Xherdan Shaqiri: o craque de quatro nações

 

Por André Renato

Em cada edição de Copa do Mundo criamos simpatia com seleções das quais não esperávamos. Há casos clássicos, como Camarões no Mundial de 1990 ou a Croácia em 1998. Em 2006, víamos em uma inusitada torcida para que a Suíça não sofresse gols. Dando uma aula da diferença entre retranca e um sistema defensivo organizado, os suíços foram eliminados nas oitavas de final sem ter a meta vazada.

O desejo de aspirações maiores expôs a necessidade de também ter opções ofensivas. Sempre com uma postura neutra em crises diplomáticas e nova casa para muitos imigrantes, isso acabou por ser determinante na criação de uma escola de jogo mais habilidosa, aproveitando-se de talentos de outras nações.

De todos, quem mais chama a atenção é Xherdan Shaqiri, nascido na Iugoslávia, na região do Kosovo, filho de pais albaneses e naturalizado suíço, e daquelas joias de brilho quase garantido.

Expulso pela guerra

Shaqiri nasceu no dia 10 de outubro, na Iugoslávia, no caótico ano de 1991 nos Balcãs. Poucos meses antes de seu nascimento estourava a crise na região: primeiro com a Guerra dos Dez Dias, onde a Eslovênia obteve independência da Iugoslávia, e pouco depois a Guerra da Independência da Croácia. Entre uma e outra eclodiu a Guerra da Bósnia, ambas finalizadas em 1995, um ano antes da do Kosovo.

Portanto é de se imaginar quantos milhares de pessoas abandonaram a Iugoslávia nesse período. Natural de Gnjilane, região kosovar de influência albanesa, seus pais migraram para os Alpes.

Fruto da Euro 2008

O pequeno albanês chegou ao país helvético com um ano, com seus dois irmãos mais velhos – Erdin, primogênito, é hoje agente de Shaqiri. Deu seus primeiros passos na carreira no SV Augst, clube da cidade, na região de Basel.

O evento que mudou sua vida e de outros jovens foi a Eurocopa de 2008. A Suíça não se preparou apenas em estádios para receber a competição, mas sim realizando projetos de integração de jovens de pequenas escolinhas do país, algumas voltadas exclusivamente para imigrantes. Em uma delas, em Lausanne, Shaqiri se destacou e chamou a atenção do Basel, que o levou para sua estrutura aos 15 anos.

Com tal idade disputou a Copa Nike sub-15 e foi eleito o melhor jogador do torneio, mesmo sem a presença do Basel na final. Passou-se a olhar o jovem albano-kosovar-suíço com mais carinho.

Perspectivas confirmadas

A partir daí, tudo na carreira de Shaqiri passou a ser precoce. Estreou como profissional na primeira partida da temporada 2009/10, dia 12 de julho, entrando aos 17 minutos do segundo tempo no lugar de Valentin Stocker, na vitória por 2 a 0 sobre o St. Gallen. Bastante aproveitado como suplente nos primeiros jogos, debutou como titular contra o Bellinzona, na 9ª rodada, jogando como lateral esquerdo.

Sua versatilidade é um dos pontos que mais chamam a atenção. Na citada temporada, de “dobradinha” do Basel (Campeonato e Copa), Shaqiri atuou como titular tanto na lateral esquerda quanto direita; tanto na meia direita quanto esquerda. Era o início de uma caminhada que, em março de 2010, lhe renderia a primeira convocação internacional, defendendo a Suíça nos primeiros 45 minutos da derrota diante do Uruguai por 3 a 1. Foi o suficiente para convencer Ottmar Hitzfeld a incluí-lo na lista de 23 para o Mundial da África do Sul, onde atuou os doze últimos minutos do empate sem gols com Honduras.

Estilo “chato”

Agraciado pela ambidestria, tendo na esquerda sua perna mais forte, vem atuando majoritariamente como meia pela direita, como no recente vice-campeonato do Europeu Sub-21, por ter boa técnica na finta e controle de bola, criando ângulo para o remate de longe. Foi assim seu primeiro gol pela seleção principal, pelas Eliminatórias da Euro 2012, contra a Inglaterra, no dia 7 de setembro de 2010.

Curiosamente não fez parte do feito mais notável da Nati até hoje, quando venceu o Mundial Sub-17 de 2009 em uma seleção que já evidenciava o êxito no trabalho com os jovens imigrantes: Seferovic, Xhaka e Ben Khalifa.

Futuro

Shaqiri é uma das grandes coqueluches do futebol atualmente, mas até agora só o Hamburg confirmou ter oferecido sete milhões de euros ao Basel. O jogador, que tem contrato até 2014, já declarou ter preferência por jogar na Alemanha ou Espanha.

É provável que o Basel consiga segurar Shaqiri por mais uma temporada – algo bom para a carreira, sua titularidade é indiscutível -, especialmente pelo dinheiro extra que receberá por participar da fase de grupos da Liga dos Campeões, mas é bastante provável que em julho de 2012 Roger Federer volte a não ter rivais na cidade.

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