Não há nem o que se questionar: qualquer torcedor do Atlético Mineiro ou do Cruzeiro queria estar no Mineirão nesta noite. Para falar a verdade, qualquer um que seja apaixonado por futebol gostaria de ver de perto uma final de tamanha intensidade. Muitos fizeram loucuras para ir às arquibancadas para o segundo jogo decisivo da Copa do Brasil. Ainda assim, não houve malucos (ou ricos) o suficiente para bancar a fortuna cobrada nos ingressos e lotar o Mineirão. Uma lástima. O maior clássico da história de Minas Gerais será visto e revisto por anos com um buraco em parte das arquibancadas, justamente à beira do campo. É claro, o setor mais caro das bilheterias.

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As cadeiras vazias representam a falência do modelo de preços de ingressos cobrados no Brasil das “arenas”. Por mais que as médias de público tenham aumentado, não dá para aceitar parte do estádio vazia para um jogo deste tamanho. As entradas do setor da Minas Arena, a administradora do Mineirão, custavam R$ 490 para os sócios e R$ 700 para os outros torcedores. E nem mesmo a parceria fechada pelo próprio Cruzeiro, que tentava desencalhar os ingressos com os sócios, ajudou. Especialmente depois da derrota no primeiro jogo, ficou difícil cobrar tão caro. O símbolo do fracasso era visível. E isso sem entrar na questão das picuinhas de ambos os lados sobre os lugares para os visitantes, também vergonhosas.

Um problema que, diga-se, não é só do Cruzeiro ou da Minas Arenas, mas está generalizado em clubes e administradores dos estádios. Pouco importa que os lucros com a decisão sejam maiores. O que se espera de qualquer jogo, e ainda mais uma final deste tamanho, são as arquibancadas lotadas. O setor vazio marca a verdadeira visão sobre os novos estádios: por mais que o discurso seja de “mais respeito ao torcedor”, ele não existe. O que se quer são as carteiras, e não a presença de mais gente nos jogos. Não há a percepção de que, quanto mais gente, mais consumo para potencializar outras rendas. E mais gente para engrandecer o tal espetáculo que chamam o futebol.

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Na Inglaterra, propagada como modelo por muitos, os protestos contra os preços exagerados são crescentes. O exemplo de fato é a Alemanha, de entradas mais acessíveis e as maiores médias do mundo. Que a final da Copa do Brasil sirva ao menos para abrir os olhos de quem gere os estádios – o que, sinceramente, fica difícil de se esperar enquanto o lucro cresce.

Vamos ver qual a resposta será dada pela Minas Arena para tentar explicar o vexame do Mineirão. Provavelmente, não haverá uma solução, mas apenas outra desculpa de quem só se importa com o dinheiro. O torcedor e, por consequência, o futebol, deverão ser outra vez ignorados.

Crédito da foto: Gualter Naves/VIPCOMM