Um asno sortudo

É difícil avaliar o trabalho de Rafael Benítez com base em seu currículo. Se por um lado o madrileno ganhou grandes títulos (duas ligas na Espanha, uma Liga dos Campeões) com times médios (o Valencia e seu primeiro Liverpool), quando teve o cheque e os craques, errou nas contratações e se afundou em uma zona tática e motivacional que acabou por afundar o que ele mesmo construíra na Inglaterra.

Partindo daí, tanto se poderia imaginar que Rafa conseguiria fazer jogar a Inter desde o início, como fizera com os Reds, quanto se poderia achar que, com um time vencedor nas mãos, seu ego o faria querer “imprimir sua marca”. E que essa “marca” certamente seria a do fracasso. Por enquanto, estamos com a segunda alternativa.

No Liverpool, Rafa se consagrou como um cara que contratava muito mal, mas conseguia fazer jogar o monte de jogadores medianos que tinha à disposição. A diferença é que em Anfield o espanhol chegou a um clube com baixa auto-estima, e com jogadores que estavam dispostos a segui-lo mesmo quando a fórmula parecia esdrúxula. Em Milão, porém, esperava-o um elenco que tivera como treinador aquele que muitos consideram o melhor da atualidade. A diferença de qualidade ficou evidente.

A Inter de Mourinho não foi sempre infalível, e pode-se até dizer que demorou para ganhar a LC. A de Rafa, porém, consegue estar longe da liderança em uma liga italiana tão fraca quanto as anteriores. A história do espanhol mostra que, quando embica para baixo, ele em geral não se recupera.

O Inter, como eu disse no segundo após a final da Libertadores, é favorito em Abu Dhabi. O Milan também era na LC de 2005. Aquela vitória mudou a vida de Rafa nos Reds. Ele espera que haja uma guinada igual em sua vida em Milão.

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