A ascensão de Julen Lopetegui no mundo dos treinadores foi meteórica. Em quatro anos, ele saiu das categorias de base da Espanha para o Real Madrid, passando pelo Porto e pelo time principal da seleção. Mas, como dizem, uma vez no cume, o único caminho é para baixo. Nesta quarta-feira, o ex-goleiro começou a escalar a montanha novamente ao ser apresentado como o novo técnico do Sevilla.

O ano passado foi muito frustrante para ele. Deve ter tido uma de suas melhores semanas quando preparava uma das favoritas ao título da Copa do Mundo e recebeu proposta do Real Madrid para substituir Zidane. Aceitou-a, mas, uma vez pública, a notícia desestabilizou o ambiente da seleção e causou sua demissão.

Ele ainda tinha o atual tricampeão europeu em mãos, embora sem Cristiano Ronaldo e em transição. Poderia, por outro lado, montar um time com a sua cara, ignorante ao fato de que a tarefa era mais difícil do que todos imaginávamos. Não chegou ao fim de outubro, e o único consolo, o que ajudou a sua reputação, é que Santiago Solari e mesmo Zidane mostraram, no restante da temporada, que aquele Real era mesmo um transatlântico ingovernável.

O Sevilla é a chance de recomeçar. E uma boa chance. Lopetegui tem um bom perfil para o clube: é um treinador experiente, com conhecimento da liga espanhola, especialmente pelos anos em que a observou de perto como selecionador nacional, e ao mesmo tempo ambicioso, precisando mostrar serviço para reerguer a sua carreira, ainda desprovida de títulos relevantes. Tem histórico de trabalhar com jovens, o que pode ser útil quando Monchi contratar o próximo novo Messi do Leste Europeu.

Parte de uma boa base. O Sevilla não se classificou à Champions League apenas porque fez um péssimo segundo turno, com nove derrotas. E, mesmo assim, ficou a apenas dois pontos do quarto lugar. Tem, por enquanto, jogadores interessantes em mãos, como Pablo Sarabia, Ben Yedder e Nolito, e aguarda Monchi fazer sua mágica em seu primeiro mercado desde que voltou da Roma.

Na entrevista coletiva, fugiu desesperadamente de ser específico. Disse que tentava “fazer algo diferente” no Real Madrid, quando precisou deixá-lo “cedo demais”. Prometeu trabalhar muito, ser ambicioso e explicou que a sua ideia de jogo é tirar o máximo dos jogadores e ganhar partidas de futebol, o que deve ter sido um alívio para o clube, porque imagina se fosse o contrário? Por fim, deu uma cutucada no Bétis para largar já caindo nas graças da torcida. “Estou na melhor equipe de Sevilla, em um grande, com todo o respeito aos outros times”, afirmou.