Após duas edições com mega-boicotes, os Jogos de Seul voltariam a ter Estados Unidos, União Soviética e alguns de seus mais importantes coadjuvantes. Só Cuba ficou de fora, mas isso tem pouca relevância no futebol. E aquele foi o mais interessante torneio de futebol da história olímpica.

As quatro seleções mais vitoriosas do esporte – Brasil, Alemanha Ocidental,  Itália e Argentina – estavam na Coréia do Sul com equipes competitivas. Outra força era a União Soviética, que não contava mais com a vantagem do amadorismo de fachada, mas ainda era uma seleção de respeito.

O Brasil estava mais forte que em Los Angeles, levando alguns dos nomes que conquistaram o bicampeonato mundial Junior em 1985 e outros ogadores de destaque no futebol doméstico. Para se ter uma idéia, na seleção de Carlos Alberto Silva estavam atletas como Romário, Taffarel, André Cruz, Jorginho, Neto, Bebeto, Valdo, Ricardo Gomes e Mazinho.

Na primeira fase, o Brasil foi supremo, vencendo a forte Iugoslávia (de Stojkovic, Suker e Katanec, com base no time campeão mundial Junior em 1987), a Austrália e a ainda inofensiva Nigéria. Em um resultado surpreendente, os australianos venceram os iugoslavos e ficaram com o segundo lugar no grupo.

Mas nenhuma surpresa foi tão grande quanto a vista no grupo B. Tudo começou como esperado, com goleada da Itália sobre a Guatemala (5×2) e empate entre Zâmbia e Iraque (2×2). No entanto, na segunda rodada, os africanos venceram os italianos por humilhantes 4×0, dois gols do jovem Kalusha Bwalya. Na rodada final, os zambianos fizeram outro 4×0 (agora na Guatemala) e garantiram o primeiro lugar no grupo. A Itália teve de vencer o Iraque para poder passar de fase.

Nos outros grupos, resultados relativamente normais. Suécia e Alemanha Ocidental ficaram à frente de Tunísia e China e União Soviética e Argentina passaram por Coréia do Sul e Estados Unidos. Curiosamente, a classificação soviética foi assegurada com uma vitória por 4×2 sobre os norte-americanos.

Após os resultados da primeira fase, Zâmbia começou a ser vista com grande respeito. Por isso, a forma como os africanos caíram diante da Alemanha Ocidental foi surpreendente, uma goleada por 4×0. também fácil foi a vitória da União Soviética sobre a Austrália (3×0). A Itália de Tacconi, Virdis, De Agostini, Rizzitelli e Carnevale, agora vista com desconfiança, venceu a boa Suécia de Limpar, Dahlin e Thern por 2×1 na prorrogação.

Para o Brasil, a vaga nas semifinais viria após uma dramática vitória em um clássico contra a Argentina. Claramente superiores, os brasileiros não conseguiam passar pela defesa platina. Até que, aos 31 do segundo tempo, Geovani pegou a bola em um rebote e ameaçou lançar. O goleiro Islãs tentou adivinhar o lance e se deslocou para a esquerda. Vendo o gol aberto, Geovani mudou a jogada e chutou direto ao gol, pegando o goleiro argentino no contra-pé.

Na primeira semifinal, a União Soviética empatou em 1×1 com a Itália. Na prorrogação, fizeram dois gols e garantiram a vaga. Os italianos até diminuíram no último minuto, mas não adiantou.

Houve emoção nessa partida, mas o melhor jogo do torneio foi protagonizado por brasileiros e alemães-ocidentais. Comandados por Hässler e Klinsmann, os germânicos saíram na frente aos 6 minutos do segundo tempo. Após muita pressão, Romário empatou para o Brasil. Na prorrogação, a Alemanha Ocidental teve um pênalti a seu favor, mas Taffarel defendeu a cobrança de Klinsmann. A decisão foi para os pênaltis e, mais uma vez, o goleiro brasileiro desequilibrou, defendendo mais uma cobrança.

O Brasil chegou como favorito à final e o gol de Romário – que assegurou a artilharia do torneio ao atacante vascaíno – só confirmava essa tendência. No entanto, os soviéticos equilibraram a partida no segundo tempo e conseguiram um empate de pênalti. Na prorrogação, o Brasil tomou a iniciativa e, em uma falha de André Cruz, Savichev aproveitou um contra-ataque e deu o ouro aos soviéticos.

FICHA TÉCNICA
União Soviética 2×1 Brasil
Local: estádio Olímpico (Seul-CSU)
Público: 73 mil
Árbitro: Gerard Biguet (França)
União Soviética: Kharine; Ketashvili, Yarovenko, Gorlukovich e Losev; Kuznetsov, Dobrovolski, Mikhailichenko e Tatarchuk; Liuty (Skliyarov) e Narbekovas (Savichev)
Brasil: Taffarel; Luís Carlos Winck, André Cruz, Aloísio e Jorginho; Andrade, Milton e Neto (Edmar); Careca, Bebeto (João Paulo) e Romário
Gols: Romário (30/1º), Dobrovolski (17/2º, de pênalti) e Savichev (14/1º da prorrogação)
Cartões vermelhos: Tatarchuk (5/2º da prorrogação) e Edmar (13/2º da prorrogação)

Classificação final: 1º União Soviética, 2º Brasil, 3º Alemanha Ocidental, 4º Itália, 5º Zâmbia, 6º Suécia, 7º Austrália, 8º Argentina, 9º Iraque, 10º Iugoslávia, 11º Coréia do Sul, 12º Estados Unidos, 13º Tunísia, 14º China, 15º Nigéria, 16º Guatemala

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