Alguns times possuem torcida numerosa o suficiente para acharem a queda à Série B um desastre. Outros, nem sempre têm condições de se manter na elite, por mais que contem com uma massa de fanáticos. Mas que, pelas arquibancadas quase sempre cheias, não deveriam ficar abaixo da segundona. E o maior sinal desta grandeza vem próximo ao acesso, o momento em que os torcedores conseguem se engajar ainda mais em torno da sua paixão. Foi assim com Santa Cruz e Sampaio Corrêa em 2013. E, neste ano, também com Paysandu e Fortaleza, embora o destino não tenha sido generoso com eles da mesma maneira.

A Série B terá em 2015 novamente o Mangueirão lotado. O Paysandu conquistou o acesso depois de seguidas façanhas na reta final da Série C. A classificação aos mata-matas só veio de maneira muito suada, graças a uma combinação de resultados na última rodada. Já no duelo decisivo, o Papão conseguiu se impor contra o Tupi, de excelente campanha na etapa anterior. Os paraenses deram alegria aos 27,8 mil que acompanharam a vitória no jogo de ida e voltaram a triunfar em Juiz de Fora, golaço de Ruan para definir o placar de 1 a 0 diante dos 15 mil torcedores do Galo Carijó. A massa alviceleste estará na segundona representando o futebol de Belém, na esperança de que também o Remo possa se livrar da má fase recente e refazer o clássico em níveis maiores.

Uma pena que a torcida do Fortaleza não tenha conseguido desfrutar da mesma alegria. Com todo respeito ao Macaé e ao bom trabalho do clube, mas é de se lamentar que o acesso não tenha vindo ao Leão do Pici, diante de tamanha festa no Castelão – nada menos que o maior público dos campeonatos brasileiros em 2014. Foram mais de 62 mil fanáticos que lotaram o estádio e fizeram até mosaico, sem poder comemorar aquilo que esperavam. Mas para o futebol ter seus vencedores, é preciso que alguém perca. E não é mais um ano na Série C que abalará tamanha paixão demonstrada pelos tricolores – ainda que alguns vândalos tenham deixado esse sentimento de lado para depredar as cadeiras do estádio.

Depois de empatar por 0 a 0 no Rio de Janeiro, o Fortaleza estava com os confetes preparados. Afinal, a excelente campanha do time na fase de classificação reiterava a confiança. Porém, a falha do goleiro Ricardo terminou no gol de Juba, calou as arquibancadas. E o milagre esperado por aquela multidão não se concretizou. O empate veio só aos 35 minutos, em um lance chorado de Waldison. Já a virada que daria o acesso esbarrou na trave, aos 44, mesmo com o Tricolor terminando com dois jogadores a mais que os adversários. Foi um épico, mas não a favor da massa. Noite heroica do Macaé, que levou apenas três mil ao estádio no jogo de ida e que talvez nem conte com 62 mil torcedores em seus 19 jogos na Série B de 2015.

A comemoração no Nordeste ficou a limitada a Alagoas. E, mesmo que em menores proporções, uma festa bastante calorosa no Estádio Rei Pelé. O vermelho e o branco do CRB foram as cores que pintaram as arquibancadas, só aguardando que os minutos passassem rápido para desencadear a explosão. Após baterem o Madureira no Rio por 2 a 1, os alagoanos já estavam com o acesso engatilhado. Acabou ratificado com os 2 a 0 testemunhados por 16 mil torcedores.

Por fim, a quarta vaga para a segundona já tinha sido definida na sexta-feira. O Mogi Mirim não é bem um clube de grande torcida, embora conte com sua tradição no futebol paulista. Após vencer por 1 a 0 em Pernambuco, terminou o serviço contra o Salgueiro ao segurar o empate sem gols dentro de casa. A boa campanha na fase de classificação foi recompensada.

A Série C segue com as semifinais, que cruzam Paysandu x Mogi Mirim e CRB x Macaé. O que realmente importa, de qualquer forma, já está definido. O gosto de subir mais um degrau rumo ao topo do futebol brasileiro, dos torcedores terem confrontos de melhor nível para ver e sonhar. Entre os quatro, principalmente Paysandu e CRB poderão contar com casa cheia para receber parte dos adversários na segundona. Já o Fortaleza permanecerá por mais um ano na luta. Com a certeza de que uma torcida que foi capaz tanto para empurrar o time na última noite engrandecerá da mesma forma a terceirona em 2015. Um ciclo que se renova a cada gigante que tenta se reerguer no futebol do Brasil profundo.