Torcidas organizadas e a falência da sociedade

Imaginem que em uma cidade haja uma onda de estupros. Que haja gangues especializadas nesse odioso crime. O prefeito, um homem de bem, resolve agir. E convoca uma reunião de trabalho. Quem estaria nessa reunião? O secretário municipal de segurança, é lógico. Como nosso hipotético alcaide é do bem, não teria pejo em convidar também o governador e o secretário estadual de segurança, independentemente de serem de partidos diferentes. Os ministro da justiça, direitos humanos, secretaria das políticas para mulheres.

Esses participantes, creio, seriam de consenso. Mas, quem mais?  Se formos estender a lista, haveria divergências.  Alguns seriam favoráveis à participação de ONGs, outros não. O Exército deve ser chamado? A Igreja? Terminaríamos discutindo aqui. CMas uma certeza nos une. Eu não chamaria e acredito que vocês também não, um representante de cada gangue dos estupradores. Os verdes, os do pavilhão, os tricolores, não interessa. Em uma reunião para se terminar com estupros, não se chamaria representante dos estupradores.

Eu deixei de me indignar com a questão das torcidas organizadas quando representantes delas foram chamados para se discutir como terminar com a violência que eles mesmos produzem.  Foi muito surreal para mim. E o que me revoltou mais foi aquele pseudo sociológico de que estão em grupo porque se sentem representados, abandonam a insignificância, passam a ser vistos dentro de uma sociedade que oprime o indivíduo enquanto indivíduo blablablabla…

A violência das torcidas organizadas sempre recebeu a complacência das autoridades. Nunca foram enfrentados como deveriam. Como? Não sei. Só sei que, como contribuinte, me dá nojo ver policiais sendo deslocados de seu trabalho aos domingos para acompanhar comboios de torcedores. São protegidos de si mesmos com o dinheiro de todos. A Polícia devia estar nos metrôs para impedir que os insanos atacassem pessoas “normais” que gostam de futebol, trabalham com futebol, mas que não sentem necessidade de matar alguém.

Agora, proibiram a Mancha e a Gaviões. Mas, elas não haviam sido extintas? Não foram obrigadas a mudar de nome. Renasceram como fênix. E crescerão como ervas daninhas, adubadas com a omisão e submissão de nossas autoridades incompetentes.

PS 1 – Há gente boa nas organizadas? Sim.

PS 2 – Esta parte boa consegue afastar a parte ruim? Tem controle sobre ela? Tem vontade de ter controle sobre ela? Não 

 

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Equipe Trivela

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