Sem sequer citar o nome de Alex Ferguson, Wayne Rooney culpou o ex-treinador do Manchester United pela sua decisão de tentar sair de Old Trafford durante a última janela de transferências. O principal jogador da Inglaterra não gostou de ter sido colocado em uma posição mais recuada após a chegada de Robin Van Persie, no começo da temporada 2012/13.

“Todos sabiam onde eu queria jogar e acho que é por isso que fiquei decepcionado. Disseram para eu jogar no meio e eu não queria. Eu apenas achei que era um momento que, pelo bem da minha carreira, eu tinha que ser egoísta. Eu realmente acho que joguei bem no meio, mas não queria. Nunca tive problemas em atuar fora de posição, mas senti que merecia jogar na minha posição e isso não estava acontecendo”, disse.

Não estava mesmo, mas Rooney exagera um pouco. Nas 27 vezes em que entrou em campo na Premier League na temporada passada, apenas quatro atuou como um meia de verdade, entre a intermediária defensiva e a ofensiva. Isso ficou muito claro contra o Stoke City, quando foi escalado ao lado do volante Michael Carrick. Na vitória por 3 a 0 sobre o Newcastle, ele também foi recuado e deu duas boas assistências. Depois do jogo, comemorou a sua “nova posição no meio-campo”.

Em 18 ocasiões, ele atuou atrás de Van Persie, em áreas comuns aos segundos atacantes. Foi escalado cinco vezes mais próximo da área, onde agora está sendo utilizado por David Moyes neste início de temporada.

“David Moyes chegou e está me escalando mais à frente e estou gostando. Não estou dizendo que não vou voltar para o meio, por exemplo, nos últimos 10 ou 15 minutos, para ajudar a segurar o resultado. Não estou dizendo que vou colocar as mãos na cintura e ficar olhando. Eu posso jogar no meio. Talvez quando ficar mais velho, com menos pernas, eu volte para lá”, explicou.

O Chelsea chegou a fazer duas propostas por Rooney, de € 27 milhões e de € 29,5 milhões. O técnico José Mourinho chegou a pressionar o jogador a tomar uma posição após o empate entre Chelsea e Manchester United, em agosto. “Eu não queria dizer nada, apenas me concentrar no futebol. Eu falei com as pessoas que importam dentro do clube. Tinha muita coisa acontecendo”, disse.

Nesse último ano com Ferguson, Rooney marcou 16 vezes e deu 15 assistências, números inferiores a outros períodos da sua carreira. Em 2011/12 e 2009/10, por exemplo, fez 34 gols. “Sei que não foi a minha melhor temporada, mas eu estava jogando em diferentes posições. Não consegui uma sequência de partidas na frente. Às vezes, quando não está jogando no mesmo lugar o tempo todo, é difícil se adaptar”, reclamou.

À emissora de televisão americana PBS, Ferguson havia dito apenas que Rooney pediu para sair e o elogiou pelo começo de temporada que está fazendo. Em breve, entra em uma maratona de entrevistas para promover a sua autobiografia e não vai conseguir fugir das perguntas. Diretor do clube, a sua relação com o atacante, que nunca foi exatamente tranquila, pode motivá-lo a tentar uma transferência novamente depois da Copa do Mundo.