se estabelecer. Tornar-se referência no Ramón Sánchez-Pizjuán certamente não será visto como demérito do clube, como acontecia no Milan. Além do mais, aos 26 anos, possui lenha para queimar. A quem chegou à seleção por conta do trabalho na Itália, estourar na Espanha pode dar um empurrãozinho se ainda pretender disputar a Eurocopa com a Fúria. É uma motivação para recuperar sua melhor forma.

O Sevilla precisa mesmo de alternativas ofensivas. A equipe ocupa a terceira colocação em uma edição do Campeonato Espanhol na qual ninguém parece realmente engrenar. O desempenho se deve mais à força dos rojiblancos na marcação do que propriamente na produtividade de seu ataque, o terceiro pior entre os times que ocupam a metade superior da tabela. A contratação de Youssef En-Nesyri nesta janela de inverno aponta para essa necessidade, já que a lacuna deixada por Wissam Ben Yedder permanece – Munas Dabbur e Chicharito Hernández até já saíram, sem sucesso após seis meses na Andaluzia.

Suso pode cair pelo centro, na armação, ou servir de alternativa a Lucas Ocampos pela direita, embora o argentino seja um dos poucos que venha se salvando. Tende a ser um jogador útil ao ataque vertical de Julen Lopetegui. O treinador, aliás, sabe muito bem o que contrata, após ter promovido a estreia do meia pela seleção. Além disso, a qualidade do novo camisa 14 nas bolas paradas também garante uma arma a mais para o Sevilla resolver seus jogos.

O empréstimo de um ano e meio terá compra obrigatória apenas se Suso cumprir algumas metas estabelecidas em contrato. Ao que parece, é um negócio de baixo risco ao Sevilla e uma opção razoável ao Milan, ao não incluir o espanhol em seus planos. Se não era tão querido em Milanello, poderá ganhar um pouco mais de moral no Nervión. Não é um craque, longe disso. Mas também não precisa ser visto como o símbolo de anos frustrantes.