Timisoara: na LC à base de protesto

Com apenas sete anos oficiais de vida, o FC Timisoara certamente é um clube com muitas histórias para botar no currículo. Desde mudanças de nomes e briga de donos, até problemas na justiça pelos direitos da equipe, os alvivioletas colecionam surpresas para uma torcida completamente aficcionada. Classificada para os playoffs da Liga dos Campeões 2009/10, após eliminar o Shakhtar Donestsk, a Poli celebra mais uma vez a oportunidade de figurar no prinicpal torneio europeu.

A equipe foi fundada em 2002 por dono Anton Dobos, então dono do AEK Bucareste. Dobos mudou o time para a cidade de Timisoara, após conseguir a promoção para a Liga I, a primeira divisão romena. Porém, a história do clube se confunde com a do FC Politehnica Timisoara, do antigo Claudio Zambom, que chegou a brigar na justiça esportiva pelo direito do histórico do time.

Nessa confusão, a popular equipe acabou tendo quatro nomes diferentes no espaço de seus sete anos de vida: de Politehnica AEK Timisoara até 2004, mudou para FCU Politehnica Timisoara, que se tornaria FC Politehnica 1921 Stiinta Timisoara três anos depois, para finalmente ser chamada de FC Timisoara em 2008.

Desde sua existência “oficial”, o Timisoara goza de intensa popularidade no país. É um dos times mais queridos das torcidas, e mantém, desde de sua estreia na primeirda divisão, as melhores médias de público nos jogos em casa. A popularidade do clube colaborou para uma melhora nos investimens de base da equipe, que conta com um segundo time, o FC Timisoara II, da Liga III, que revela os novos nomes para o elenco principal.

A rivalidade com os times de Bucareste é presença imprescindível nas arquibancadas da Poli; especialmente contra os grandes rivais Dínamo e Steaua. O Commando Viola Ultra Curva Sud, ou CVUCS, é a torcida organizada dos alvivioletas, que lota os estádios em dias de jogo da equipe, mas também é responsável pelas violentas brigas com grupos adversários.

Instabilidade e popularidade

Desde o debute, na temporada 2002/03, o Timisoara viveu os altos e baixos normais para um grande clube – mas sem nunca deixar a elite romena. Na sua primeira campanha, terminou em 14º da Liga I (de 16 equipes), evitando o descenso apenas em apertada disputa de playoffs contra o Gloria Buzau.

No ano seguinte, contava já com equipe mais madura, e arrancou uma segura oitava posição. As coisas não continuariam sempre tão boas. Em 2004/05, viu sua primeira “crise” despontar. Até o intervalo de inverno, o time parecia fadado ao rebaixamento, com um péssimo início de campanha. Porém, o acerto com novo patrocinador, o BKP, foi decisivo para gerar investimentos salvadores para os alvivioletas. Do “quase-rebaixamento”, pularam para a sexta colocação no nacional.

A incrível recuperação e a chegada de novos reforços trouxeram moral para o ano seguinte, em que a Poli começou a ameaçar os times da capital Bucareste, os maiores e mais odiados rivais dos timisoarenses. Porém, 2005/06 não seria esse mar de rosas que pareceu fazer crer. A demissão do então técnico Cosmin Olaroiu tirou o time dos trilhos, e o cargo viu novos comandantes saírem e chegarem, mas nenhuma estabilidade aparecer.

A campanha seguinte também seria sentida como medíocre para os torcedores alvivioletas, que viram essa troca de treinadores acontecer com tanta rapidez, que quatro passaram pela posição em um ano. Por fim, Valentin Velcea permaneceu no cargo, e conduziu o time à final da Copa da Romênia, quando perderam para o Rapid Bucareste, e encerram a Liga em sétimo.

Seria em 2007/08 que o Timisoara encontraria caminho, com o treinador “cavalheiro”: o tcheco Dusan Uhrin, que impressionou logo de cara pela sua maneira racional e polida de conduzir o futebol da equipe. Uhrin encontrou um elenco enfraquecido, após a saída de jogadores de peso, mas conseguiu contratar nomes que fariam a diferença.

No final de 2007, a Poli estaria em 3ª, com média de mais de dois gols por partida, mas com uma defesa que causava arrepios ao comandante e ao público. Depois de novos arranjos, o time terminaria apenas em sexto, mas garantiria vaga para a Copa Uefa – a primeira vez em 16 anos que um time da cidade de Timisoara classificava para um torneio europeu. Não bastasse isso, ainda veio com gosto de recorde: a equipe marcara 57 gols na temporada, mais do que qualquer outro rival; além disso, foi a primeira vez em mais de três décadas que um time de fora da capital encerrou participação sem perder para os grandes Dínamo, Rapid e Steaua Bucareste.

Na Liga dos Campeões à base de protestos

A história mais marcante do Timisoara – e que tornou o grande romeno mais conhecido no mundo – foi a união dos fanáticos em protesto contra decisão arbitral desfavorável ao clube.

Em 2007, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) determinou que o FC Timisoara não poderia mais usar o nome, cores e distintivo da Politehnica Timisoara, pertencentes a Claudio Zambon, cujo time jogava em pequena cidade próxima de Bucareste, na quarta divisão. Após endosso da Fifa à decisão, dez mil torcedores marcharam do estádio da equipe até o centro da cidade, em protesto.

Para atrair ainda mais atenção, um manifesto foi publicado para os maiores jornais pelo mundo, traduzido rapidamente para o inglês, alemão, espanhol, francês e italiano. Após a movimentação, 20 mil pessoas compareceram a uma partida da pequena Politehnica Iasi, para depois marchar para o centro da cidade, entoando cânticos do time e ouvindo às autoridades locais, ex-jogadores e aos líderes dos grupos de torcida.

A briga ultrapassou as barreiras políticas e afetou o torcedor diretamente no futebol do time. Em setembro de 2008, seguindo a decisão do TAS, o Timisoara perdeu seis pontos logo de cara no campeonato nacional, por não cumprir com as exigências do tribunal. A torcida voltou a protestar, bloqueando ruas e realizando novas passeatas, contra a Federação Romena de Futebol, que não só tirara os pontos da equipe, mas também tirara do clube seu histórico de resultados.

A emocionante manifestação e união da torcida teve resultados. Em junho deste ano, o TAS voltou atrás, e revogou a decisão de tirar do Timisoara sua história e seus seis pontos. Com a atitude, a Poli saltou da terceira posição para o vice-liderança do Campeonato Romeno, superando o Dínamo, enquanto o Unirea Urziceni levou o título pela primeira vez.

O anúncio foi tema de grande festa para a torcida do Timisoara, que assegurava participação – pela primeira vez na história – na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões.

Os alvivioletas não fizeram feio e surpreenderam como mais uma zebra do torneio europeu: superaram o Shakhtar Donetsk na etapa, com empate em 2 a 2 fora de casa, no jogo de ida, e um 0 a 0 no estádio Dan Paltinisanu no dia 5 de agosto de 2009, e garantiram vaga para os playoffs da LC.

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Equipe Trivela

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