Ao contrário da campanha rumo à Copa do Mundo de 2010, o Chile não é tão badalado nas Eliminatórias. A saída de Marcelo Bielsa e a queda de rendimento com Claudio Borghi colocaram em xeque até mesmo a presença da Roja no Mundial de 2014. Mas bastou que Jorge Sampaoli colocasse ordem na casa para que os chilenos reencontrassem o rumo das vitórias. E, sem tantos holofotes, pintam ainda mais fortes do que há quatro anos.

Na última sexta-feira, o Chile deu um baile em Santiago. Vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela, que garantiu o país ao menos na repescagem do qualificatório sul-americano. Já nesta terça, veio o resultado que pode evidenciar ao resto do mundo a qualidade da equipe chilena. De maneira sofrida, aos 47 minutos do segundo tempo, a Espanha arrancou o empate por 2 a 2 em Genebra, em uma partida na qual os comandados de Sampaoli poderiam muito bem ter vencido.

O amistoso foi utilizado por Vicente Del Bosque para realizar alguns testes na equipe espanhola. O que não diminui a superioridade do Chile ao longo dos 90 minutos. Atacando de maneira intensa e pressionando a saída de bola dos adversários, os chilenos sempre se mantiveram à frente no placar. A atuação era tão impressionante no primeiro tempo que, depois que Eduardo Vargas abriu o placar, a torcida na Suíça já gritava ‘olé’.

O excelente trabalho de Sampaoli na Universidad de Chile é potencializado com a seleção. O treinador mantém seu sistema de jogo com três zagueiros, desta vez armado no 3-5-2 pela ausência de Humberto Suazo. Alexis Sánchez e Eduardo Vargas dão velocidade ao ataque, enquanto Arturo Vidal, Claudio Pizarro e Marcelo Díaz combinam técnica e presença física no meio de campo. Um time extremamente eficiente dentro da proposta de jogo do técnico, que venceu sete e só perdeu um dos dez jogos disputados desde sua chegada.

Enquanto isso, o sinal amarelo continua aceso na Espanha. O ímpeto da equipe pode não ter sido o mesmo no amistoso, mas os tropeços se repetem desde a conquista da Euro 2012. É verdade que alguns dos esteios do time não jogaram, como Gerard Piqué, Sergio Busquets e Xabi Alonso, enquanto Andrés Iniesta só entrou no segundo tempo. De qualquer forma, a Fúria só conseguiu igualar o placar quando o cansaço pesou sobre o Chile no fim do jogo.

A torcida espanhola tem razão para ficar na bronca com o tropeço. Porém, precisa ter consciência que o Chile que enfrentou hoje é bem mais maduro que o derrotado por 2 a 1 na primeira fase da Copa de 2010 e que o atropelado por 3 a 0 em amistoso em 2011. Por mais que só tenham engrenado neste ano, os chilenos estão em ascensão evidente e têm tudo para fazer um bom papel na Copa – por mais que Argentina e Colômbia sejam os sul-americanos mais comentados.