Só no mais importante

Surpresas na primeira rodada na fase de grupos da Liga dos Campeões não são raras. Para não ir muito longe, basta lembrar da temporada passada, quando o APOEL segurou o empate contra o Atlético de Madrid, em pleno Vicente Calderón. Ou na temporada 2007/08, quando o Cluj, estreando numa fase de grupos, superou a Roma logo na primeira partida, em pleno Estádio Olímpico. Ou em 2006/07, quando o Rosenborg arrancou um empate em 1 a 1 contra o Chelsea, em Stamford Bridge – e causou a demissão de José Mourinho.

No entanto, pode-se dizer que, no geral, elas não são a regra: ocorrem em menor número. E o início da fase de grupos da LC, nesta semana, não alterou a sequência. Os clubes considerados favoritos em seus grupos ganharam. De maneiras diferentes, mas ganharam. Fosse tomando um susto no começo, mas depois entrando perfeitamente nos eixos, como o Barcelona fez diante do Panathinaikos; fosse dominando facilmente o adversário, como o Chelsea dominou o Zilina; fosse se beneficiando de um gol precoce para fazer ótimo placar, como o Arsenal com o Braga; enfim, a verdade é que os times considerados favoritos não tiveram tantas dificuldades para vencer em seus grupos.

E, quando a partida foi entre dois clubes considerados grandes dentro de seus grupos, geralmente o mais forte dos oponentes saiu vencedor do gramado. Podia ser de modo mais fácil, como aconteceu no grupo G: como definiu o técnico do Ajax, Martin Jol, foi um jogo de “homens contra meninos”, com o Real Madrid dominando facilmente a partida, e só não fazendo mais gols do que os 2 a 0 pelas várias chances perdidas – e pela boa atuação de Maarten Stekelenburg. Ou então, com dificuldades, como no grupo E, em que o Bayern Munique martelou, martelou e martelou contra o jogo defensivo da Roma, mas só conseguiu marcar os gols de sua vitória no final.

Porém, algumas surpresas foram verificadas. Na Romênia, mesmo tendo sido muito pressionado, o Cluj conseguiu superar o Basel. E, em pleno Vélodrome, um lance de azar de Cesar Azpilicueta resultou na vitória do Spartak Moscou contra o Olympique de Marseille. Sem contar o empate por 0 a 0 do Manchester United contra o Rangers, que premiou o forte esquema defensivo armado pela equipe escocesa. Todavia, o resultado mais surpreendente ocorreu mesmo na cidade holandesa de Enschede. E envolveu justamente a atual campeã da LC, ainda um dos times mais fortes do torneio.

No início do jogo no Grolsch Veste, a Internazionale começou segura. Ainda que o Twente tentasse avançar vez por outra, os Nerazzurri tinham total confiança. E isso foi demonstrado quando a equipe teve eficiência invejável, na jogada do gol de Sneijder. Porém, justamente na fase em que o time italiano deveria estabelecer de vez a ampla superioridade técnica sobre os Tukkers, veio o gol de Theo Janssen, em bonita cobrança de falta.

E, em nova jogada de bola parada (um escanteio, mais precisamente), veio o gol contra de Milito. Era estranho, mas o time de Michel Preud'homme estava na frente. O empate interista, com Eto'o, voltaria a colocar as coisas numa ordem compreensível, mas era inegável que o time holandês terminou mais em alta a etapa inicial. Poderia-se esperar um segundo tempo empolgante, com as duas equipes em busca da vitória. Porém, o que se viu foi uma etapa final lenta, com os adversários conformados com o empate.

No entanto, o empate serviu para aumentar um pouco as perspectivas do Twente, que entrou no grupo A considerado como condenado à eliminação, sem a Liga Europa de consolo. E para que o time de Rafa Benítez se conscientizasse de que tentar o bicampeonato numa LC nunca é fácil.

Os destaques da vez

A Liga Europa é famosa por ser uma competição mais acessível a times de países menores do Velho Continente – ou a equipes menores dos grandes centros. Aliás, essa é a intenção da Uefa. Nada mais natural, portanto, que, vez por outra, equipes menores tomem o lugar dos favoritos e tornem-se protagonistas. Ainda mais natural é que isso ocorra na primeira rodada – é muito difícil dizer o que pode acontecer com cada uma das 48 equipes que está na fase de grupos.

Se Manchester City e Liverpool não decepcionaram, vencendo Red Bull Salzburg e Steaua Bucareste (sendo que apenas os Reds enfrentaram certa dificuldade, mas deslancharam no final para fazerem o 4 a 1 final), Atlético de Madrid e Juventus, os outros dois times mais citados como possíveis vencedores na final do dia 18 de maio de 2011, foram apresentados a essa realidade. Da pior maneira possível.

A Vecchia Signora até conseguia um resultado honroso. Afinal de contas, mesmo em Turim, o Lech Poznan dominava completamente o jogo – e fazia 2 a 0, com um Artjoms Rudnevs em dia inspirado. Só que, aí, guiada por Giorgio Chiellini atrás e Alessandro del Piero na frente, a Juve conseguiu a virada para 3 a 2. Para, no último minuto da partida, ser surpreendida por um belo gol de Rudnevs (um dos artilheiros da Liga Europa, com três gols, junto de Patrick Helmes).

Os Colchoneros, por sua vez, enfrentaram uma realidade ainda mais difícil. Afinal de contas, tiveram de encarar uma torcida absolutamente ensandecida em Tessalônica. O que, por sua vez, motivou o Aris a pressionar mais o gol de David de Gea – até que saísse o gol de Javito que deu a vitória.

Outro exemplo foi o Metalist Kharkiv, que conseguiu a maior goleada da rodada, fazendo 5 a 0 no Debrecen – e fora de casa. Ou mesmo o Utrecht, que conseguiu segurar o Napoli no San Paolo. Tudo bem, ainda há cinco rodadas. Mas, mais uma vez, o destaque de uma primeira rodada foi a aparição fugaz que clubes menores fazem na Liga Europa.

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Equipe Trivela

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