Serie A

Platini conta que Napoli tentou contratá-lo: “Teria deixado Maradona com a camisa 10”

Um dos grandes rivais de Diego Maradona nos seus tempos de Napoli foi Michel Platini. O camisa 10 da seleção francesa era também o 10 da Juventus, principal time italiano do período. Em 1984, quando Maradona chegou ao Napoli, a Juventus de Platini tinha acabado de conquistar o título italiano. Na temporada seguinte, a primeira do argentino na Itália, a Juventus seria campeã da Europa. Um desafio imenso. Platini revelou que foi sondado para ir para o Napoli, onde faria dupla com o craque argentino, mas a transferência não aconteceu.

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“É o nosso passado que vai embora. Estou triste. Estou com saudades de um momento que foi lindo. Cruyff, Di Stefano, Puskás nos deixaram: grandes jogadores que marcaram a minha juventude. Diego marcou a minha vida”, afirmou Platini à RTL. “Ele não vinha bem por um longo tempo, mas eu lamento e me dói sentir que ele se foi. Eu não sei se ele é o melhor jogador da história”, disse Platini, em entrevista à Gazzetta dello Sport.

“Nós nos encontramos em Buenos Aires pela primeira vez em junho de 1979”, afirmou Michel Platini em entrevista à Gazzetta dello Sport. “O inesquecível jogo entre Argentina e Resto do Mundo. Nosso técnico era Enzo Bearzot, havia [Paolo] Rossi, [Marco] Tardelli, [Zibi] Bonier, os campeões da Copa de 1978 da Argentina eram nossos adversários, Diego era tão jovem, mas já um grande homem, como Pelé, Cruyff Ronaldo ou Zidane. Os grandes campeões que marcaram uma era”.

Platini foi contratado pela Juventus em 1982, depois de começar a carreira no Nancy e se destacar pelo Saint-Étienne. Platini conquistou o título italiano em 1983/94, mesmo ano da conquista da Copa dos Campeões, e voltaria a conquistar em 1985/86, já com Maradona no Napoli.

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Ficou no clube até 1987, justamente na temporada que Maradona conquistou o primeiro scudetto, o título italiano, pelo Napoli, em 1986/87. Naquela temporada, o Napoli de Maradona também conquistou a Copa da Itália. Ele ainda conquistaria outro, em 1989/90, além da Copa da Uefa, em 1988/89, e a Supercopa Italiana, em 1990.

“Quando ele chegou, o Napoli estava no mesmo nível da Juventus pela primeira vez. Teria sido impossível antes. Diego era um fenômeno, mas eles construíram um time ao redor dele. Giordano, Careca e outros”, continuou Platini, sobre os épicos duelos com Maradona naquela segunda metade dos anos 1980.

“Diego tinha tudo, todos os elementos para ser um campeão, um extraordinário pé esquerdo. Uma velocidade que eu nunca tive. Você não se torna Maradona se você não tem os meios. Ele era um atacante, um segundo atacante, eu era mais um meio-campista, nós éramos diferentes. Ele certamente tinha uma personalidade, sempre um protagonista”, analisou ainda o francês.

“Ele fez muito pelos jogadores, todos o amavam. Ele respeitou todo mundo em campo. Ele era uma pessoa muito gentil em um mundo que não o ajudava. Todo mundo dizia que ele era simpático, mas talvez eles não davam a ele o que ele realmente precisava”, afirmou ainda o ídolo da Juventus e da seleção francesa.

Quando perguntado que jogador tinha sido melhor do que ele, Platini desconversou, mas deixou claro só um. “Não me peça para fazer comparações, elas não têm sentido, na vida e no futebol. Mas meu ídolo era Johan Cruyff, então…”, disse o ex-jogador.

O francês também foi perguntado sobre a possibilidade de Maradona ter jogado na Juventus. “Eu não sei [se Agnelli queria levar Maradona para a Juventus], eu sei que Dal Cine tentou me levar para o Napoli”, revelou. “Eu o deixaria com a camisa 10, eu talvez tivesse escolhido a 20, que valia o dobro”, brincou.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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