Serie A

Napoli: federação “perdeu chance” no combate ao racismo ao manter suspensão de Koulibaly

Kalidou Koulibaly foi expulso nos minutos finais da derrota do Napoli para a Internazionale, ao receber o segundo amarelo por aplaudir sarcasticamente o árbitro Paolo Mazzoleni. Havia circunstâncias atenuantes: ele pedia que a partida fosse paralisada porque estava recebendo insultos racistas. Atenuantes para quem tem bom senso. Não para a Federação Italiana de Futebol.

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A a corte de apelação da entidade decidiu manter a suspensão de duas partidas para o zagueiro senegalês, negando o recurso do Napoli, porque a “atmosfera inaceitável criada em torno do estádio durante a partida não tem relevância e não pode ser considerada justificativa para o atleta tirar sarro do árbitro”. A federação teme que jogadores usem comportamentos racistas das arquibancadas para escapar de sanções por qualquer ato, inclusive violentos. “Obviamente, não podemos criar um precedente”, disse a federação, em uma nota, segundo o Football Italia.

O Napoli ficou tremendamente irritado. Perdeu um dos seus principais jogadores para o jogo contra o Bologna e também não o terá para enfrentar a Lazio. Afirmou em uma nota no seu site oficial que a decisão é uma “triste derrota para o futebol” e para a luta contra a discriminação, “que ainda faz parte do futebol e da sociedade”. “É também uma derrota para as pessoas que, equivocadamente, mantêm que o racismo não é um problema nos estádios e que aqueles que xingam negros, napolitanos e judeus ou quem quer que seja são uma pequena maioria”, disse.

O clube classificou os últimos 23 dias como “extraordinários” por causa de “irregularidades, desentendimentos e absurdos tão sérios e grotescos que não podem ser ignorados”. Segundo o Napoli, Koulibaly pediu que o árbitro suspendesse a partida, e Mazzoleni respondeu que não falaria com o zagueiro, contradizendo a orientação do instrutor de arbitragem Nicola Rizzoli, de que o pedido para paralisar o jogo em caso de racismo pode ser feito tanto pelo capitão da equipe, quanto pelo jogador que está sendo ofendido. Disse que a Uefa e a Fifa condenaram o que aconteceu, “dizendo que o protocolo não foi respeitado e que a partida deveria ter sido suspensa”.

“Raramente na Itália nós testemunhamos uma condenação tão unanime da sociedade como um todo”, continua a nota, entrando em detalhes sobre o processo de apelação. De acordo com ela, o painel “encorajou Koulibaly a não desistir e a não se sentir sozinho”, o que o próprio jogador declarou ter sentido naquele momento, “enquanto explica aos juízes o quão envergonhado ficou por ter que contar aos seus parentes e à sua mãe, em particular, o que havia acontecido”.

“Após todos esses eventos extraordinários, a apelação foi recusada. Uma regra processual foi incapaz de fazer a única coisa que podeia fazer: devolver a Kalidou Koulibaly – este rapaz senegalês que, diante desses eventos, representa o que é bom e ruim na Itália no momento – a dignidade que ele merece. Koulibaly, o futebol italiano e as instituições, todos saem desse caso degradados. A suspensão de Koulibaly deveria ter sido revertida, independentemente das regras e da burocracia. Tudo que isso faz é matar o futebol. Porque o futebol é, acima de tudo, a paixão que une bilhões de pessoas ao redor do mundo e não deveria ser ridicularizado assim”, disse.

“Uma oportunidade foi perdida. Infelizmente, isso prova que ainda há muito a ser feito e muitas coisas precisam mudar”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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