Tem algo de amável nas palavras de Quique Setién desde que se tornou técnico do Barcelona. Já faz alguns dias, é verdade, mas a ficha mal caiu ao espanhol, que segue dando entrevistas sem esconder nem um pouco sua estupefação com o novo cargo – e com os jogadores que terá à sua disposição, como Lionel Messi.

Em declarações publicadas pelo El País nesta sexta-feira (17), caprichou nas palavras para definir o craque argentino. Para o técnico espanhol, o nível de incidência ofensiva do camisa 10 não encontra paralelo na história do futebol.

“Nunca vi em nenhum outro jogador na história o nível de incidência que ele tem em todos os jogos. É tremendamente influente em todas as partidas. Ele é único, e parece impossível que um jogador como ele apareça novamente”, cravou.

Por mais que sua fala a seguir ajude a tirar um pouco de seu próprio crédito diante de eventuais conquistas, Setién afirmou que Messi “faz tudo bem e torna nós, treinadores, melhores. Ele nos dá e nos tira os nossos títulos”.

“Agora ele é meu jogador, e temos de tentar fazê-lo feliz. Mas não é preciso lhe dizer nada, porque dá para ver como ele é competitivo nos treinamentos”, comentou o técnico, já acenando que não terá problema nenhum em entender a hierarquia dentro do clube.

Outro que ganhou elogios do técnico foi Sergio Busquets, a quem Setién coloca em uma prateleira especial.

“Tenho algumas camisas emolduradas em casa, só algumas. Dos especiais, de jogadores que reúnem uma série de condições que me satisfazem. Também daqueles que são pessoas íntegras, que querem crescer… E é aí que entra o Busquets. Eu sempre tive uma grande admiração por ele”, revelou.

Como se falou exaustivamente nos últimos dias, Setién é um discípulo da escola de jogo implementada por Cruyff no Barcelona e busca um futebol ofensivo. Sua explicação para isso foi singela.

“Pode parecer prepotência, mas as minhas convicções vêm porque esse é o futebol que eu gostava quando jogava. Eu me divertia no pátio da escola com a bola, não sem ela. E é isso que tem guiado a minha vida e o que me motiva. Isso é o que 99% dos jogadores sentem”, afirmou, acrescentando ainda que o resultado não é tudo que lhe basta para sair satisfeito de um jogo.

“Se ganharmos sem jogar bem, vou para casa de mau humor, porque você precisa se sentir bem. E, se você faz as coisas bem, tem sempre chances de ganhar. Para outros, jogar bem é estar protegido, evitar que o adversário crie ocasiões, é ser capaz de fazer três contra-ataques que acabem em uma chance ou em gol. Existem os resultadistas, e eu respeito isso. Mas cheguei até aqui pensando de outra maneira.”

Ainda encantado com seu novo clube, o técnico, que estava em uma fazenda, cercado de vacas, quando recebeu o convite do Barcelona, como descreveu, diz que antes achava impossível ir ao time blaugrana.

“Houve uma semana em que todos me diziam que eu ia para o Barça. Eu respondi que era impossível porque eu não tinha currículo e que fazer sua equipe jogar bem não costuma valer a pena. Foi uma surpresa. É um grande sonho e ainda estou emocionado, mas agora estou no modo treinador e estou renovando as energias. Fico entusiasmado com as coisas e espero poder transmitir isso. É o momento dos meus sonhos.