Uma rodada de suco de maracujá para a galera

“Calma… calma…”. O recado era de Cristiano Ronaldo para a torcida do Barcelona, que, se soubesse a semana de cão que teria, talvez tivesse se entupido de Rivotril e não saído mais da cama desde aquela segunda-feira. Mas o que era só provocação pode servir de conselho para muita gente. Afinal, não é porque o filme dos Vingadores está na moda, que surtos de raiva e irritação passaram a implicar no surgimento de incríveis e indestrutíveis super-heróis. A maioria de nós, quando perde a cabeça sem razão, acaba mesmo é exercendo o papel de fracote chiliquento.

O Corinthians saiu de campo no Equador abrindo o maior berreiro, acusando a arbitragem da Libertadores de ser “caseira”. E muitas vezes ela é mesmo. Como a arbitragem de 10 entre 10 torneios, aliás. O problema é agravado quando o visitante se mostra mais nervoso do que deveria, alimentando a parcialidade do árbitro e dando motivos para que isso aconteça. Jorge Henrique, que está acostumado a ver seus mergulhos premiados com a marcação de faltas inexistentes em partidas domésticas, demonstrou todo esse desequilíbrio no intervalo, ao ser entrevistado na saída de campo. Não deu outra, acabou expulso no começo do segundo tempo.

Fosse o Emelec um clube de maior tradição (ou, sendo mais sincero e menos polido, de alguma tradição), a coisa poderia ter ficado feia. Levando em conta que no final do jogo parecia que até o Tite estava pendurado com um amarelo, o saldo saiu barato para os corintianos. Assim como o placar, que traz muita tranquilidade para o jogo de volta. Ou pelo menos deveria. Se escolher jogar bola e não se irritar à toa, o Corinthians passará às quartas da Libertadores. Também ajudaria bastante se o presidente do clube não entrasse na pilha, fingindo menosprezar a competição e ressaltando aquela impressão clássica de que “quem desdenha quer comprar”.

Falando em dirigentes destemperados, que tal trocar de técnico às vésperas de um jogo de oitavas de final de Libertadores? Foi o que fez o Atlético Nacional, que passou de sensação a decepção, perdendo em casa para um tão talentoso quanto, mas muito mais organizado Vélez Sarsfield. Menos mal se o elenco estiver apenas desorientado, mas não for muito apegado ao demitido treinador Escobar. Se os atletas estavam fechados com o ex-comandante, aí o erro ganha maior dose de gravidade. É o caso do estúpido afastamento de Paulo Miranda, mais uma burrada “diferenciada” dos cardeais são-paulinos.

Aliás, pobres cardeais. Conhecendo a (falta de) hierarquia do clube, foi papa Juvenal I, o Ébrio, quem tomou a decisão sem consultar ninguém. Conseguiu transformar o pior jogador do plantel em vítima de intolerância. Paulo Miranda tem lamentável desempenho no “um contra um” e Leão foi teimoso demais em mantê-lo como titular, mas vale lembrar que os mesmos que passaram por cima do treinador teimoso e do zagueiro cabeça-de-bagre foram aqueles que contrataram as duas peças. Os mesmos também que montaram um elenco onde não existe uma opção confiável para substituir o sujeito. Os mesmos que acabarão demitindo o treinador em caso de desclassificação na Copa do Brasil, enfurecendo um grupo que, se está muito longe de ser brilhante, parece bem unido.

Na Europa, as vias de fato

Se você for um preconceituoso eurocêntrico, pode estar pensando “Ah, isso é coisa de sul-americano. Só acontece no continente onde um dirigente vira presidente vitalício da principal confederação do dia pra noite!”. OK, aqui as coisas são complicadas. Mas pelo menos ninguém saiu no tapa, como o técnico Delio Rossi e o meia sérvio Ljajic. Pior ainda é se for verdade o rumor de que a agressão veio depois que o jogador ofendeu não só a inteligência de seu (agora ex) comandante, mas também o filho de Rossi, que seria deficiente. Baixaria pura, que não ajuda nada na campanha lamentável da Fiorentina, ainda ameaçada de rebaixamento no Italiano.

E o que dizer do pequeno time francês que estava com a faca e o queijo (fedorento, mas saboroso) nas mãos, mas jogou tudo pro alto em uma confusão por um pênalti marcado… a seu favor. Belhanda, melhor jogador do Montpellier, foi expulso junto com um companheiro de clube e dois adversários. Com os nervos obviamente afetados pela situação, Camara desperdiçou a cobrança. O Montpellier empatou em casa e a diferença para o novo rico PSG caiu para apenas três pontos, a três rodadas do final. E o STJD deles ainda deve arranjar um gancho mais longo para o esquentado marroquino, que trocou sopapos na saída de campo.

A todos os citados, desejo uma semana de muita calma, reflexão e boas noites de sono. Só quem tem motivo para ficar transtornado é o jogador do Guarani que o Vadão colocar na marcação de Neymar. Desse aí, contanto que não apele para a violência, eu aceito um faniquito.

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Equipe Trivela

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