Atualizado, 16h08 – Eram 32 minutos do segundo tempo. O Liverpool vencia por 2 a 0, com uma grande atuação de Roberto Firmino, com um gol e uma assistência. Tudo parecia bem para o time, mas veio, então, o fato marcante do jogo. Torcedores protestaram contra a alta dos preços dos ingressos na expansão do Anfield Road. Uma insatisfação que explicamos durante esta semana aqui na Trivela. E o que se viu depois é altamente simbólico: parte dos torcedores deixou o estádio como protesto, justamente a parte que cantava mais alto. E sem esses torcedores, o que se viu em um dos mais tradicionais estádios da Europa foi uma derrocada: o time sofreu dois gols e saiu de campo com um empate por 2 a 2 com o Sunderland, penúltimo colocado na tabela.

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Milhares de torcedores gritavam nas arquibancadas de Anfield: “Seus gananciosos malditos, já é o suficiente”, em referência aos aumentos no preço dos novos ingressos. Em um dos cartazes levados pelos torcedores era possível ler: “Futebol sem torcedores não é nada”. Tudo que o time precisava era ter um bom desempenho em campo para amenizar aquele momento duro, de críticas, em casa, em um dos raros momentos que a torcida não estava apoiando para protestar contra preços.

A escolha do minuto 77 (ou 32 do segundo tempo, como usamos aqui) não foi por acaso. A nova área do estádio, que está sendo reconstruída, terá o preço máximo de £ 77 por jogo. Um preço considerado muito alto, já que antes o máximo era £ 59. Um aumento bastante considerável e que, claro, deixa os torcedores muito insatisfeitos. O que se esperava era que os preços baixassem, graças ao novo bilionário acordo de TV e ao aumento de lugares no estádio, o que significaria mais gente pagando ingressos. O que se viu foram reduções pontuais em algumas áreas, mas não deixou os torcedores satisfeitos. Os preços, de maneira geral, aumentam para a próxima temporada.

Aliás, um dos pontos que mais causou descontentamento dos torcedores veio da empresa que é dona do Liverpool. A Fenway Sports Management se gabou em seu site de “transformar os torcedores em consumidores”. O que é ótimo do ponto de vista dos negócios, mas péssimo do ponto de vista dos torcedores. Os torcedores sentem que precisam ter mais voz, porque o dinheiro que o Liverpool gera tem tudo a ver com eles.

O site do grupo dono do Liverpool se gabando de transformar torcedores em consumidores
O site do grupo dono do Liverpool se gabando de transformar torcedores em consumidores, que já saiu do ar

É pela grande torcida que o time gera valor, dinheiro, em última instância. E os torcedores querem que haja uma política de preços de ingressos que seja condizente. A política de mercado não pode ser aplicada simplesmente. O torcedor não pode migrar para a concorrência que cobre menos. Não há concorrência. O torcedor não pode comprar uma marca mais barata. O seu clube é, para sempre, o seu clube.

Se o protesto já era forte o suficiente ao mostrar centenas de torcedores deixando seus lugares antes do fim do jogo gritando contra o aumento de preços, ficou ainda mais quando o time se perdeu em campo e tomou o empate. Com a torcida, os Reds venciam. Sem ela, tomaram dois gols e jogaram pontos fora. Dois pontos preciosos para quem ainda sonha em estar entre os primeiros colocados ao final da temporada. Algo que vai ficando mais difícil a cada rodada.

Se a atuação de Roberto Firmino foi animadora, o time continuou com alguns dos seus problemas mais tradicionais. Cria muitas chances, mas marca poucos gols. Foi melhor que o Sunderland durante o jogo inteiro, mas não soube impor uma diferença no placar que fosse condizente com isso. No final, sem a torcida que tanto o apoia, o Liverpool não foi capaz de vencer o Sunderland, um dos piores times da liga, mesmo jogando em casa. Algo que só faz com que o protesto das arquibancadas reverbere ainda mais alto aos dirigentes do clube.