Enfrentar do Uruguai no Estádio Centenário costuma ser uma das missões mais ingratas das Eliminatórias. Nesta terça, o Chile não suportou a pressão celeste nas arquibancadas lotadas. De maneira inapelável, o time de Óscar Tabárez chegou à terceira vitória em quatro rodadas, batendo os visitantes por 3 a 0 em Montevidéu. Pois a grande virtude dos charruas se combinou com o ponto fraco de La Roja. E o bombardeio aéreo permitiu a ampla vitória do time da casa, vice-líder da competição sul-americana.

O jogo aéreo do Uruguai já tinha determinado o sucesso da equipe em outros jogos desta campanha. Todos os gols da equipe nas três rodadas anteriores haviam nascido ou em cruzamentos ou em lançamentos longos. Virtude que determinou os rumos do jogo no Centenário, com três gols marcados a partir de bolas paradas. Godín abriu o placar aos 23 minutos, anotando o seu terceiro gol nas Eliminatórias. Já na segunda etapa, Álvaro Pereira e Cáceres definiram o placar entre os 16 e os 21, ambos de cabeça. Diante de um adversário com baixa estatura como o Chile, o caminho do ouro uruguaio foi evidente.

Melhor ataque neste início das Eliminatórias, ao lado do Equador, o Uruguai marcou seis de seus nove gols em jogadas nascidas nas bolas paradas – o mesmo tanto que todas as outras nove seleções que disputam o torneio. Em um time com estilo de jogo bastante direto, a força no jogo aéreo é determinante. Entre todas as seleções das Eliminatórias, os uruguaios têm o menor número de passes certos e a menor posse de bola, sem passar de 40% em nenhuma partida. Em compensação, é quem precisa de menos toques para finalizar, com apenas 10,2 passes certos a cada arremate. Voracidade que se encaixa à proposta de jogo.

Contra o Chile, por exemplo, o domínio de bola dos visitantes acabou sendo inútil. O Uruguai teve sua menor posse nas quatro rodadas, apenas 29%, enquanto acertou míseros 55 passes –  contra 356 do Chile. Em compensação, a Celeste recuperou mais vezes a bola, 40 a 33, e só deu três finalizações a menos, 10 contra 13. Teve muita pegada, em jogo com alguns desentendimentos entre os jogadores, e soube ser letal quando teve a chance. Eficiência traduzida no placar e na arrancada do time de Tabárez nas Eliminatórias.

A partir dos próximos compromissos, o Uruguai volta a contar com seu grande craque. Luis Suárez terminou de cumprir os jogos de suspensão desde a Copa do Mundo e está liberado para visitar o Brasil na quinta rodada. Entretanto, por mais que o artilheiro seja um bom motivo para trabalhar a bola, os uruguaios não devem mudar tanto o seu estilo. Em um time que se vira muito bem com o que tem, o matador acaba sendo um extra para a consistência da Celeste. Mais do que ter a bola, é preciso saber o que fazer com ela, e os charruas têm sido praticamente perfeitos nesta missão.