Jogador algum é maior que seu clube. A máxima é verdadeira, embora pareça não fazer sentido na cabeça de alguns atletas. Entretanto, reconhecer o valor de um jogador importante é uma das maiores provas de respeito à própria história que uma agremiação pode dar. No futebol brasileiro, é difícil achar maior exemplo de respeito mútuo que aquele entre Coritiba e Dirceu Krüger. Nesta terça-feira, o Flecha Loira completou 49 anos de serviços prestados ao Coxa. Desde a assinatura de seu contrato como jogador em 24 de fevereiro de 1966, nunca se desvinculou da equipe cuja história se confunde com sua própria.

VEJA TAMBÉM: Zanetti vai ganhar documentário sobre a sua carreira; veja o trailer

Dirceu Krüger defendeu as cores do Coritiba como atleta por dez anos, entre 1966 e 1976. Neste período, ajudou o time a sair de uma fila de oito anos sem títulos e, mesmo após quase falecer por uma lesão em 1970 – chegando a receber extrema unção -, retornou ao futebol e venceu mais quatro vezes o Campeonato Paranaense. A aposentadoria como jogador poderia ter representado o fim da história do Flecha Loira no Coxa, mas era apenas o começo de sua nova e mais duradoura fase no clube. Como funcionário, passando por diversas funções, já acumula quase quatro décadas completas.

Diversas vezes, entre 1979 e 1997, assumiu a função de técnico interino do Coritiba, chegando a 185 partidas no comando do time. Número que o deixa na segunda colocação entre os treinadores com mais número de jogos pelo time, atrás apenas de Félix Magno, que em três passagens pelo Coxa acumulou 201 jogos.

Atualmente, Krüger, perto de completar 70 anos, é supervisor técnico das categorias de base. A história rica que construiu e o respeito do Coritiba pelo seu ídolo reverberam no dia a dia do clube, como ficou claro com a homenagem do garoto Rafhael Lucas após marcar um dos gols da vitória no Atletiba do último final de semana.

Sobre a grandeza e a superação do Flecha Loira, Gibran Mendes, no ESPN FC, já escreveu muito bem. Destacamos aqui o exemplo dado pelo Coritiba ao reconhecer o significado de Dirceu Krüger para sua história e nunca ter fechado as portas para o ídolo. Convites para que o ídolo saísse dos corredores do Couto Pereira foram diversos, mas ele sempre soube que em lugar algum se sentiria mais amado e em casa que no Coxa. “Só tenho a agradecer a todos que de alguma maneira fizeram parte da minha história no Coritiba. Jogadores, atletas, diretorias que sempre me deram essa moral e também aos funcionários queridos que me dão tanto carinho todos os dias da minha vida”, disse ao site oficial da equipe.

O mais legal na atitude do Coritiba é manter o ídolo por perto de maneira que ele possa de fato contribuir com a agremiação. Não se trata de alguma função em que figuras possam tirar proveito político de sua imagem, ou apenas de um cargo simbólico e condescendente dado pelo clube. O Coxa de fato reconhece seu valor e sempre encontrou para ele um canto em que pudesse fazer alguma diferença, de maneira que não ficasse exposto a queimar a história que construiu como jogador. Em uma cultura de tão pouco respeito aos ídolos, o exemplo se torna ainda mais louvável.