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A Inter deu show em Milão, mas até que ponto dá para acreditar?

A Internazionale humilhou neste domingo. Os nerazzurri certamente ficaram satisfeitos com a goleada do time de Walter Mazzarri sobre o Sassuolo no Estádio Giuseppe Meazza. Com uma facilidade enorme, a equipe de Milão enfiou 7 a 0 sobre os visitantes. Mauro Icardi estava insaciável ao anotar três gols, Mateo Kovacic orquestrou o meio-campo, Hernanes criou boas chances e até Pablo Osvaldo pareceu confiável. Tudo espetacular? Não muito, quando se lembra que a Inter também enfiou 7 a 0 no Sassuolo na última temporada e não engrenou.

Faz quase um ano daquela goleada, ocorrida no dia 22 de setembro, em Sassuolo. Rodrigo Palacio e Diego Milito comandaram o massacre, que não necessariamente significou o sucesso dos nerazzurri na Serie A – a quinta colocação rendeu apenas vaga na Liga Europa. E a calma com o andor interista já tinha vindo logo na primeira rodada, com o empate sem gols contra o Torino, quando Samir Handanovic precisou até defender pênalti para evitar o pior. Lógico que é bom comemorar a primeira vitória com um placar tão elástico, por mais que seja contra um candidato ao rebaixamento. Ainda assim, é melhor ter calma com a Inter.

A tendência natural do time de Mazzarri é evoluir. Tanto pela continuidade do trabalho do treinador quanto pelo amadurecimento e adaptação de boa parte dos jogadores. A Inter mudou demais o seu elenco nos últimos anos, fruto dos cortes sistemáticos de salários e da aposentadoria de muitos de seus medalhões. Quem ocupa o espaço agora, em sua maioria, são novatos – na idade ou, ao menos, em tempo de clube.

Icardi é um jogador que promete muito, mas precisa ser mais constante. Da mesma forma, Kovacic e Dodô (que merece ser observado com mais atenção por Dunga) podem ser nomes importantes, embora precisem ganhar mais tarimba. Hernanes já conhece o clube e tende a render mais, enquanto Osvaldo deve provar a badalação que não foi correspondida em seus últimos clubes. Gary Medel foi a principal contratação da temporada, mas alguém mais para consolidar o grupo. Fredy Guarín, entre tantas idas e vindas, tem que reconquistar a confiança perdida. E ainda há outros nomes para entrar no time, como Palacio e Kuzmanovic.

Qualidade, não há dúvidas, a Internazionale tem. Questão maior é contornar essas pequenas questões individuais, que influenciam no coletivo e tornam o time tão oscilante. Força para brigar por uma vaga na Liga dos Campeões o time tem. Só não pode perder tantos pontos com empates bobos em casa, como foi na última temporada, assim como precisa se fazer valer nos confrontos diretos com os times de cima da tabela. Só assim para tirar a diferença do Napoli que, dos últimos três primeiros colocados de 2013/14, é quem está em descendente.

A sequência da Inter em setembro é relativamente tranquila na Serie A: visita o Palermo na Sicília, enquanto recebe Atalanta e Cagliari em Milão. Para, então, começar a ser desafiada de verdade, com Fiorentina fora e Napoli em casa. Dois concorrentes nas competições europeias e que devem mostrar o real nível de expectativa dos nerazzurri. Se o time aproveitar esse início para engrenar, a confiança sobre um elenco ainda que se prova pode ser decisivo na campanha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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