Pela qualidade de seu elenco e pelo desempenho razoável na última Copa do Mundo, a seleção de Senegal chegou à Copa Africana de Nações entre as principais favoritas. Apresenta uma campanha condizente ao cartaz e, fase após fase, se reafirma na competição. Mas a classificação à final veio apenas depois da partida mais dramática da equipe. O duelo contra a Tunísia apresentou um futebol mais disputado do que bem jogado, ainda assim em ótima intensidade. E numa noite com um pênalti defendido por cada goleiro durante o segundo tempo, um gol contra faria a diferença para os senegaleses durante a prorrogação. A saída errada do goleiro Mouez Hassen permitiu a vitória por 1 a 0 do time de Aliou Cissé na semifinal.

O lance decisivo não define os méritos de Senegal. O time controlou o jogo durante boa parte do tempo e criou boas oportunidades, apesar da reação da Tunísia depois do intervalo. Fez a diferença o forte sistema defensivo dos senegaleses, que só sofreu um gol na competição. O goleiro Alfred Gomis, aliás, terminou como o melhor em campo. Além do pênalti agarrado, que evitou a vantagem para os tunisianos, ele faria outras duas ótimas defesas. É uma equipe consistente, apesar da derrota para a Argélia na fase de grupos.

Senegal ainda busca o título inédito na Copa Africana. Sua única aparição na final aconteceu em 2002, com a geração que meses depois marcaria sua história na Copa do Mundo. Aliou Cissé era o capitão da equipe e desperdiçou o pênalti derradeiro na disputa decisiva contra Camarões, que deu a taça aos Leões Indomáveis. Dezessete anos depois, terá a chance de se redimir.

Senegal começa melhor

Senegal começou a partida se impondo no campo de ataque. Contava com a velocidade de seus homens de frente, bem como a força no apoio pelos lados. O lateral Youssouf Sabaly aparecia bastante pela esquerda e seria o responsável pelo primeiro lance de perigo, ao arriscar de fora da área, em sobra após cobrança de escanteio. A Tunísia tinha mais dificuldades para atacar e dependia principalmente das bolas paradas. Foi assim que respondeu, em escanteio que Youssef Msakni completou para fora.

Sabaly estala a trave

Sadio Mané, se não desequilibrava a partida, se apresentava bastante para o jogo e contribuía para o domínio de Senegal. Mesmo fechada, a Tunísia chegava com muito vigor nas divididas e permitia uma semifinal intensa, mesmo sem tantas finalizações. A melhor chance de abrir o placar no primeiro tempo veio aos 26. Sabaly bateu com muito capricho e a bola com curva saiu do alcance do goleiro Mouez Hassen, mas bateu na trave.

Mais um bocado de oportunidades

Apesar do bom trabalho dos tunisianos nos combates, os senegaleses representavam uma ameaça constante. Os Leões de Teranga dominaram as ações ofensivas e tiveram outras chances de sair em vantagem na reta final do primeiro tempo. Depois de uma boa trama pela esquerda, envolvendo Sabaly e Mané, M’Baye Niang girou para o gol e exagerou na força, mandando para fora. Depois, Mané seria lançado em profundidade e até conseguiu driblar o goleiro Hassen, mas bateu para fora. Até parecia que Senegal construiria uma vitória sem grandes dificuldades.

O jogo se transforma

A melhora da partida se deu, também, pela resposta da Tunísia na volta ao segundo tempo. A semifinal se tornou bem mais disputada e, a partir de então, controlada pelos tunisianos. As Águias de Cartago decidiram deixar o seu campo defensivo, com a entrada de Naim Sliti contribuindo a uma atuação mais objetiva da equipe. Logo começaram a acumular finalizações. Taha Khenissi tentou a primeira, mas mandou para fora na tentativa de encobrir Alfred Gomis. O goleiro faria milagre pouco depois, num chute forte de Ferjani Sassi. O meio-campista limpou a marcação e bateu no canto, mas o arqueiro buscou. Já do outro lado, enquanto Hassen bloqueou o caminho de Mané, Gomis voltaria a salvar em saída nos pés de Khenissi.

Gomis pega um pênalti

Aos 28, quando Senegal tentava responder ao melhor momento da Tunísia, um pênalti acabou assinalado a favor dos árabes. A bola bateu no cotovelo de Kalidou Koulibaly e o árbitro marcou. Sassi partiu para a cobrança e tentou mandar colocado. Entretanto, o arremate saiu fraco e Gomis esperou para sequer dar rebote. Proporcionava um alívio aos senegaleses, embora outra preocupação viesse: o cartão amarelo já suspenderia Koulibaly em uma eventual classificação à decisão. Diferentemente de outras competições, a CAN não zera cartões nas semifinais e um dos principais jogadores do torneio se ausentaria da final.

Hassen também prova seu talento

Três minutos depois, Senegal também teria um pênalti anotado a seu favor. Ismaila Sarr tentava abrir espaço e Dylan Bronn chegou atrasado, pegando a canela do adversário. Henri Saivet partiu para a cobrança, depois de dois penais perdidos por Mané nesta CAN. E o mais interessante seria observar a postura do goleiro Mouez Hassen. Nas oitavas de final contra Gana, ele foi substituído no final da prorrogação, para que Farouk Ben Mustapha participasse da disputa por pênaltis. O titular saiu revoltado e sequer comemorou a classificação. Desta vez, o próprio Ben Mustapha tentava dar orientações direto do banco. Pois Hassen provou que também poderia ter sido herói contra os ganeses. O chute de Saivet veio rasteiro e tinha força. Com uma só mão, o arqueiro se esticou e espalmou, muito festejado pelos companheiros.

Mais um susto de Senegal

Durante os últimos minutos do tempo normal, Senegal voltou a ficar mais próximo da vitória. Diagne bateu para fora, enquanto Saivet quase se redimiu aos 45. O meio-campista recebeu a bola do lado esquerdo da área e chutou com força, buscando o canto de Hassen. Parte dos torcedores nas arquibancadas até comemorou. No entanto, o arremate apenas tinha balançado o lado externo das redes. O confronto seguiria à prorrogação.

A infelicidade de Hassen

O calor e o cansaço diminuíram o ritmo da partida durante a prorrogação. Senegal tomava a iniciativa e criava as suas principais jogadas a partir das bolas paradas. Foi assim que aconteceu o gol, aos dez minutos. Hassen colocava em xeque seu posto como herói. Mané cobrou uma falta pela direita, o goleiro saiu caçando borboleta e, sem pegar em cheio, sua casquinha fez com que a bola batesse na cabeça de Bronn, antes de entrar. Um vergonhoso gol contra, que deixou os Leões de Teranga um passo à frente rumo à final.

O VAR tem papel decisivo

O segundo tempo da prorrogação seria repleto de tensão. Entre a pressa da Tunísia e o temor de Senegal, o duelo permaneceu travado. A melhor chance de empate se esboçou em um pênalti não confirmado. O árbitro até assinalou a infração, em bola cabeceada por Salif Sané que bateu na mão de Idrissa Gueye, rente ao corpo. Ao revisar no vídeo, preferiu voltar atrás na marcação. Restavam mais quatro minutos, além dos acréscimos, em que o desespero bateu nos tunisianos. Os senegaleses conseguiram se safar. Após o apito final, enquanto Gomis era bastante festejado, o desespero ficava evidente no rosto de Sassi.

Ficha técnica

Senegal 1×0 Tunísia

Local: Estádio 30 de Junho, no Cairo
Árbitro: Bamlak Tessema Weyesa (Etiópia)
Gol: Dylan Bronn, aos 10’/1T da prorrogação
Cartões amarelos: Kalidou Koulibaly (Senegal); Wahbi Khazri, Naim Sliti (Tunísia)
Cartões vermelhos: nenhum

Senegal: Alfred Gomis, Lamine Gassama (Moussa Wagué), Cheikhou Kouyaté, Kalidou Koulibaly, Youssouf Sabaly; Badou Ndiaye (Salif Sané), Henri Saivet; Krépin Diatta (Ismaila Sarr), Idrissa Gana Gueye, Sadio Mané; M’Baye Niang (Mbaye Diagne). Técnico: Aliou Cissé.

Tunísia: Mouez Hassen, Mohamed Dräger, Dylan Bronn, Yassine Meriah, Oussama Haddadi; Ferjani Sassi (Anice Badri), Ellyes Shkiri, Ayman Ben Mohamed (Ghilane Chaalali); Wahbi Khazri, Taha Khenissi (Firas Chaouat), Youssef Msakni (Naim Sliti). Técnico: Alain Giresse.

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