Djibril Sidibé foi emprestado pelo Monaco ao Everton e ganhou um desafio interessante para revigorar a carreira. Teria um ano para impressionar pelo clube inglês e conseguir uma transferência definitiva ou até ir a outro clube com bastante visibilidade na Europa. Demorou para ganhar espaço, mas, desde a oitava rodada da Premier League, tem jogado em todas as partidas, tendo aproveitado inicialmente a suspensão de Seamus Coleman. Entretanto, na contramão de seu desempenho em campo, fora dele o lateral acaba de dar uma aula de sincericídio e se colocar em uma pequena enrascada em seu início na Inglaterra.

Em entrevista ao jornal L’Est Éclair, Sidibé demonstrou um pouco de falta de noção e mesmo inocência ao falar sobre a adaptação ao Everton. Como vários outros jogadores que atuam em Liverpool, o francês mora perto de Manchester, no subúrbio entre as duas cidades, e foi bem direto ao comentar o motivo.

“Digamos que Liverpool é meio que… uma cidade triste, que passou por certo sofrimento no passado”, explicou, parecendo falar de uma cidade arrasada por alguma guerra recente.

Ao falar do clima, Sidibé não poderia ter deixado mais claro que o motivo de sua transferência para os Toffees foi puramente esportivo. “Aqui, no norte do Inglaterra, chove o tempo todo, de manhã até a noite. Faz parte da minha vida nova, se bem que não me incomodaria um solzinho de vez em quando. Mas não me importo. Como disse, sei porque atravessei o Canal (da Mancha). É por outras razões na Inglaterra. Terei outros prazeres na vida. A carreira de um jogador de futebol é curta, então é preciso saber quando aceitar bons desafios.”

O lateral lembra então dos seus ex-companheiros de Monaco Bernardo Silva e Benjamin Mendy, que trocaram a Riviera Francesa pelo frio de Manchester pelo bem de suas carreiras. “Existe uma razão para eles (Bernardo Silva e Mendy) estarem aqui. Mas você tem razão. Quando você sai do sol do Mediterrâneo para a chuva de Liverpool, é difícil. Não é fácil no dia a dia, mas você dá um jeito. Eu já tive um gostinho disso quando jogava no Lille”, lembra.

Como se o comentário sobre Liverpool ser uma cidade meio triste não tivesse sido o suficiente, Sidibé vem então jogar a pá de cal ao contar uma anedota de sua primeira semana no Everton, mais especificamente sobre quando chegou vestindo vermelho ao CT do clube.

“A primeira vez que apareci no centro de treinamento, eu estava vestindo, sem nenhum significado por trás, um conjunto vermelho da Nike. Todo mundo olhou para mim estranho e disse: ‘Nunca, nunca, nunca!’ Eu perguntei pro cara qual era o problema. Você simplesmente não pode vestir as cores do time rival. As pessoas aqui são extremas. Mas eu disse a eles: ‘Ei, pessoal, eu só estou aqui por empréstimo!’”

Brincadeiras à parte, Sidibé diz estar se adaptando pouco a pouco e vê sua ausência dos primeiros jogos como algo completamente normal, “especialmente considerando que a Premier League é diferente”. Conta que Marco Silva, técnico dos Toffees, foi essencial para a decisão de mudança para Liverpool.

“Ele foi muito claro comigo: ‘Se eu conseguir te trazer, é para por você para jogar. Cabe a você mostrar que merece’.” A progressão deste início de temporada mostra que o francês tem conseguido fazer exatamente isso. A oportunidade que apareceu quando Seamus Coleman foi suspenso está sendo aproveitada ao máximo pelo lateral.