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Como era a última Fiorentina a liderar o Campeonato Italiano

Já haviam se passado 16 anos desde a última vez que torcida da Fiorentina experimentara a sensação de liderar a Serie A. Em fevereiro de 1999, a Viola empatou por 0 a 0 com o Milan e se manteve na primeira posição ao final da 20ª rodada. Desde então, o clube nunca mais tinha voltado ao topo da tabela, nem mesmo com uma goleada fortuita na primeira rodada. Pior, neste entretempo, a equipe de Florença chegou a cair à quarta divisão, por conta de problemas financeiros. Para, enfim, o grande momento desde então acontecer neste domingo, com a goleada por 4 a 1 sobre a Internazionale. Vitória que valeu o retorno à liderança depois de tão longo hiato, ratificando o excelente trabalho do técnico Paulo Sousa.

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A Fiorentina vem mostrando serviço desde a pré-temporada, quando venceu Barcelona e Chelsea em torneios amistosos. E, por mais que tenha perdido um jogo na Serie A e a estreia na Liga Europa até o momento, os tropeços não tiram os méritos da Viola. Afinal, o time de Kalinic, Ilicic, Marcos Alonso, Borja Valero e outros destaques conseguiram repetir o feito de tempos dourados no Artemio Francchi. Do timaço de 1998/99 treinado por Giovanni Trapattoni, o lendário técnico campeão de todas as taças continentais.

Vale lembrar que aqueles eram outros tempos no futebol italiano. A bonança era menor do que nos anos 1980, mas a Serie A seguia como a liga mais forte do mundo. E a Fiorentina aparecia entre os protagonistas na metade final da década de 1990, especialmente após conquistar o acesso em 1994. Nas temporadas anteriores, a Viola chegou a terminar o campeonato em terceiro, além de conquistar a Copa da Itália em 1996. Já no ano seguinte, chegou até as semifinais da Recopa Europeia, caindo para o Barcelona de Ronaldo e Figo.

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Assim, as expectativas permaneciam altas sobre o que a Fiorentina poderia fazer em 1998/99, por mais que a concorrência fosse duríssima. A chegada de Trapattoni, após sua passagem pelo Bayern de Munique, deu um impulso a mais ao ótimo elenco dos violetas. A grande estrela da companhia era Gabriel Batistuta, ídolo histórico em Florença e um dos melhores centroavantes de todos os tempos. Ao seu lado, o ataque estava bem municiado com Edmundo, trazido do Vasco, e Oliveira, maranhense naturalizado belga. O meio de campo contava com o talento de Rui Costa, além de bons nomes como Christian Amoroso e Guillermo Amor. Francesco Toldo vivia fase espetacular protegendo a meta da Viola, enquanto a defesa tinha ganhado ótimos reforços com Jörg Heinrich, Tomás Repka e Moreno Torricelli.

Em tempos nos quais a Serie A contava com 18 clubes, a Fiorentina liderou em 17 das primeiras 20 rodadas daquela temporada. O time de Trapattoni largou muito bem, com quatro vitórias nas quatro primeiras rodadas – incluindo o triunfo por 3 a 1 sobre o Milan em San Siro, com direito a tripleta de Batistuta. Ao longo do primeiro turno, a Viola perdeu apenas quatro jogos, para Roma, Parma, Piacenza e Lazio. Enquanto isso, chegou a enfiar 3 a 1 na Inter de Roberto Baggio e bateu a então campeã Juventus (com Zidane e tudo) por 1 a 0. Só que a equipe começou a oscilar no início do segundo turno. E a derrota por 1 a 0 para a Udinese de Amoroso, em sequência de quatro partidas sem vencer, tirou o clube de Florença da primeira posição. Não voltou mais.

A taça naquela temporada acabou nas mãos do Milan, com Bierhoff brilhando no elenco que também tinha craques como Maldini, Weah, Albertini, Boban e Leonardo. Já o segundo lugar foi da Lazio de Roberto Mancini, Marcelo Salas, Nedved, Mihajlovic e Stankovic, no prelúdio da conquista que viria na temporada seguinte. A terceira posição, no entanto, valeu bastante à Fiorentina, que voltou à Liga dos Campeões depois de 30 anos longe da competição. Individualmente, Batistuta terminou como vice-artilheiro da Serie A, com um gol a menos que Amoroso. E a Viola ainda terminou sendo vice da Copa da Itália, derrotada na final para o Parma de Buffon, Crespo, Verón, Fábio Cannavaro, Thuram e outros grandes nomes.

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Para a temporada seguinte, a Fiorentina perdeu Edmundo e Oliveira, mas trouxe referências do calibre de Mijatovic e Chiesa. Porém, o time não se encaixou da mesma forma e acabou em sétimo na Serie A. Já na Champions, a eliminação aconteceu para Manchester United e Valencia na segunda fase de grupos, em campanha marcada pelo gol antológico de Mauro Bressan contra o Barcelona – considerado como o mais bonito da história da competição. Últimas alegrias de uma grande época para a Viola, antes do sufocamento pelas dívidas. Desde o retorno à Serie A, os violetas até viveram bons momentos, mas nunca foram além do quarto lugar ao final da temporada. E, até este domingo, sequer tinham tomado a liderança. Quem sabe, o sinal de que o brilho esteja voltando, mesmo sem as estrelas de outrora.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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