A seleção brasileira não chegou bem à Copa do Mundo da França. Nove derrotas consecutivas aumentaram as contestações ao trabalho de Vadão, que, para falar a verdade, sempre foi muito questionado. A tabela ajudou. A estreia foi contra a Jamaica, seleção mais fraca do grupo C, e o Brasil fez o que precisava fazer: ganhou bem, sem precisar forçar, sem sustos, e com uma brilhante Cristiane anotando todos os gols da vitória por 3 a 0. Bom para ganhar confiança e quebrar a série negativa para enfrentar os desafios difíceis contra Austrália e Itália com mais tranquilidade.

Oito 

O Brasil começou bem o jogo. Teve intensidade e volume de jogo, com um estilo vertical, sempre buscando um passe mais longo para as atacantes Bia e Cristiane. As armadoras, Andressa Alves e Debinha, atuaram pelas pontas. Debinha teve a primeira oportunidade saindo nas costas da zaga, mas a goleira Schneider conseguiu abafar. Da esquerda, Alves, do Barcelona, descolou um bonito cruzamento que encontrou a cabeça certa. Cristiane, com um ótimo gesto técnico, emendou para as redes, marcando seu oitavo gol em Copas do Mundo femininas. Passou Sissi, com sete, e apenas Marta, com 15, tem mais do que ela pela Seleção.

Schneider 

A goleira jamaicana, Sydney Schneider, é um prodígio. Tem apenas 19 anos e fez um primeiro tempo fabuloso. Além de roubar a bola dos pés de Debinha, que entrou livre na área após lançamento de Andressa Alves, ela defendeu a bomba da meia-atacante brasileira, em outro passe longo de Alves. E, aos 37 minutos, ainda defendeu um pênalti mal batido por Alves. A árbitra Hussein Riem anotou infração, bem discutível, por toque de braço de Allyson Swaby. A jogadora do Barcelona telegrafou a batida de perna esquerda, e Schneider foi buscar.

E Bárbara também

O Brasil teve mais de uma possibilidade de ampliar o placar no primeiro tempo. Além do pênalti, a melhor delas saiu de uma arrancada de Debinha pela esquerda. O cruzamento encontrou umas três brasileiras na marca do pênalti. Andressa Alves estava pronta para marcar, mas Cristiane tentou fazer o pivô e acabou atrapalhando a companheira. E, como o Brasil não matou o jogo, a Jamaica se empolgou e foi perigosa. Ainda bem que existe a Bárbara. Aos 29 minutos, Khadija Shaw bateu da entrada da área para ótima defesa da goleira brasileira. Depois de dar rebote na tentativa de interceptar um cruzamento, Bárbara se recuperou e abafou a finalização de Shaw.

Nove

Embora fosse amplamente superior que o adversário, o Brasil precisava do segundo gol para matar o jogo e não dar sopa ao azar. E gol é especialidade de Cristiane. Andressa Alves, mais uma vez, foi a fonte. Cruzou da direita, a bola passou por todo mundo, e Cristiane completou na segunda trave. Konya Plummer cortou, mas a redondinha já havia ultrapassado bastante a linha. Nove gols para a segunda maior artilheira da seleção brasileira em Copas do Mundo.

Dez 

Nada como uma tripleta para começar uma campanha. Aos 17 minutos do segundo tempo, a própria Cristiane sofreu a falta na entrada da área e a cobrou soltando a perna esquerda no travessão. A bola bateu no chão, cruzando a linha, e o Brasil abriu 3 a 0. E Cristiane chegou a dez gols em Copas. Foi substituída logo em seguida por Ludmila. Havia cumprido sua missão.

100% em estreias

Nenhuma surpresa a vitória do Brasil na estreia da Copa do Mundo. Pela superioridade técnica em relação à Jamaica, mas também porque sempre foi assim. Desde a primeira edição, em 1991, a seleção brasileira ganhou todas as suas primeiras partidas em Mundiais, agora fazendo 23 gols e sofrendo apenas um – em um 7 a 1 contra o México, em 1999, então não fez muita diferença.

1991: Japão 0 x 1 Brasil
1995: Suécia 0 x 1 Brasil
1999: Brasil 7 x 1 México
2003: Brasil 3 x 0 Coreia do Sul
2007: Brasil 5 x 0 Nova Zelândia
2011: Brasil 1 x 0  Austrália
2015: Brasil 2 x 0 Coreia do Sul

Ficha técnica

Brasil 3 x 0 Jamaica

Local: Estádio dos Alpes, em Grenoble
Árbitra: Hussein Riem (Alemanha)
Gols: Cristiane, três vezes (BRA);
Cartões amarelos: Daiane e Formiga (BRA); Konya Plummer (JAM);

Brasil: Bárbara; Letícia Santos, Kathellen (Daiane), Mônica e Tamires; Thaísa, Formiga, Andressa Alves e Debinha; Bia Zaneratto (Geyse) e Cristiane (Ludmila). Técnico: Vadão

Jamaica: Sydney Schneider; Dominique Bond-Flasza, Konya Plummer, Allyson Swaby e Den-Den Blackwood; Havana Solaun (Chinyelu Asher), Chantelle Swaby e Marlo Sweatman; Cheyna Matthews (Jody Brown), Trudi Carter (Tiffany Carter) e Khadija Shaw. Técnico: Hue Menzies