O recorrente problema de atraso de salários no futebol equatoriano enfim culminou em alguma ação dos jogadores. Após diversas tentativas de acerto com seus clubes, os atletas, através da Associação de Futebolistas Equatorianos (AFE), anunciaram nesta quinta-feira a paralisação do Campeonato Equatoriano, já a partir da rodada, que se iniciaria nesta sexta-feira.

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Iván Hurtado e Edwin Tenorio, ex-jogadores da seleção equatoriana e hoje presidente e vice-presidente, respectivamente, da AFE convocaram entrevista coletiva para divulgar a medida. “A partir do dia de hoje, decidimos paralizar nossas atividades. Não vamos permitir que a Federação atropele nossos direitos”, reclamou Tenorio.

Hurtado também foi contundente em suas declarações: “Não vamos permitir tanto abuso, tanta mentira. Que acabe essa falta de respeito e de ética. Como associação, estamos no dever de defender os jogadores do futebol nacional, de clubes que não cumpram suas dívidas”.

O presidente da AFE, entretanto, ressaltou que seguirá a tentativa de um acordo com a Federação Equatoriana. Disse esperar se reunir com Luis Chiriboga, presidente da entidade máxima do esporte no país, para buscar uma saída para a paralização, mas acha complicado que se chegue a algo rápido o bastante para que se realize mesmo a rodada do meio da semana.

Atletas de diversos clubes da primeira divisão equatoriana estão sem receber salários há três ou quatro meses, e este é o principal motivo da paralisação. Tenorio, entretanto, afirma também que tanto as equipes quanto a Federação Equatoriana não têm respeitado direitos trabalhistas dos jogadores. “Há pessoas que pensam que estamos na época da escravidão e fazem o que querem com os trabalhadores. Não vamos permitir isso”, afirmou o vice-presidente da Associação dos Futebolistas Equatorianos.

Em 30 de setembro, a Associação de Futebolistas Equatorianos já se queixava em comunicado oficial de atrasos de até três meses de algumas das principais equipes do país. “Nesta quarta-feira, 30 de setembro, uma grande porcentagem de clubes que participam do campeonato nacional nas series A e B cumprirão três meses ou mais sem pagar seus jogadores, em uma situação não só parecida com a que aconteceu no ano de 2014, mas também com possibilidade de que se acentue e se agrave. Assim, clubes como Barcelona (de Guaiaquil), Olmedo, Deportivo Cuenca, Deportivo Quevedo, Liga de Loja e Macará se encaminham a cumprir três meses de atraso”, dizia trecho do texto.

Iván Hurtado entende que seja difícil liquidar de uma vez a dívida acumulada dos clubes, que é de mais de US$ 20 milhões, mas não viu outra saída. “Sabemos que é complicado pagar a totalidade das dívidas dos clubes, mas não nos restou outra medida para cuidar dos interesses dos jogadores”, destacou. À espero do retorno de Luis Chiriboga, presidente da Federação Equatoriana que está fora do país para uma reunião da Conmebol, o futebol equatoriano não sabe qual será seu futuro a médio prazo. De qualquer forma, os atletas não parecem dispostos a ceder desta vez.