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Teve drama, golaço, emoção, pênaltis, mas acabou a maldição: Brasil finalmente é ouro na Olimpíada

Acabou a sina. O Brasil finalmente tem o seu ouro olímpico. Foi uma conquista dramática, difícil, complicada. Uma final que certamente foi o melhor jogo da Olimpíada de 2016, que, é verdade, não foi um primor técnico. O empate por 1 a 1 com a Alemanha teve elementos de sofrimento, de dois times muito cansados. Não foi na prorrogação, então teve que ser nos pênaltis.

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Com Neymar jogando uma boa final, com Renato Augusto fazendo o seu papel importante no meio-campo, com Weverton pegando pênalti. Com Luan jogando bem, com os dois zagueiros fazendo uma boa competição – apesar do erro no gol da Alemanha. Uma conquista épica, mas que teve um roteiro para deixar todo torcedor nervoso em campo. Foi uma conquista que demorou desde 1952, quando o Brasil jogou pela primeira vez o torneio de futebol, e que teve vários capítulos traumáticos.

O Brasil entrou muito ligado no jogo. Nos primeiros minutos, o time dividiu todas as bolas e correu muito. O time mostrou boa postura em campo e dominando a partida, especialmente no meio-campo. Só que aos 10 minutos, um susto: Brandt bateu bonito na bola e acertou o travessão. Um lindo chute que o goleiro brasileiro não chegaria. Faltou pouco para abrir o placar. E seriam mais sustos da Alemanha no Brasil no primeiro tempo.

Aos 26 minutos, em uma cobrança de falta, Neymar abriu o placar no Maracanã. Jogou a bola no ângulo, a bola bateu na trave, no chão e na rede. Golaço do camisa 10, que comemorou muito, gritou “eu to aqui” e imitou Usain Bolt.

Neymar imitou Usain Bolt, que estava no estádio (AP Photo/Luca Bruno)
Neymar imitou Usain Bolt, que estava no estádio (AP Photo/Luca Bruno)

Até o final do primeiro tempo, o Brasil continuou bem em campo, mas tomou dois sustos grandes. Foram duas bolas na trave. Em uma cobrança de Meyer para dentro da área, Marquinhos desviou a bola para trás e a bola bateu na trave. Depois, já no final da etapa inicial, foi Sven Bender que cabeceou em escanteio e a bola acertou novamente a trave.

No início do segundo tempo, a postura do Brasil foi a mesma. Dividindo todas as bolas e com muita vontade em campo, mas em uma saída de bola errada, a Alemanha não perdoou. Os alemães, que já conseguiam tocar a bola bem em alguns momentos, viu o Brasil errar pase com o zagueiro Marquinhos. O time trabalhou a bola pela direita, Jeremy Toljan passou rasteiro a bola para dentro da área e Max Meyer, livre, finalizou no canto para empatar. Eram 14 minutos do segundo tempo.

Depois disso, o Brasil chegou a sentir um pouco o gol, mas com o passar dos minutos, voltou a dominar os ataques. Rogério Micale resolveu tirar Gabriel Barbosa, que vinha mal no jogo, para colocar Felipe Anderson. O meia logo teve uma boa chance: foi lançado por Neymar nas costas da defesa, mas antes de finalizar foi desarmado. Perdeu uma grande chance.

O Brasil seguia finalizando mais. Gabriel Jesus também teve uma chance em um cruzamento de Renato Augusto. Neymar, em um bom lance, tirou a marcação e chutou bem, mas a bola foi para for. Luan, em outro lance perigoso, chutou bem, mas a bola saiu fraca.

Só que a Alemanha continuava sendo perigosa. Aos 40 minutos, por exemplo, a Alemanha contra-atacou muito bem, aproveitando um erro de passe de Walace, e quase marcou com Meyer, que finalizou mal dentro da área. O capitão alemão pareceu chegar cansado na bola. Os dois times sentiam o cansaço ao final do jogo. Afinal, foram seis jogos para cada um em um período de 16 dias.

O jogo, equilibrado, embora com o domínio do Brasil na posse de bola, ficou empatado até o fim. A prorrogação acabou tendo poucas chances, com os dois times muito desgastados em campo. Tudo teve que ser definido nos pênaltis.

Um destino cruel. Tudo estaria decidido na marca dos 11 metros. O Brasil tinha feito um bom jogo, discutivelmente foi melhor em campo durante os 120 minutos de jogo. Nos pênaltis, foram quatro cobranças para cada lado só com acertos. Ginter, Suele, Brandt e Gnabry pela Alemanha, que começou batendo primeiro. Marquinhos, Renato Augusto, Luan e Rafinha pelo Brasil.

A quinta cobrança fecharia a série inicial. Petersen cobrou e o goleiro Weverton defendeu. Ficou então tudo nos pés do craque do time, Neymar. Ele, que terminou o jogo com cãibras, tinha toda a responsabilidade. Foi para a bola e converteu seu pênalti e chutou também para longe a maldição que parecia se abater sobre o Brasil em finais olímpicas. As três finais anteriores ficaram para trás. A última, de 2012, dolorida em Londres, acabou também. O ouro ficou com o Brasil pela primeira vez.

O Brasil finalmente coloca no peito a medalha de ouro que tanto se falou que faltava. Neymar foi o grande jogador do time ao atuar bem, colocar os companheiros na cara do gol. O Brasil sentiu o nervosismo em alguns momentos, mas a maior parte do tempo, porém, o time teve personalidade e brio.

A Alemanha mostrou um bom time. Mesmo tecnicamente pior que o Brasil e sem estar com todos seus melhores jogadores sub-23, mostrou que tem um trabalho de times de base muito à frente do Brasil. Foi um time organizado e soube o que fazer em campo, ainda que o cansaço também tenha se abatido sobre a equipe.

Não quer dizer que os problemas do futebol brasileiros estão resolvidos. Rogério Micale pode ter ideias boas, mas na preparação do time ainda sofreu muito. O time não conseguiu jogar tudo que podia. O ouro é uma conquista épica, histórica. Não muda em nada a organização do futebol brasileiro. O Brasil precisa começar a mudar as suas estruturas. Continua tendo muitos bons jogadores. Continua com problemas na formação de jogadores que chegam ainda despreparados no profissional. Continua com um calendário terrível e destruidor. Continua com um monte de problemas.

Nada disso mudou com o ouro. O que não quer dizer que o ouro não tenha importância. É um título inédito e importante. Seria ótimo que fosse um começo de mudança em um futebol tão cheio de problemas como o nosso. Isso ainda não aconteceu. A derrota doída na Copa está lá, com a lembrança viva. Mas dá para ir além. Dá para fazer mais. Dá para o Brasil bater de frente com todas as potências mundiais. Precisa trabalhar para isso. Mais do que trabalhar só para o ouro.

Por ora, é momento de comemorar a conquista, a medalha, inédita e em casa. É um time que entrou para a história. Teve nervos, aguentou a pressão. Teve um time que cresceu na competição. Os dois zagueiros mostraram uma boa participação, na maior parte do tempo. O Brasil ainda precisa se reconstruir como time, como seleção. Este pode ser o começo. Mas ainda precisa de trabalho. E muito. Neste momento, porém, o que vale é o sabor do ouro.

 

Chamada Trivela FC 640X63

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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