Sete motivos pelos quais a volta de Tite é uma boa razão para o corintiano comemorar

Clube anunciou de forma oficial o acerto por três anos com o técnico campeão da Libertadores e do Mundial de 2012

Tite saiu do Corinthians em 2013, mas nunca deixou o time de verdade. Desde que foi substituído por Mano Menezes, o gaúcho vinha sendo especulado para um possível retorno ao clube em que venceu de tudo e em que escreveu seu nome na história do futebol brasileiro. Nesta segunda-feira, enfim, o Alvinegro anunciou oficialmente a sua volta, com um contrato de três anos. Será a terceira passagem do comandante pelo time do Parque São Jorge, e se o sucesso da última empreitada se repetir, a decisão terá sido boa para todas as partes.

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Depois de um ano sabático, viajando pelo mundo e acompanhando a rotina de trabalho de grandes clubes, como o Bayern de Munique e o Real Madrid, o técnico retoma a função de certa maneira como uma incógnita. Devemos esperar o mesmo estilo que marcou a equipe entre 2010 e 2013, de muita defensividade e pragmatismo, ou Tite aprendeu uma coisa ou outra diferente em toda essa andança pelo planeta? Por mais que a “empatite” tenha deixado muitos corintianos de cama em seus últimos meses no Parque São Jorge, não dá para esquecer os grandes momentos do treinador à frente da equipe. Assim como é preciso reconhecer que sua saída ajudou a renovação do elenco, atravancada pelo merecimento aplicado à risca pelo comandante.

Independentemente do que virá pela frente, a escolha pelo técnico campeão da Libertadores de 2012 é a melhor que a diretoria poderia ter tomado para boa parte da torcida. E listamos sete motivos que vão muito além do que acontece em campo:

Ele era mais um louco do bando


Se, em campo, a torcida corintiana gosta de ver um jogador que dê seu máximo de vontade a cada jogada, a cada bola dividida, a cada saída de jogo na defesa adversária, ter no banco de reservas um treinador vibrante também a agrada. E nada poderia mostrar mais vibração que a comemoração de Tite após o gol de Paulinho que classificou o Corinthians à semifinal da Libertadores de 2012, contra o Vasco. Expulso do jogo, o técnico foi, ao lado de Edu Gaspar, assistir ao restante do duelo no meio da galera. Abraçou e foi abraçado pela torcida no tento decisivo do camisa 8.

Fez um jogador como o Alessandro jogar muito bem no Mundial de Clubes

Alessandro nunca foi um jogador exímio. Teve um bom desempenho individual na Série B de 2008, mas não era algo tão difícil, considerando o nível do time do Corinthians naquele ano em comparação ao das outras equipes da segundona. No entanto, mesmo sem ter sido um grande jogador técnico, foi muito bem nas maiores conquistas do clube sob o comando de Tite, a Libertadores (especialmente as semifinais e as finais) e o Mundial de Clubes. Como o técnico fez para tirar de Alessandro – que não deixou saudade em quase nenhum clube que jogou – seu melhor, não sabemos, mas esse potencial de fazer os atletas renderem seu máximo será útil para um clube que, no momento, não pode se dar ao luxo de contratações caras como as do início de 2013, quando chegaram Pato, Renato Augusto e Gil. Além disso, Tite demonstrou outras virtudes, como a mão certeira para lançar jogadores entre os titulares (como Romarinho ou Cássio) e fazer outros renderem ao máximo (a exemplo de Paulinho e Danilo).

Mesmo com o time jogando mal, foi ovacionado pela torcida

A torcida corintiana é extremamente exigente, e períodos longos de má fase dificilmente são perdoados. No entanto, mesmo com o futebol ruim apresentado pelo Corinthians em 2013, sobretudo no segundo semestre, Tite seguiu sendo adorado pelo torcedor. O reconhecimento por tudo aquilo que o técnico fizera desde assumir a equipe em 2010 foi incontestável especialmente após o anúncio de que, ao final do ano passado, o gaúcho não seguiria mais no comando da equipe. Dentre as diversas homenagens que recebeu, o técnico teve seu nome fortemente gritado em sua despedida do Pacaembu. Sem falar que, mesmo com o time tendo um desempenho bem aquém de seu potencial e com um futebol quase sempre sonolento, a grande maioria dos torcedores ainda queria sua permanência para 2014.

Criou o “fala muito” ao discutir com Felipão em pleno dérbi

Qualquer figura corintiana que, de alguma maneira, arruma rusga com um palmeirense ou marca o rival de algum jeito automaticamente ganha mais credibilidade com o torcedor, e Tite fez isso de maneira bastante espontânea em 2011 quando, em confronto com o Palmeiras, mandou o emblemático “fala muito” para Felipão, então técnico alviverde, durante um bate-boca. A frase imediatamente se tornou um bordão e uma das marcas da figura que é Tite.

Mesmo com as mudanças desde 2013, o elenco o conhece bem

O elenco do Corinthians para 2015 não será exatamente o mesmo que Tite deixou em 2013. Houve várias mudanças, mas o núcleo de jogadores continua lá, e isso dará ao técnico maior tranquilidade para assumir o comando da equipe. Os atletas o conhecem, e aqueles que não foram treinados por muito tempo pelo gaúcho rapidamente deverão pegar seus trejeitos. Além disso, Tite sempre foi muito popular com os jogadores pela maneira como tratava cada um deles. Isso não afeta diretamente os torcedores, mas o grupo, que, consequentemente, pode render  mais e proporcionar maiores alegrias à torcida.

Aguentou o baque da queda para o Tolima e seguiu com seu projeto

Poucos meses após ter assumido o time, Tite teve pela frente o pior episódio de sua segunda passagem pelo Corinthians. A queda precoce na pré-Libertadores de 2011, com um elenco estrelado, foi um grande vexame e poderia ter facilmente decretado o fim da história do treinador no clube. No entanto, bancado por Andrés Sanchez, Tite aguentou a pressão, seguiu no cargo e deu sequência a seu planejamento, mesmo tendo que lidar com a saída de duas estrelas de nível mundial, Ronaldo e Roberto Carlos. Ainda levou o clube ao título do Campeonato Brasileiro ao final do ano, antes das outras grandes conquistas que vieram no ano seguinte.

Venceu tudo que o corintiano queria

Há até alguns anos, a Libertadores parecia um sonho muito distante para o corintiano, por melhor que fosse o time montado para sua disputa. O peso da pressão pela conquista inédita era enorme, e nem os mais experientes dos grupos conseguiam lidar com isso. Sob a liderança de Tite, que havia fracassado na competição antes mesmo de entrar na fase de grupos em 2011, o Corinthians deixou esse fantasma no passado e com uma campanha irrepreensível enfim pôs as mãos na taça, passando por adversários tradicionais, como Santos e Boca Juniors. Não satisfeito, o técnico ainda comandou a equipe ao título mundial contra o Chelsea de maneira igualmente incontestável, em um dos confrontos de Mundial de Clubes mais nivelados entre um brasileiro e um europeu. Além do Paulistão de 2013 e do Brasileirão de 2011, levou também a Recopa de 2013 contra o rival São Paulo.