A ausência de Timo Werner criou uma lacuna ao RB Leipzig. O atacante preferiu se despedir do clube ao final da Bundesliga para se preparar à nova temporada com o Chelsea e, assim, largou mão de ajudar os companheiros na reta decisiva da Champions League. Sem o artilheiro, os Touros Vermelhos perderam sua principal figura, justificadamente o melhor da equipe nos últimos meses. E quem assumiu a liderança técnica do RasenBallsport nesta quinta-feira seria o segundo melhor do elenco em 2019/20: Marcel Sabitzer. O meia já tinha feito uma grande campanha na Bundesliga e vinha de boas aparições na Champions. Influenciou diretamente a vitória sobre o Atlético de Madrid, com passes decisivos em ambos os tentos no triunfo por 2 a 1.

Sabitzer é um dos nomes onipresentes no Leipzig desde o acesso na segunda divisão da Bundesliga. Ainda assim, não costuma ser badalado como Werner ou Emil Forsberg. Sempre um coadjuvante muito útil aos Touros Vermelhos, o meia ganhou mais protagonismo a partir da chegada de Julian Nagelsmann. Bate muito bem na bola, não apenas para finalizar, mas também para servir os companheiros. Contribui ao estilo de jogo técnico e de raciocínio rápido implementado pelo treinador. Assim, raros foram os compromissos do time na temporada que não viram o austríaco marcando presença pela direita no meio-campo ou mais centralizado. Vice-capitão, ainda passou a usar a braçadeira diante da ausência do contundido Willi Orban.

Sabitzer teve uma coleção de grandes momentos em 2019/20. Não poderia ser diferente, somando os 16 gols e as 10 assistências em 43 aparições na temporada, números significativos a um meio-campista. A estreia na Bundesliga já tinha sido um belíssimo aviso, com gol e três assistências nos 4 a 0 diante do Union Berlim. Teve aquele golaço contra o Zenit pela Champions, essencial à classificação na fase de grupos, e outras vezes ampliou goleadas nas competições domésticas. Já nas oitavas do torneio continental, com a colaboração de Hugo Lloris, guardou dois tentos na volta contra o Tottenham.

Diante do Atlético de Madrid, era natural procurar a referência de Sabitzer no setor ofensivo. O meia atuou aberto na ponta direita, com a valiosa companhia de Dani Olmo para se associar pelo meio. Enquanto Kevin Kampl servia como motor da equipe à frente do trio de zaga, o austríaco era quem mais se aproximava para auxiliar essa construção e tentar um passe mais agudo. Apresentou-se bastante ao longo do jogo e ajudou a importante circulação de bola para tentar abrir espaços na defesa colchonera.

Os dois gols do Leipzig nasceram em jogadas ofensivas bem trabalhadas, com participação de vários jogadores e passes com paciência. Sabitzer colocou tempero na bola em ambos os lances, para encontrar os companheiros e facilitar o caminho às redes. Seu cruzamento para Dani Olmo foi perfeito, pegando o colega em velocidade para cabecear às redes. E o que realmente quebrou o sistema defensivo do Atlético no tento de Tyler Adams foi o bolão para Angeliño disparar pela esquerda. Depois que Kampl fez o corta-luz, Sabitzer se antecipou a dois adversários e bateu na bola de primeira, com a parte de fora do pé. Mandou o lançamento magistral para que o ala escapasse da perseguição de Kieran Trippier e encontrasse Adams com espaço na entrada da área. Um toque acelerou o jogo e permitiu a classificação.

Aos 26 anos, Sabitzer talvez não tenha tanto apelo no mercado quanto outros atletas de RB Leipzig. Até por isso, se torna mais representativo à continuidade do clube. O meio-campista já tinha certa rodagem quando chegou à Alemanha. Passou pelo Admira, foi muito bem no Rapid Viena e, emprestado por um ano ao Red Bull Salzburg após ser adquirido pelo Leipzig, arrebentou em 2014/15. Foram 19 gols e 16 assistências pelo Campeonato Austríaco, que o tornaram uma certeza aos planos maiores que se desenvolveriam a partir da segundona alemã. Tal fenômeno não se repetiu com tamanha expressividade no Alemão. Mas nada tira sua força de se sair tão bem na caminhada até as semifinais da Champions League.

E se há méritos claros no trabalho de Julian Nagelsmann, não apenas pela forma como arma um time corajoso e possui variações para diferentes tipos de adversário, está na maneira como consegue elevar o patamar de diversos comandados. O próprio Werner é um exemplo, pela maneira como anotou gols a rodo na Bundesliga, mesmo precisando aprimorar sua eficiência. Sabitzer, por sua vez, se apresenta como um jogador mais maduro e preparado. Diante da oportunidade que pintou contra o Atlético de Madrid, o capitão bateu no peito.