Sem inspiração e engessado, Brasil pelo menos manteve 100% de aproveitamento com vitória sobre a Venezuela

A seleção brasileira fez um dos seus jogos mais fracos em muito tempo, nesta sexta-feira, no Morumbi, mas conseguiu manter 100% de aproveitamento nas Eliminatórias Sul-Americanas após três rodadas, com a vitória por 1 a 0 sobre a Venezuela, com gol de Roberto Firmino.

Tite teve problemas. Foi apenas o segundo jogo em que não contou com Neymar e Philippe Coutinho ao mesmo tempo – o outro foi amistoso contra a Colômbia apenas com jogadores que atuam no Brasil – e a Venezuela se fechou bem. Ainda assim, foi pavorosa a falta de criatividade e inspiração do pentacampeão mundial.

O Brasil entrou com Allan e Douglas Luiz quase na mesma altura do gramado e Éverton Ribeiro com liberdade. Luiz foi o principal responsável pela saída de bola no primeiro tempo. Deu até para ouvir Tite gritando para que ele carregasse a bola à frente. Mas havia apenas alguns metros para fazer isso antes de esbarrar na muralha venezuelana armada por José Peseiro.

Quando não era o volante tirando a bola do campo de defesa, os zagueiros Marquinhos e Thiago Silva avançavam bastante e comandavam a troca de passes de um lado para o outro, sem penetração. Ribeiro, com a camisa 10 de Neymar, tocou muito pouco na bola. O trio de ataque também foi pouco envolvido. Resultado: apenas uma finalização nos primeiros 30 minutos da partida, uma cabeça de Thiago Silva para fora, em cobrança de escanteio.

A seleção brasileira chegou até a marcar nesse período, na jogada que mais perigo gerou, aquele lançamento em diagonal para os laterais. Renan Lodi recebeu de Marquinhos antes de meio chutar e meio cruzar. Wuilker Faríñez espalmou para a frente, e Richarlison completou. O árbitro, porém, deu impedimento de Firmino, que estava em cima da linha.

O atacante do Liverpool foi responsável pelo primeiro momento de “uuuh” virtual de um Morumbi com arquibancadas vazias. Recebeu de Allan entre as linhas, abriu à perna direita e bateu de fora da área. Tinha direção, mas Fariñez caiu para espalmar.

Lodi novamente foi um bom foco de criatividade e soltou o cruzamento do lance mais incrível antes do intervalo. O cruzamento foi bom, Gabriel Jesus chegou inteiro, mas, em vez de chutar (ou pior: tentou chutar e errou por muito) passou ao lado para Richarlison, completamente livre, dentro da área, perder um gol incrível.

Por mais que se defendesse bem, a Venezuela também foi incapaz de ameaçar Ederson. Teve uma rara chegada com Soteldo, pela esquerda, cortada na boca do gol por Marquinhos, e chegou a ser novamente vazada, em um segundo lance anulado, agora por falta de Richarlison em Osorio. Douglas Luiz mandou para fora uma batida colocada de média distância, uma das suas especialidades, para fechar os trabalhos da etapa inicial.

Tite se mexeu no intervalo, mas não fez mudanças estruturais. Tirou Douglas Luiz e colocou Lucas Paquetá, um jogador teoricamente um pouco mais criativo, embora não esteja em sua melhor fase. A crítica mais comum ao seu trabalho tem sido essa: como ele tem resistência a fugir do plano inicial, mesmo quando ele não está funcionando.

O segundo tempo, porém, começou como o primeiro. Zero finalizações nos primeiros 15 minutos, até Gabriel Jesus soltar uma cabeçada torta, e as mesmas tentativas de jogadas, tocando a bola sem muita velocidade, buscando os cantos, cruzando para a área.

Aos 22 minuto, porém, a troca de Tite se pagou. Ribeiro deixou com Richarlison e partiu. O atacante do Everton soltou com Paquetá, que teve velocidade de pensamento para emendar de primeira um passe rasteiro para Ribeiro, pela ponta direita. O cruzamento alto chegou à segunda trave, onde Renan Lodi dividiu com a defesa da Venezuela. A bola sobrou para Firmino empurrar às redes e anotar o único gol da partida.

Nem com vantagem no placar o Brasil conseguiu encontrar mais espaços, até porque a Venezuela também não se jogou à frente, aparentemente satisfeita com a derrota mínima. Nem com as entradas de Pedro, que até fez um pivô para Firmino chegar batendo da entrada da área, e de Everton Cebolinha.

Fez um trabalho burocrático, para usar o jargão: entrou em campo, venceu e pronto. Precisará fazer muito mais contra o Uruguai na próxima terça-feira.

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