Teto: uma viagem salarial no futebol brasileiro

Enquanto Celso Roth se prepara para receber o prêmio de melhor técnico do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira coça a garganta e ajeita o nó da gravata, ajeitando-se já de pé. O público em breve ouvirá uma declaração oficial que os surpreenderá com o anúncio do teto salarial nas séries A, B, C e D do campeonato brasileiro.

Na platéia serão presenciadas quatro quedas da cadeira, duas quebras de copos de vidro e duzentos e quarentas e três uivos estarrecidos. Os limites impostos foram divulgados. Na série D, cada time pode gastar por mês 100 mil reais em salários. Na série C, 350 mil. Na B, 600 mil. Os gastos da equipes da A será de um milhão de reais.

Mas e agora?, a explicação dada vai ser de que o Brasil tem que se adequar à nova ordem mundial do futebol. Com tantos ligas e federações européias já tendo feito anúncios semelhantes nos últimos dias, o Brasil não poderia passar batido pela crise. A idéia é evitar o surgimento de uma bolha de prosperidade para os jogadores de futebol no país e, ainda, iniciar um processo de regulação das finanças dos clubes. O objetivo real era evitar a quebra do futebol brasileiro, prevista para menos de um década por economistas pessimistas.

No ano seguinte, treze dos vinte clubes da série A não conseguirão apresentar as condições exigidas, o que eliminará suas matrículas no campeonato. Depois de algumas semanas de negociação, o Brasil passará a usar um modelo de compra de créditos de salário e o campeonato é confirmado com a presença de todas equipes. Times com salários em 800 mil reais, por exemplo, poderiam vender 200 mil de cotas de gasto salarial.

Dessa forma, o Flamengo manterá salário mensal de 2,4 milhões e o Corinthians, 2,3 milhões. Barueri venderá 550 mil reais em cotas e vai entrar no campeonato com seu orçamento anual para futebol já pago. O campeonato também venderá cotas extras e injetará mais desses títulos de acordo com a necessidade do mercado.

O sistema permitirá a presença de um outro elemento na mesa de negociação. Com salários sendo debatidos, o sindicato de jogadores se fará presente através de uma permissão dada pelo Supremo. Triguinho, lateral-esquerdo com passagens pelo Botafogo, Figueirense e São Caetano, é o negociador dos jogadores. Como jogador conseguira negociar um salário para si próprio de 70 mil reais por mês. O lateral é considerado um guru da negociação no mercado boleiro.

Os jogadores passarão então a fortalecer seu sindicato. Nas reuniões, a greve será a frequentemente arma dos jogadores, que conseguirão vitórias constantes na mesa. Algumas linhas políticas começarão a dividir o sindicato e jogadores do mesmo time passarão a acusar-se mutuamente de pelegos. O objetivo será sempre elevar o teto salarial, criar piso salarial e garantir pagamento de todos os vencimentos.

Nos campos uma nova onda dominará o jogo, o pênalti batido sem paradinha.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo