Zé Cabala e Outros Filósofos do Futebol

Que o futebol é um esporte praticado por milhões de pessoas no mundo, ninguém tem dúvida, mas o que a filosofia tem a ver com ele? Segundo o autor, tudo.

Pelo menos essa é a sensação que permanece com a leitura do livro “Zé Cabala e os outros filósofos do futebol” de José Roberto Torero, que chegou às livrarias em janeiro deste ano.

Torero, 41 anos, torcedor dos Santos, é escritor (O Chalaça e Pequenos Amores, prêmio Jabuti de 1995 e 2004) e roteirista (Memórias póstumas e Pelé Eterno). Durante seis anos, escreveu na Folha de S. Paulo uma coluna sobre futebol.

Quem nunca deu seus palpites durante um jogo? Quem nunca criticou o árbitro? E quem nunca reclamou daquele impedimento que não impedia nada? Em meio a tantos acontecimentos, quando tudo numa partida de futebol parece estar perdido, a salvação é apelar para o guru dos gurus, o sábio dos sábios, o supremo Zé Cabala.

Zé Cabala é um personagem paranormal criado pelo autor. Zé tem o dom de entrevistar grandes jogadores que estão no outro lado do mistério, ou seja, mortos.

O autor caracteriza o futebol como arte. Uma manifestação típica da cultura e da realidade de um país. O livro reúne 35 crônicas publicadas no jornal da Folha de S.Paulo de 1998 a 2004.

Com uma linguagem bem-humorada, a obra é dividida em partes narradas por vários personagens que relatam suas experiências no meio futebolístico. Como por exemplo, “Lelê”, um garoto de 8 anos de idade que adora futebol e demonstra sua visão sobre esse esporte. Há também textos que são pouco comuns no jornalismo esportivo, como poemas, fábulas, receitas, contos e cartas.

Zé Cabala e os outros filósofos do futebol é recheado de histórias que variam entre a verdade e a ficção, o raciocínio e a invenção. O que você acha de ter como técnico o filósofo Sócrates? Já imaginou o filósofo aplicando sua teoria ´´Só sei que nada sei” no futebol? Ou ter entre seus jogadores um meia-esquerda que cai sempre para a direita como Fernando Henrique Cardoso?

Se você acha que isso não é nada de mais, certamente vai achar normal o relato do “Rex”, um cachorro que sonhava em ser o “Rin-tin-tin” moderno, mas acabou sendo cão-de-guarda de estádio.

A partir deste ponto, o escritor aborda os jogadores que são tratados como “mercadorias”, que precisam ser valorizadas para serem vendidas. Aqueles que não são considerados importantes por suas habilidades no campo, mas por estarem sempre na mídia.

Na obra, Torero conta também a diferença de tratamento que a imprensa faz entre o jogador e o árbitro e como nasce uma “Maria-chuteira”, entre outros assuntos.

Para quem gosta de filosofia, futebol e procura um livro sem compromisso, “Zé Cabala e outros filósofos do futebol” é uma boa opção.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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