Serie A

Sampdoria segura Internazionale em jogo de gols quase artísticos no Marassi

Augello caprichou e garantiu o empate para os genoveses, em jogaço matinal

Na manhã deste domingo, tivemos mais um indício de que a Serie A será bastante empolgante nesta temporada 2021-22. Em um partidaço, Sampdoria e Internazionale empataram em 2 a 2 mostrando bom repertório, emoção e histórias variadas. E golaços, a parte que mais importa para quem assiste.

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O domingo bonito em Gênova favoreceu o espetáculo. E ter em campo dois times que propõem jogo também ajudou. A Inter, que vinha embalada, provavelmente não esperava que a Samp dificultasse tanto a sua vida, e no fim das contas, os nerazzurri é que comemoraram o empate, pois poderiam ter sido derrotados de maneira incontestável.

O primeiro gol da tarde genovesa foi marcado pelo garoto formado na base interista, Federico Dimarco, aos 18. Emocionado, ele comemorou um gol importante em sua carreira e revelou a paixão pelo clube desde a infância. Mas a Samp de Roberto D’Aversa não deixou barato e foi buscar a igualdade. Em uma bola alçada na área, o zagueirão Maya Yoshida testou, com desvio de Edin Dzeko, para empatar. A grande característica desse time, em comparação à temporada passada, é que a equipe blucerchiata não se limita mais a permitir que o adversário jogue. A proposta foi de pressionar a Inter e buscar a vitória, ignorando a diferença de qualidade entre os elencos.

Um duelo que remete aos anos dourados da Samp

Como nos tempos mais saudosos da Serie A, nos anos 1980 e 90, Samp e Inter fizeram uma partida bastante interessante e repleta de alternância. Pouco antes do intervalo, aquilo que era óbvio se desenhou: Nicolò Barella achou Lautaro Martínez em ótima posição dentro da área, e em uma finalização inspirada, o argentino mandou para as redes, um dos golaços que coloriram o placar. Com a vantagem no intervalo, a Inter achou por bem se poupar um pouco, visando o duelo contra o Real Madrid, na Liga dos Campeões.

O que Simone Inzaghi não tinha em mente era que a Sampdoria voltaria com bastante ímpeto na segunda etapa. Logo de cara, uma jogadaça deu bons frutos. Bartosz Bereszyński dominou bem na direita, inverteu de costa a costa a bola para o outro lateral, Tommaso Augello, chegar e emendar uma bomba. O quase-voleio de Augello foi no tempo certo e no lugar perfeito: a gaveta de Samir Handanovic. 

Até o fim da partida, a Samp sempre esteve mais perto do terceiro gol, enquanto a Inter parecia conformada com o resultado. Além do empate, houve mais más notícias: o volante Stefano Sensi, que convive frequentemente com lesões, teve mais uma chance de mostrar seu bom futebol, entrando no lugar de Hakan Çalhanoglu. No entanto, levou a pior em uma dividida e machucou o pé, pouco depois de entrar em campo. 

Como Inzaghi já havia feito as cinco mudanças, Sensi precisou ficar se arrastando até o final, em pouco mais de 20 minutos dramáticos, sem estar em condições ideais. Apesar das imagens em que o atleta evidenciava seu sacrifício físico, a contusão não deve ser séria, já que foi apenas uma pancada. Mas o histórico médico de Sensi não é dos mais animadores, o que é uma pena, haja vista sua visível capacidade de organizar o meio-campo interista.

Sob pressão, a defesa da Inter, composta por Dimarco, Stefan De Vrij e Milan Skriniar passou algum aperto para segurar o placar. O que só ressaltou uma atuação bastante interessante da Samp, ofensivamente. Liderada por Mikkel Damsgaard e Antonio Candreva, a equipe da casa sempre se colocava no campo adversário e, sem a bola, tentava sufocar a Inter antes do segundo passe.

Por fim, Inzaghi não deve exatamente lamentar esse empate no Marassi. Até saiu barato não perder. A questão é não esticar tanto a corda do elenco em uma temporada de várias frentes, com uma Liga dos Campeões iminente. Para D’Aversa, o domingo foi de alto astral: seus jogadores aproveitaram a oportunidade e os holofotes para mostrar que a Samp não será mais um saco de pancadas e deve complicar a vida de muita gente em sua missão de recuperar o prestígio de outrora. 

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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