Serie A

Moise Kean tentará retomar sua ascensão no retorno à Juventus, que paga caro para recomprar sua promessa

Depois de dois anos em que sua carreira não progrediu, Kean volta à Juventus por empréstimo com obrigação de compra

A saída de Cristiano Ronaldo aliviou as contas da Juventus, mas criou um problema para o clube dentro de campo. Especialmente nas duas últimas temporadas, os gols do camisa 7 carregaram os bianconeri em momentos difíceis e evitaram problemas maiores a uma equipe desequilibrada. Assim, que não fosse possível trazer outro grande astro para o ataque, a Velha Senhora necessitava de uma nova opção dentro do elenco. E depois de tentativas com diferentes nomes, os juventinos acertaram o retorno de Moise Kean, num movimento que auxilia Massimiliano Allegri e parece ser benéfico ao jogador – estagnado desde sua saída de Turim.

A situação delicada da Juventus não permite gastos tão altos neste momento. Até por isso, o clube teve que amarrar um negócio dividido em várias partes com o Everton. Kean chega por empréstimo de duas temporadas, num total de €7 milhões a serem pagos pelo clube – €3 milhões em 2021/22 e mais €4 milhões em 2022/23. Porém, também está definida a obrigação de compra para 2023/24, numa maneira de aliviar o Fair Play Financeiro. Por isso, a Juve desembolsará mais €28 milhões e poderá pagar ainda €3 milhões em bônus. Os Toffees se dão muito bem, pensando que gastaram €27,5 milhões pelo atacante em 2019. Receberão mais por um jogador que, na prática, se desvalorizou desde então.

A carreira de Kean, afinal, não progrediu como muitos imaginavam desde sua venda da Juventus. O atacante foi um fiasco na Premier League. Anotou apenas dois gols pelo Everton na liga, sem agradar Carlo Ancelotti, e teve problemas disciplinares, inclusive ao deixar bem claro como não desejava permanecer no clube. Na temporada passada, saiu-se melhor no Paris Saint-Germain. Anotou 13 gols pela Ligue 1 e ainda fez mais três na Champions. Contudo, seria um mero coadjuvante, que ganhou sequência apenas quando algum titular estava lesionado e quase sempre saiu do banco de reservas. Tanto é que os parisienses não fariam força para segurá-lo.

O retorno de Kean para a Juventus parece uma tentativa de retomar esse elo perdido em sua trajetória. O garoto era tratado como um fenômeno nas categorias de base e se destacou na reta final da temporada 2018/19, com seis gols. No entanto, em busca de mais espaço e também mais dinheiro, abraçou a oferta do Everton. O retorno para a Juve neste momento garante não apenas mais chances entre os titulares, mas também o reencontro no ambiente onde melhor rendeu.

Aos 21 anos, Kean tem o caminho aberto para se desenvolver. A questão é mesmo seu comprometimento, diante dos entraves que ocorreram nos dois últimos anos. O atacante precisará provar que aquela boa sequência não foi apenas uma fase, como o período no Everton até sugeriu. Além do mais, chama atenção a aposta alta que a Juventus faz. Com um mercado restrito e sem muito tempo para negociar no fechamento da janela, a Velha Senhora gasta bastante para trazer seu prodígio de volta.

Na última rodada da Serie A, Massimiliano Allegri combinou Federico Chiesa e Paulo Dybala como atacantes, tirando ainda Álvaro Morata do banco. Kean é uma opção de mais potência que os três, podendo combinar presença de área e aparições pelas pontas. Mas não é exatamente um nome que alavanque as expectativas sobre o time, ainda mais depois de se perder Cristiano Ronaldo. Vale lembrar que os bianconeri também acertaram a vinda de Kaio Jorge neste mercado.

Nesta terça, a Juventus anunciou a contratação do meia Mohamed Ihattaren. O ex-jogador do PSV, porém, ficará emprestado à Sampdoria nesta temporada. Além dos nomes mencionados, o único outro reforço da Juventus foi mesmo Manuel Locatelli para o meio-campo. Tal situação indica as limitações financeiras do clube e também explica um pouco mais o tamanho do desespero de Andrea Agnelli pela Superliga Europeia. Sem a injeção de dinheiro, os juventinos não puderam fazer muito.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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