Apesar de ter sido bicampeão espanhol, grande parte da torcida do Barcelona nunca amou Ernesto Valverde. A insatisfação girava em torno da distância entre o futebol que o time praticava e a famosa filosofia de jogo inspirada nas ideias de Johan Cruyff. Por isso, ao demiti-lo, a diretoria blaugrana buscou um profissional que bebe dessa fonte, e Quique Setién não precisou de mais do que a sua entrevista de apresentação para renovar seus votos de lealdade ao cruyffismo.

“Normalmente, nas equipes em que treino, garanti apenas que meu time jogará bem. Tanto no Las Palmas, quanto no Lugo e no Bétis, a equipe jogava bem futebol. Todos viam que havia uma identidade. Digo isso aqui quando vi uma equipe que jogou bem quase sempre, inclusive na última partida”, afirmou, referindo-se à derrota para o Atlético de Madrid, na semifinal da Supercopa da Espanha. “Não demorei cinco minutos para aceitar essa opção. Jamais pensei que o Barcelona decidiria por mim. Não tenho um currículo extenso, não tenho títulos. A única coisa que tenho é ter demonstrado que essa filosofia me encanta. A única coisa que fiz foi colocar Betis, Las Palmas e Lugo jogando muito bem o futebol”.

Setién afirmou que avalia mudar o desenho tático do Barcelona, do 4-3-3 ou 4-4-2 que vinham sendo usados por Valverde, mas que, com todo respeito, isso não é o mais importante. “A filosofia não muda, o desenho pode mudar. A melhor maneira de ganhar é jogando bem e eu sempre prometo que minhas equipes jogarão bem. Sou uma pessoa de convicções. Sempre escuto a todos, mas é difícil tirar da minha cabeça as coisas das quais estou convencido. Quando começam as dúvidas, sou o primeiro a defender o que faço. Se tiver que morrer com isso, morrerei”, afirmou.

Ainda sobre a filosofia barcelonista, que preza muito pelo DNA do clube impregnado em suas categorias de base, Setién prometeu que não hesitará em promover jovens ao time principal. “Este clube tem um base extraordinária. E eu valorizo muito a base. Os jogadores da base virão treinar, participarão e isso tem que estar claro aos jogadores do time principal: se o talento abre caminho é porque merece. Sempre que aparece um novo garoto há uma energia positiva que acaba impulsionando o grupo e que faz com que os que estão acima não relaxem. É uma mensagem que sempre lancei: se realmente ganham, podem jogar no time principal”, disse.

Setién afirmou que estava andando pela sua cidadezinha, entre as vacas, quando recebeu a ligação para treinar Lionel Messi, sobre quem disse no passado que choraria quando se aposentasse. “Conversamos e eu lhe disse: uma coisa é a admiração que tenho por você e outra é o fato de que cada um tem que estar em seu lugar. Messi é excepcional, único, mas tenho admiração por vários jogadores. Passei os últimos anos sentado diante da televisão vendo esses jogadores, eles me fizeram desfrutar do futebol”, encerrou.