Xherdan Shaqiri não precisou de muito tempo para cair nas graças da torcida do Liverpool. Em poucos meses, o suíço mostrou serviço e ajudou a impulsionar os Reds, bem mais competitivos na Premier League. De qualquer forma, sua noite definitiva para ser aclamado em Anfield aconteceu no clássico contra o Manchester United, quando saiu do banco de reservas e definiu o confronto totalmente dominado dos anfitriões. O suficiente para ser considerado como “lenda” por funcionários do clube. No entanto, o atacante segue centrado em buscar objetivos maiores. O clássico serve de cartão de visitas ao seu intuito de se tornar protagonista no elenco de Jürgen Klopp.

“Tivemos uma festa de Natal na noite do clássico e parecia que todo mundo vinha até mim para agradecer. Fiquei bastante surpreso. Todos diziam: ‘Obrigado, você já é uma lenda!’. Foi ótimo ouvir isso e ter aquela sensação, mas sou um cara que encerra cada dia e olha para frente. No fim, foi um jogo da Premier League que nos deu mais três pontos e fico ansioso pela próxima partida”, declarou Shaqiri, em entrevista ao jornal The Guardian.

 

“Recebi muitas mensagens de meus amigos quando Mourinho foi demitido. Foram várias mensagens bacanas sobre a vitória e, quando a notícia sobre Mourinho saiu, falaram que eu era o responsável. O futebol às vezes é assim. Não acho que foi apenas por causa da nossa vitória que o United quis mudar seu treinador. Existiam outras razões, mas isso significa que o jogo está na história. Estará sempre na minha história, também. Fico feliz por ter ajudado o time a vencer. Isso é o mais importante e fiquei contente por ter impacto em um jogo tão importante. Sabia da grande rivalidade, mas anotar dois gols foi lindo. Nunca me esquecerei desta partida. Foi um dia especial para mim e para o clube. Estar no topo da tabela sempre é ótimo”, complementou o suíço.

Além disso, o herói salientou como mantém uma ótima relação com os seus pais, que o incentivaram a permanecer na Inglaterra: “Meus pais assistiram ao jogo contra o United na televisão suíça e disseram que ficaram malucos quando marquei. Eles são muito orgulhosos de mim, por jogar em um grande clube novamente. Meus pais queriam que eu ficasse na Inglaterra, porque amam o futebol daqui e como as pessoas sentem o jogo. Foi importante para eles também que eu tenha seguido na Premier League. Tenho muito orgulho da minha trajetória. Joguei em times grandes e não é simples onde cheguei. É um sonho para todo jogador, então sou muito orgulhoso do que construí”.

Campeão diversas vezes em suas passagens por Basel e Bayern de Munique, Shaqiri declarou que seu principal objetivo com o Liverpool é colocar os Reds de volta ao topo. O suíço acumula cinco títulos de liga nacional e quatro de copas, além de ter integrado os bávaros quando faturaram a Liga dos Campeões em 2012/13.

“Não éramos apenas um ótimo time, éramos como uma grande família no Bayern. Todos os jogadores atuavam bem e penso que formamos o melhor time que o Bayern teve em sua história. Fui campeão também com o Basel e espero que sempre seja assim. Sei como erguer troféus. É fantástico comemorar como os torcedores e o meu sonho é fazer o mesmo com esse clube. Este é o nosso objetivo. Mostramos que podemos manter nossos nervos. Estamos nos saindo muito bem. Somos fortes ofensivamente e defensivamente, então há um bom equilíbrio no time. Isso é muito importante para ganhar títulos”, declarou.

O atacante ainda ressalta como se adaptou em Anfield, mesmo não sendo titular absoluto: “Esse time e esse técnico me deram tudo. Você pode perceber em campo que eu me sinto muito feliz aqui e que talvez esteja jogando meu melhor futebol. Sou um jogador que sempre quer melhorar e foi uma transferência perfeita para mim. Estou muito feliz pela maneira como está se desenvolvendo. Todo jogador quer atuar, isso é normal. Cada um está infeliz quando fica no banco, também é normal. Mas apenas 11 podem começar e o treinador tem seus planos. Tudo está correndo bem até agora. Queria jogar a Champions League novamente. Sentia falta do torneio, então a chance que o Liverpool me ofereceu é perfeita”.

Por fim, o camisa 23 comentou sobre as bandeiras nas chuteiras e a relação com Kosovo, algo bastante exposto durante a Copa do Mundo: “Você pode ver minha história nas minhas chuteiras, com minhas bandeiras. Muitas pessoas entenderam isso errado. Eu nasci em Kosovo e cresci na Suíça. Alguns pensam que eu não dou o máximo para a seleção suíça, porque tenho a bandeira kosovar, mas isso está totalmente errado. É uma grande parte da minha história, da minha história de vida, e sempre estará comigo. A bandeira da Suíça está no meu pé esquerdo porque faço gols com ele, mas contra o United também fiz um gol de direita. Tinha duas bandeiras grandes na parte de trás das chuteiras durante a Copa do Mundo. As bandeiras agora são menores, mas continuo usando”. Os compatriotas certamente esperam que elas tremulem outras vezes, com todo orgulho que o atacante provoca neste novo momento da carreira.


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