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Lorenzo Buffon, o antepassado que iniciou uma dinastia de goleiros na Azzurra e em Milão

Caso você resolva olhar o elenco da seleção italiana na Copa do Mundo de 1962, algo deve lhe chamar atenção imediatamente. Afinal, o primeiro goleiro lhe soará familiar. Ver um Buffon vestindo a camisa 1 e portando a braçadeira de capitão não será mera coincidência ou um mero erro de digitação, cometido décadas depois. Gianluigi se firmou como uma lenda a partir dos anos 1990, ajudando a levar a Azzurra de volta ao topo do Mundial em 2006. Para muitos, se transformou no melhor goleiro da história do futebol italiano, fruto de intermináveis anos de dedicação, segurança e milagres sob as traves. O talento da lenda, é claro, veio a custo de muito trabalho nos treinamentos. Mas também aparece em seu DNA. Porque a geração de seu avô também gravou o sobrenome usando luvas.

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Lorenzo Buffon era primo de segundo grau do avô de Gigi. Quando iniciou a sua carreira no futebol, o parente distante, que realmente eternizou o sobrenome, ainda demoraria bastante a nascer. Mas o primeiro grande Buffon também teve sua fama defendendo chutes. Revelado pela Portogruarese, chegou ao Milan quando tinha apenas 20 anos. Fez parte de alguns dos esquadrões mais notáveis dos rossoneri, comandado pelo trio de ataque sueco Gre-No-Li – Gunnar Green, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm, trazidos após a conquista do ouro olímpico em 1948. Sua ascensão ao time titular, aliás, aconteceu ao fechar a meta em um treino contra as lendas escandinavas.

Lorenzo passou uma década na meta milanista. E ajudou em conquistas importantes. Foram três taças da Serie A ao longo dos anos 1950. Além disso, o Milan se colocou como potência europeia, em tempos anteriores à Copa dos Campeões. Um dos precursores do torneio continental foi a Copa Latina, disputada entre os vencedores das ligas de Portugal, Espanha, França e Itália. Pois os rossoneri ergueram a taça duas vezes, batendo grandes times como o Athletic Bilbao de Zarra, o Benfica de Coluna e o Atlético de Madrid de Benbarek. Sucesso que o levou à seleção italiana em meados de 1958, assumindo a meta até a Copa.

buffon

A Azzurra vivia tempos de grandes jogadores, muitos deles levando seus clubes às primeiras conquistas continentais na década de 1960. Contudo, os resultados da seleção não eram tão bons. Mesmo tendo ao lado nomes como Omar Sívori, Cesare Maldini, Giovanni Trapattoni, Altafini Mazzola, Gianni Rivera e outros grandes, Lorenzo Buffon só venceu quatro dos 15 jogos que disputou pela equipe nacional. Titular em duas partidas na Copa de 1962, ao menos, não sofreu nenhum gol. Mas ficou de fora da célebre batalha contra o Chile, que custou a eliminação dos italianos no torneio. Chegou mesmo a ser convocado para as seleções do Resto da Europa e do Resto do Mundo – quando se tornou amigo pessoal de Lev Yashin. Além disso, estampava também o noticiário de celebridades, casado com a atriz Edy Campagnoli.

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Ídolo do Milan, Lorenzo Buffon deixou o clube ainda em 1959. Teve breve passagem pelo Genoa, antes de escrever breve história na Internazionale. Foram três temporadas defendendo os nerazzurri. Ajudou o time de Helenio Herrera a conquistar o scudetto de 1962/63, o primeiro passo rumo ao bicampeonato da Champions. Porém, sem ser titular absoluto e sofrendo com as lesões, acabou trocado com a Fiorentina. E, já aos 35 anos, eclipsado pelo jovem Enrico Albertosi (campeão da Euro em 1968 e vice do Mundial em 1970), Buffon viu o final de sua carreira se encaminhar naquele momento.

Antes de Gigi, ainda houve um primo de Lorenzo que se aproveitou do DNA. Mas Armando esteve distante de fazer tanto sucesso, passando sem destaque por times como Genoa, Brescia, Reggiana e Ascoli. A elasticidade e a estatura da família, entretanto, se aprimoraram com o passar de gerações. E foram importantes para servir de base ao maior craque da família, quem Lorenzo ainda tentou levar ao Milan durante a adolescência. Olheiro do Milan, o veterano logo percebeu a qualidade do parente que tinha acabado de migrar para o gol. Só não conseguiu convencê-lo a deixar o Parma. Três anos depois, Gianluigi estreava fechando a meta justamente contra os milanistas. Hoje, o Buffon mais conhecido é quem ajuda a resgatar as memórias do importante arqueiro da Azzurra, do Milan e da Inter, que completa 86 anos neste sábado.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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