Marco van Basten sabe que seu futuro à frente da seleção holandesa depende em grande parte dos dois próximos jogos pelas eliminatórias da Eurocopa. Neste sábado, a Oranje recebe a Bulgária, adversária direta na briga pela classificação para a fase final. Quatro dias depois, uma traiçoeira visita à Albânia.

Disposto a ter mais tranqüilidade no trabalho, Van Basten encontrou os dirigentes da federação em junho para negociar a renovação do contrato. Ouviu do diretor Henk Kesler um sonoro “não”. Recentemente, o ex-atacante confirmou que seu atual acordo com a KVNB tem uma cláusula que torna sua demissão automática em caso de fracasso nas eliminatórias.

A campanha da Holanda está longe de impressionar, apesar da invencibilidade. A equipe ocupa a terceira posição com 14 pontos, mas tem um jogo a menos que a Romênia, líder com 17, e a Bulgária, segunda com 15.

O fraco desempenho ofensivo preocupa – oito gols marcados em seis jogos, incluindo encontros com as inexpressivas seleções Belarus e Luxemburgo –, assim como o fato de ainda não ter vencido as equipes com as quais disputa duas vagas. Empatou fora de casa com a Bulgária (1 a 1) e em casa com a Romênia (0 a 0).

A derrota para a Suíça por 2 a 1 no amistoso de agosto só fez aumentar a pressão sobre Van Basten. A pergunta que fica é: como a Holanda, que produz bons jogadores em série, a ponto de ter três teóricos titulares no Real Madrid, não consegue ser convincente em campo?

A relação de 18 jogadores para a partida contra a Bulgária, divulgada nesta sexta-feira, confirma algumas impressões sobre as preferências do treinador. Por exemplo, o fato de Klaas-Jan Huntelaar, não convocado contra a Suíça, ficar de fora novamente. Van Basten quer no máximo três centroavantes entre campo e banco de reservas, e hoje seus favoritos são Ruud van Nistelrooy, Dirk Kuyt e Jan Vennegoor of Hesselink.

A julgar pelos treinamentos da semana, a provável formação da Oranje terá Van der Sar no gol; Heitinga e Mathijsen na zaga, Melchiot e Bouma nas laterais; De Zeeuw, Van Bronckhorst e Sneijder no meio-campo; Van Persie, Van Nistelrooy e Babel no ataque.

A presença de Heitinga como defensor central, sendo que ele tem atuado como volante no Ajax, é prova de como a Holanda tem contado com poucos bons jogadores para a posição, especialmente em contraste com meio-campo e ataque. Mathijsen e Boulahrouz formavam a dupla considerada ideal por Van Basten, mas Boulahrouz não teve o desempenho esperado desde que se transferiu para o Chelsea e agora é segunda opção.

No meio-campo, com De Zeeuw pela direita e Van Bronckhorst à frente da zaga, é inevitável não questionar se Van Basten está abrindo mão de jogadores mais talentosos na formação inicial. Seedorf poderia ser uma opção válida, mas sua subida de rendimento como jogador mais avançado no Milan mostra que ele talvez não seja o nome ideal neste momento a um meio-campo com três homens.

Restam, então, Sneijder e Van der Vaart. A dúvida não existe para este sábado, já que Van der Vaart está vetado com uma lesão na panturrilha. Sneijder – o jogador em melhor forma técnica entre os 11 titulares – será o titular. Quando o meia do Hamburg estiver pronto, no entanto, a indagação retornará: é mesmo impossível eles jogarem juntos? Van Basten não parece disposto a descobrir.

No ataque, a Holanda tem em Van Persie seu melhor jogador da campanha, responsável por metade dos gols. Van Nistelrooy fará seu primeiro jogo oficial após a reconciliação com Van Basten, e a volta à Oranje só fazia sentido para o jogador do Real Madrid se fosse como titular. Babel, na ausência de Robben, ainda às voltas com problemas físicos, fica com a ponta-esqueda. No banco, Kuyt é opção como reserva para as três posições.

A seleção holandesa tinha todos os pressupostos para uma classificação tranqüila. A realidade se mostrou um pouco diferente em campo, mas não há nenhuma razão para duvidar da conquista da vaga. A Bulgária, obviamente, tem outros planos para o sábado em Amsterdã. É o jogo mais importante para a Holanda desde a Copa do Mundo, e Van Basten sabe.

CURTAS

– Ajax e PSV deram o primeiro passo falso na Eredivisie. Menos grave o do PSV, que ficou no 0 a 0 em visita ao Twente, e mais preocupante o do Ajax, que recebeu o Groningen e precisou de um gol de Huntelaar a sete minutos do final para empatar por 2 a 2.

– O Feyenoord mantém 100% de aproveitamento. Fez 2 a 0 no Willem II e agora só tem o Vitesse como companheiro na ponta da tabela. O jovem meia turco Nuri Sahin teve ótima atuação, participando dos dois gols, e Roy Makaay deixou sua marca novamente.

– Notável a campanha do Standard Liège no início da temporada na Bélgica. Com os 2 a 1 sobre o Club Brugge, domingo passado, já são cinco vitórias em cinco jogos. E o Brugge, que foi mal no campeonato passado, está cinco pontos atrás, em sexto na tabela.

– O mercado fechou no último dia 31 com uma bomba: Danny Koevermans trocando o AZ pelo PSV, depois de o time de Eindhoven negociar Arouna Koné com o Sevilla.

– Afonso Alves foi eleito o melhor jogador da temporada 2006/7, mas não foi receber o prêmio. Está irritado com o Heerenveen, que não o vendeu na janela de transferências, e com ofensas racistas que teria recebido através de seu site oficial.

– Para um jogador que busca se firmar na Seleção Brasileira, abrir guerra contra o próprio clube neste momento não parece a melhor solução. Seria o caso de provar, no mesmo time, que o último campeonato não foi obra do acaso.