Triste dérbi 186

Os mais antigos leitores da Trivela já estão acostumados com meu tradicional post pós-dérbi entre Ponte Preta e Guarani. Só que neste final de semana, pela primeira vez desde 1998, não estive presente no clássico – trabalhei em uma partida no mesmo horário. E infelizmente, o que vi depois, e me foi relatado por diversos amigos que estavam lá, foi um cenário de guerra que imaginava ter sido erradicado do dérbi.

Guarani e Ponte protagonizam uma das rivalidades mais ferozes do Brasil. Comparável a um Gre-Nal, mas com proporções menores dado o tamanho das torcidas – apesar de mobilizar uma cidade de 1,1 milhão de habitantes. Após mais de um ano sem confrontos, já era possível imaginar os ânimos à flor da pele, ainda mais com a péssima fase do Bugre e o excelente momento da Macaca.

Mesmo assim, o despreparo de todas as partes foi enorme. Resumidamente: no intervalo, com os bugrinos já exaltados, o locutor do estádio Moisés Lucarelli provocou a torcida adversária. Foi o estopim da confusão, que resultou em banheiros incendiados, confronto com o Batalhão de Choque e muitos feridos – um em estado grave, por conta das balas de borracha atiradas pelos policiais. E vale ressaltar: muitos bugrinos nem ouviram a provocação, e acabaram incendiados pela presença da polícia no meio da torcida.

Um ato não justifica o outro, e a Ponte alega que o banheiro já havia sido incendiado antes do locutor imbecil provocar. Mas e daí? Antes do jogo, por exemplo, o ônibus do Guarani foi apedrejado por pontepretanos. Tudo já estava um caos.

A verdade é que o despreparo das autoridades para lidar com situações de violência no futebol é gigantesco. Os dirigentes se comportam como torcedores, conduzem a rivalidade para extremos. Não adianta os clubes culparem um ao outro. Todos são culpados. E a PM trata os torcedores como animais. Basta ver algumas das imagens e vídeos que coloco mais abaixo para confirmar isso. Pessoas com balas de borracha no pescoço, ensanguentadas, ouvem “sai fora, rapá” de um policial.

Repito: Ponte e Guarani possuem uma das maiores rivalidades do Brasil, algo que ensandece suas torcidas, que atinge o ápice nos dérbis. No entanto, nunca justificará os atos de barbárie que vimos neste final de semana. Só entristecem. E o jogo foi bom, a Macaca venceu por 2 a 0, lidera a Série B ao lado da Portuguesa, enquanto o Bugre luta contra mais um rebaixamento. Mas e daí? Isso importa? As pessoas nem torcer mais conseguem em um dérbi.

Locutor provoca bugrinos no intervalo

Galeria de fotos da confusão

Saída da torcida

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Equipe Trivela

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