Super Hiddink

Já são cinco temporadas consecutivas com encontros entre Chelsea e Liverpool na Liga dos Campeões, sendo quatro em fases eliminatórias. Se os confrontos anteriores não fugiam muito a um determinado script – respeito mútuo, poucos gols no tempo normal e decisões equilibradas –, desta vez a história mudou. Sob o comando de Guus Hiddink, os Blues foram a Anfield e venceram por 3 a 1, deixando os Reds na dependência de um milagre para avançar às semifinais.

Pela primeira vez nas nove partidas pela LC desde 2004/05, um dos times marcou pelo menos dois gols nos 90 minutos. Uma amostra do quanto será difícil para o Liverpool obter os três gols de diferença de que precisa na próxima terça-feira, em Stamford Bridge, para escapar da eliminação. Nos outros três mata-matas, quem decidiu em casa sempre levou a melhor.

O que foi diferente desta vez? Alguns fatores podem ser apontados. O desfalque de Mascherano, suspenso, foi bastante sentido pelo Liverpool. Lucas não esteve à altura do argentino e a defesa ficou desprotegida em vários momentos. A comparação também ficava pesada para o brasileiro quando se via do outro lado um Essien gigante, limitando os movimentos de Gerrard, costumeira inspiração do time de Rafa Benítez.

O gol de Fernando Torres logo aos 6 minutos de jogo, graças à boa combinação entre Kuyt e Arbeloa pela direita, foi o último momento de superioridade do Liverpool na partida. Dali em diante, foi o Chelsea a ditar o ritmo. Não que os Reds tenham deixado de criar oportunidades, mas elas se limitavam a contra-ataques esparsos.

Assim, o fato de a virada ter chegado com duas cabeçadas de Branislav Ivanovic, o herói insólito, zagueiro escalado na lateral-direita, não pode ser atribuído apenas à peculiaridade das bolas paradas. O Liverpool falhou na marcação do sérvio em ambos os lances, mas os gols fizeram justiça ao que se via em campo. O placar ficou ainda mais realista com o terceiro gol, marcado por Drogba.

Jogadores como Malouda, que teve uma de suas melhores atuações pelo Chelsea, cresceram significativamente desde a chegada de Hiddink, que pegou um time em crise de confiança e o recolocou nos trilhos. A ausência de Terry no jogo de volta terá certo peso, mas é improvável que o Liverpool consiga o milagre em Londres. Será a quinta semifinal do Chelsea em seis anos, e desta vez parece que o time alcançará seu pico de desempenho no momento certo.

Passeio no Camp Nou

O Bayern de Munique vinha de fazer 7 a 1 no Sporting na fase anterior. E só não levou uma goleada parecida do Barcelona porque o time catalão só se esforçou por 45 minutos no Camp Nou. Depois dos 4 a 0 no primeiro tempo, os comandados de Josep Guardiola diminuíram o ritmo – e o Bayern parecia feliz por não sofrer uma derrota maior.

A presença de Valdés em campo mal foi notada, tamanho o domínio blaugrana desde o primeiro minuto. E se o sistema defensivo é o ponto fraco do Barça, quanto mais tempo a bola passar longe dele, melhor. Assim, o time funciona com tração dianteira, graças à capacidade de manter a posse de bola, com o trabalho de meio-campistas habilidosos como Xavi e Iniesta e a um trio de atacantes de primeira linha, formado por Henry, Eto’o e Messi, todos em excelente fase. A superioridade foi tamanha que Ribéry teve mais motivos para se preocupar com Daniel Alves do que o contrário.

É claro que tudo fica mais fácil quando a defesa adversária está desmantelada, como era o caso do Bayern, sem Lúcio e Van Buyten. Klinsmann foi obrigado a recorrer a Breno, quarta opção para o setor, e o jovem brasileiro sentiu a falta de ritmo e o tamanho da partida. Ainda é discutível a decisão de escalar o veterano Butt no gol, apesar da má fase de Rensing, mas a verdade é que o resultado só poderia ser diferente se Oliver Kahn ainda jogasse.

O Barcelona segue forte na corrida pela tríplice coroa. Ao Bayern, resta se despedir com honra e tentar salvar a temporada na Bundesliga.

Rooney mantém United vivo

Se não fosse por Wayne Rooney, o Manchester United poderia ter saído de campo eliminado contra o Porto. O empate por 2 a 2 em Old Trafford ainda foi um prêmio excessivo pela atuação dos Red Devils. Os Dragões fizeram uma ótima partida e o gol de Mariano González no último minuto devolveu um pouco de justiça ao placar.

A zaga do United, seu ponto forte durante boa parte da temporada, transforma-se em deficiência quando não pode contar com a dupla titular formada por Ferdinand e Vidic. A irregularidade do jovem Evans resultou no gol de Cristian Rodríguez que colocou os portugueses em vantagem logo aos 4 minutos de jogo.

O presente de Bruno Alves para um atento Rooney fez com que o placar fosse empatado para o intervalo. Então, já nos minutos finais da partida, o atacante da seleção inglesa achou um toque de calcanhar para Tevez, que concluiu a seu estilo na pequena área. Coube a González lembrar a todos que o Porto não poderia sair derrotado.

A impressão de que o Porto vive um melhor momento físico poderá ser conferida no jogo de volta, quando será o United a ter a obrigação de vencer. O empate por 0 a 0 ou 1 a 1 favorece aos Dragões, o que faz do contra-ataque uma arma fundamental para Lisandro López, Hulk e seus companheiros. Jesualdo Ferreira tem uma boa chance de repetir o feito de José Mourinho em 2004 e mandar os diabos vermelhos para casa.

Vantagem Arsenal

O Villarreal sabe que deveria ter vencido o Arsenal em casa para ter chances razoáveis de classificação. O Submarino Amarelo foi melhor no primeiro tempo, saiu na frente com um belo chute de fora da área de Marcos Senna e ainda viu os Gunners perderem dois jogadores – Almunia e Gallas – lesionados.

Mesmo com Walcott e Nasri em noite pouco inspirada, o time de Arsène Wenger conseguiu buscar o empate graças a dois jogadores que fizeram muita falta enquanto estavam lesionados: lançamento perfeito de Fàbregas e golaço de Adebayor, que dominou de costas para o gol e acertou um voleio acrobático que não deu possibilidades ao goleiro Diego López.

Em Londres, o Villarreal terá uma tarefa complicada, especialmente porque seus atacantes não vivem bom momento. O favoritismo é todo do time londrino.

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Equipe Trivela

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