Serie A

Salva por Rui Patrício e El Shaarawy, Roma mantém invencibilidade e assume a ponta da Serie A

Jogo duríssimo contra o Sassuolo foi decidido nos acréscimos

Uma das grandes características de times vencedores é a capacidade de suportar imensas cargas de sofrimento e tensão, sem quebrar, até o apito final. Outros casos passam por sorte, talvez até falta de juízo, ou a inspiração individual que transparece em momentos cruciais. A Roma teve tudo isso neste domingo, no Olimpico, quando venceu o Sassuolo por 2 a 1. Mas a história do gol que valeu a liderança aos giallorossi foi complexa.

O efeito do novo chefe

É inegável o efeito que José Mourinho causou nos vestiários romanistas desde sua chegada. Semana após semana, o elenco parece responder de maneira diferente às provações que enfrenta. Em comparação ao seu antecessor imediato, Paulo Fonseca, Mourinho leva vantagem na forma como arma sua defesa. Mas nem seus melhores planos são infalíveis, e este jogo diante do Sassuolo foi uma prova. A atuação fraca de Matías Viña, no flanco esquerdo, e da zaga composta por Gianluca Mancini e Roger Ibañez foi escancarada por Domenico Berardi.

Se houvesse uma maneira mais simplificada de contar o que aconteceu hoje, ela seria: a Roma tem sorte e um bom goleiro. Rui Patrício fez seis defesas, e pelo menos quatro delas vieram em momentos nos quais o Sassuolo poderia ter atropelado, não só virado o placar. Porque se dependesse do resto da defesa, Mourinho estaria dando uma entrevista coletiva repleta de ironias à essa altura.

Pura imprevisibilidade

E o futebol tem dessas. Não é como se os romanistas não tivessem jogado bem, ofensivamente. Tammy Abraham teve boa movimentação e perdeu uma ótima chance, enquanto Lorenzo Pellegrini encarnou os melhores momentos de capitães que já vestiram essa camisa, chamando para si a responsabilidade de fazer seu time vencer. Quando foi aguda, a Roma de Mourinho puniu a equipe neroverde. Bryan Cristante, quando ninguém esperava, surgiu na área após uma cobrança de falta traiçoeira. O volante teve muita tranquilidade para se ajeitar e bater para marcar.

Como ficou claro nos parágrafos anteriores, a defesa ainda promete trazer dor de cabeça ao técnico português e sua torcida. Berardi foi gênio em um mano a mano com Viña, tirou o lateral da jogada com um drible perfeito e acionou Filip Djuricic, que mandou para a rede. Esses dois, juntos com o grandão Gianluca Scamacca, trouxeram um pedaço do inferno para a retaguarda da equipe mandante.

Durante grande parte da segunda etapa, o Sassuolo forçou a Roma a ficar no seu próprio campo, apenas sobrevivendo aos golpes. Não seria nenhum absurdo, portanto, que o gol saísse numa dessas jogadas. Rui Patrício não permitiu e mostrou aptidão para salvar a pele dos colegas.

Contornos de filme de terror

Quando desceu até a outra área, a Roma levou perigo. Pellegrini perdeu algumas chances, Eldor Shomurodov, que entrou na vaga de Nicolò Zaniolo, também. O uzbeque chegou a acertar um zagueiro do Sassuolo em cima da linha, no que teria sido o gol da virada. Ao ponto que tínhamos uma partida completamente aberta a qualquer desfecho.

Desfecho que, felizmente, foi favorável aos romanistas em dois lances bastante distintos. Stephan El Shaarawy, que saiu do banco para entrar na vaga de Henrikh Mkhitaryan, entrou inspirado. Quando o relógio já marcava o tempo dos acréscimos, o Faraó achou a brecha que queria e acertou um chute perfeito na meta de Andrea Consigli, que só olhou a bola raspar na trave e entrar.

Mas ainda faltava tempo e a apreensão giallorossa se mantinha. No lance seguinte, Scamacca fez o gol e calou completamente o Olimpico. Uma pena para ele que a arbitragem fizesse a revisão do lance e detectasse sua posição irregular, anulando o empate dos neroverdi e jogando um balde de água fria em uma grande atuação do Sassuolo.

Passado o apavorante minuto de terror, o árbitro Simone Sozza apitou pela última vez. E no lugar de caras aliviadas pelo fim da angústia, o que mais se viu no gramado foi gente vibrando. Mourinho, em seu jogo 1000 como técnico, correu até a Curva Sud, fazendo lembrar sua disposição no já longínquo ano de 2004. Outros jogadores caíram abraçados no chão. Ninguém quer acreditar muito nisso, mas a Roma é líder da Serie A. Sabe-se lá até quando vai durar essa liderança, o que se sabe é que o momento precisa ser vivido com uma merecida euforia.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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