Depois da pelada entre Moghreb Tétouan e Auckland City, espera-se que neste sábado o Mundial tenha boas partidas. A começar pelo duelo entre o próprio Auckland contra o ES Sétif, equipe argelina que estreia na competição. E o favoritismo, como não poderia ser diferente, é todo da equipe africana. Afinal, trata-se do campeão de um continente bem mais competitivo, que conta com um time superior tanto técnica quanto taticamente em relação aos neozelandeses. Tudo bem que os Navy Blues estão animados por voltar a disputar as quartas de final do Mundial depois de três eliminações seguidas na primeira fase e os jogadores do time semiprofissional vivem um sonho, mas desta vez, o buraco é mais embaixo, já que o Sétif tem um elenco superior, mais experiência e vai contar com a força de sua fanática torcida, que invadirá o Marrocos.

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O clube africano, por sinal, comprova o ano dourado para o futebol argelino. Enquanto as Raposas do Deserto conseguiram o avanço para as oitavas de final da Copa do Mundo e quase se vingaram da eliminação para a Alemanha em 1982, dando muito trabalho na ocasião para os futuros tetracampeões mundiais, o Sétif conquistou a África pela segunda vez e será a primeira equipe argelina na história a disputar o Mundial de Clubes.

E o sucesso das Águias Negras não se resume ao recente título da Liga dos Campeões da África. Assim como o Auckland City, o Sétif é dominante e conquistou vários títulos nos últimos anos, claro, com a devida diferença de nível para os torneios disputados pelos clubes que se enfrentarão neste sábado. Os neozelandeses são donos de seis títulos da Liga dos Campeões da Oceania e os que mais vezes conquistaram a competição continental. Por outro lado, os Navy Blues viveram, de 2009 pra cá, um jejum de cinco anos sem conquistar a Liga da Nova Zelândia, fase que acabou nesta temporada. Em sua terra, o Auckland é o maior campeão nacional ao lado do rival Waitakere United, cada um com cinco conquistas.

Já o Sétif conquistou nada mais nada menos que nove títulos nos últimos cinco anos e quatro dos últimos oito campeonatos nacionais. O cenário de dominação local foi coroado com o título da Champions League da África, o segundo das Águias Negras na história do torneio, acabando com o jejum que perdurava desde 1988. Na campanha para o bicampeonato, a equipe deixou para trás adversários fortes no continente, como o Cotonsport (Camarões), o conhecido Espérance e o TP Mazembe – sim, aquele mesmo que surpreendeu o Internacional no Mundial de 2010 e que ainda conta com o lendário goleiro Muteba Kidiaba, aos 38 anos.

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Na decisão, os argelinos se sagraram campeões graças ao critério de gols fora de casa, após empates por 2 a 2 e 1 a 1 com o Vita Club. O time congolês, por sinal, também conta com um jogador conhecido da torcida brasileira e com experiência em vivenciar zebras no Mundial de Clubes: o atacante Deo Kanda, que fez parte do Mazembe de 2010 e do Raja Casablanca de 2013.

O momento

O Sétif vive um bom momento e não caiu de produção após o título continental, como normalmente acontece com os campeões da Libertadores, por exemplo – tudo bem que é algo relativo, visto que a final da CAF Champions League foi disputada no dia 1º de novembro, enquanto na América do Sul, o torneio acaba em meados de julho. De lá pra cá, o time faz uma campanha tranquila no Argelinão: são cinco vitórias, seis empates e apenas duas derrotas em treze partidas, com 14 gols feitos e 10 sofridos. O time é o quinto colocado, mas está apenas três pontos atrás do líder USM Alger, além de ter perdido apenas um jogo dos últimos nove.

A questão que preocupa, porém, é o cansaço. Os argelinos enfrentaram uma maratona de nove partidas da decisão da Champions League da África até o último sábado. No entanto, o retrospecto, como já mencionado, foi bom durante o período, fora que a equipe teve uma semana para descansar e se preparar para o jogo deste fim de semana. Além disso, se o Sétif está cansado, os neozelandeses também estão. Afinal, nesta quarta-feira, o time semiprofissional precisou dos pênaltis para eliminar o Moghreb depois de um jogo difícil de assistir no tempo normal e na prorrogação.

Os destaques

As Águias Negras têm tudo para avançar às semifinais do Mundial e tentar surpreender o San Lorenzo. Além da já mencionada superioridade técnica, tática, mais experiência e a torcida fanática que deve empurrar o time, o Sétif conta com alguns bons nomes em seu elenco.

No 4-3-3 do técnico Kheïreddine Madoui se destacam o experiente atacante Sofiane Younès, o jovem meia-atacante Akram Djahnit, de 23 anos, e o matador El Hedi Belameiri. Enquanto Younès é importante pela liderança, tranquilidade e qualidade técnica, os garotos Djahnit e Belameiri têm estrela e muita qualidade. O primeiro, que é fruto das categorias de base do clube, se destaca pela habilidade, bom passe, talento e por ter marcado o gol do título na CAF Champions League. Já o segundo foi o artilheiro do torneio continental, anotando seis tentos na campanha e mostrando, além do faro de gol, boa movimentação, inteligência tática, bom passe e técnica.

O interessante no esquema de Madoui é que os destaques trocam de posição constantemente. Djahnit e Belameiri, por exemplo, se revezam entre ponta-direita, armação e o posicionamento como homem de referência, assim como Younès, que cai pela esquerda no ataque mas também cria jogadas no meio-campo.

Os argelinos têm tudo para passar pelo Auckland City e tentar surpreender o San Lorenzo nas semifinais para realizar o sonho de enfrentar o Real Madrid – que não deve ter problemas contra Western Sydney Wanderers/Cruz Azul – na final. Antes, porém, as Águias Negras precisam tomar cuidado e não complicar o jogo contra os neozelandeses. Afinal, o time argelino não quer fechar o ano de ouro de forma depressiva e perder a chance de surpreender o mundo positivamente para ser mais uma surpresa negativa na competição.