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Show me the money!

Nesta semana, cheia de confrontos entre equipes européias pelas quartas de final da Champions League e Liga Europa, surgiu no noticiário uma reportagem no mínimo curiosa, sobre um pequeno detalhe sobre a maior transação ocorrida na última janela de transferências, envolvendo Barcelona e Internazionale, e seus então respectivos artilheiros, Samuel Eto’o e Zlatan Ibrahimovic. O que para todos era uma transferência, na verdade foi uma cessão temporária do camaronês no último ano de seu contrato com o Barcelona, pela “módica”quantia de 20 milhões de euros.

Pelo menos, foi isso que alegou em juízo o diretor de futebol do Barcelona, Raul Sanllehí, ao ser questionado por que o clube blaugrana não pagou a Eto’o os 15% do valor da transferência, previsto pela legislação espanhola – que na verdade, é o objeto central da ação proposta pelo camaronês em face a seu ex-clube.

Claro que as duas partes têm versões diferentes do ocorrido na noite do dia 27 de julho de 2009, quando a apresentação de Ibrahimovic foi adiada em meia hora, pela resistência de Eto’o em assinar o seu termo de rescisão com o Barcelona. O agente do atleta, José Maria Mesalles, alegou que seu cliente determinou que estivesse previsto que eram devidos os 15% na transferência, e como foi tudo muito rápido, ele fez um aditivo em que era previsto que o atleta, no futuro, poderia reclamar junto ao clube catalão esse percentual.

Do outro lado, Sanllehí alega que o referido aditivo só foi enviado uma hora e meia após a assinatura da transferência, portanto o documento não teria nenhuma validade legal. E reiterou em sua declaração que houve uma proposta anterior do Manchester City, de 25 milhões de euros, justamente porque o atleta camaronês reivindicava 15% do montante para realizar o negócio, o que foi descartado pelo Barcelona. E que, no final, como foi um empréstimo à Internazionale e não uma transferência, o percentual não seria devido ao atleta.

Com isso, o atleta, na negociação com a Inter, teria declarado aos dirigentes blaugranas que não incluiria esse percentual para o negócio sair – e reiteraram isso no processo, juntando um vídeo como prova, onde Eto’o declara no discurso de um instituto social em sua homenagem, três meses após sua ida a Milão, que nunca iria reclamar por um euro sequer do Barcelona no futuro.

Além disso, a defesa do Barcelona alega no processo que, mesmo se a referida transação tivesse sido uma transferência e não um empréstimo, a regra dos 15% do valor da transferência ser devido ao atleta, previsto na legislação espanhola, só é válida em transações envolvendo clubes espanhóis, portanto não teria validade na referida transação.

Em contraste a isso, os advogados do atleta camaronês apresentaram jurisprudência que prova o contrário, no caso da transferência do espanhol Albert Luque do Deportivo La Coruña para o Newcastle United, onde o atleta conseguiu na Justiça o percentual a que teria direito, no valor de 2,1 milhões de euros, mesmo sendo uma transferência internacional.

Ao fim dos depoimentos, acusações diversas entre as partes, porém cabe acompanhar no futuro o desdobramento de mais esse litígio envolvendo transações financeiras dentro do futebol, que apresenta incoerências de ambas as partes, e que não combinam com o perfil de negócio que o futebol apresenta ser para investidores e adeptos pelo mundo afora. Nada que uma maior transparência no meio não resolvesse.

Carlos Eduardo R. de Moura é advogado, especializado em Direito Desportivo e dissídios na Fifa e Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

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Equipe Trivela

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Leste Europeu

Show me the money

O poderio financeiro do Zenit St. Petersburg já é conhecido por todos. Bancado pela Gazprom, uma das maiores empresas do mundo e maior extratora de gás natural, o clube tem o maior budget do futebol russo, o que lhe permite fazer contratações que nenhuma outra equipe teria condições. E essa força tem sido usada contra os próprios rivais.

Nesta semana, o Zenit tirou do Spartak Moscou o meia Vladimir Bystrov, de 25 anos, que vive a melhor fase da carreira e era uma das peças-chave do time moscovita – o negócio ainda não foi confirmado oficialmente pelos clubes, mas já é certo. Bystrov, na verdade, retorna ao clube que o formou e o negociou em 2005, quando ainda não ostentava a condição de potência econômica atual.

O Spartak não queria fazer o negócio, mas uma cláusula no contrato do jogador permitiu a negociação: estabelecia que, qualquer clube que oferecesse € 15 milhões por Bystrov, poderia levá-lo. Foi o que aconteceu.

O Zenit, primeiro, negociou com o atleta, cujo contrato era válido até 2011, e acertou seus salários (cerca de € 4 milhões anuais). Depois ofereceu € 8 milhões ao Spartak, proposta que foi rejeitada. Na sequência, exerceu o direito de compra estabelecido no contrato e só coube ao time da capital lamentar a perda – que se soma à uma lista enorme de contundidos e prejudica demais suas pretensões pelo título.

Valery Karpin, técnico do Spartak Moscou, disse que compreende a decisão do agora seu ex-jogador.

“Lidamos com esse tipo de situação com os jogadores muitas vezes e não quero entrar em detalhes da nossa conversa, mas acho que ele não quer deixar o clube. Mas o Zenit lhe ofereceu muito dinheiro e isso mexe com os interesses do atleta. É óbvio que do ponto de vista do treinador o time precisa dele, mas como ser humano eu entendo a decisão do Vladimir”, analisou Karpin.

Ele ainda mostrou como a relação financeira com o Zenit é complicada. “Não tentamos aumentar seu salário para mantê-lo no clube, porque se fizermos isso o Zenit vai oferecer ainda mais dinheiro. E a história com Danny e Semshov no Dynamo se repetiria”.

Para constar, essa prática (totalmente legal) utilizada pelo Zenit não é novidade no relacionamento com os rivais russos. No ano passado, como citou Karpin, tirou Igor Semshov e o português Danny do Dynamo Moscou da mesma forma. E pretende, em breve, “atacar” mais uma vez “atacar” o Dynamo e promover o retorno de Alexandr Kerzhakov a São Petersburgo.

Como diria o personagem Rod Tidwell, de Cuba Gooding Jr. em Jerry Mcguire: show me the money!

Seleção russa

O técnico Guus Hiddink anunciou os convocados para enfrentar Liechtenstein e País de Gales, em setembro, pelas Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2010. A maior novidade foi o atacante Bukharov, do Rubin Kazan.

Goleiros: Igor Akinfeev (CSKA Moscou), Vyacheslav Malafeev (Zenit St Petersburg) e Vladimir Gabulov (Dynamo Moscou);

Defensores: Sergei Ignashevich (CSKA Moscou), Alexei Berezutsky (CSKA Moscou), Vasily Berezutsky (CSKA Moscou), Yuri Zhirkov (Chelsea-ING), Denis Kolodin (Dynamo Moscou), Renat Yanbaev (Lokomotiv Moscou) e Alexander Anyukov (Zenit St Petersburg);

Meio-campistas: Igor Semshov (Zenit St Petersburg), Konstantin Zyryanov (Zenit St Petersburg), Igor Denisov (Zenit St Petersburg), Sergei Semak (Rubin Kazan), Vladimir Bystrov (Zenit St. Petersburg), Alan Dzagoev (CSKA Moscou), Diniyar Bilyaletdinov (Lokomotiv Moscou) e Alexei Rebko (Moskva);

Atacantes: Andrei Arshavin (Arsenal-ING), Roman Pavlyuchenko (Tottenham-ING), Pavel Pogrebnyak (Stuttgart-ALE), Alexander Kerzhakov (Dynamo Moscou) e Alexander Bukharov (Rubin Kazan).

Seleção ucraniana

A Ucrânia enfrenta no próximo dia 6, em casa, a fraca Andorra, e visita Belarus quatro dias depois, pelo Grupo 6 das Eliminatórias europeias. O técnico Olexiy Mikhailichenko não promoveu nenhuma surpresa entre os convocados para os confrontos.

Goleiros: Andriy Pyatov (Shakhtar Donetsk), Olexandr Shovkovskiy (Dynamo Kiev) e Stanislav Bogush (Dynamo Kiev);

Defensores: Vitaliy Mandzyuk (Dynamo Kiev), Andriy Rusol (Dnipro Dnipropetrovsk), Vasil Kobin (Shakhtar Donetsk), Dmytro Chygrynskiy (Shakhtar Donetsk), Oleksander Kucher (Shakhtar Donetsk), Vyacheslav Shevchuk (Shakhtar Donetsk) e Hryhoriy Yarmash (Vorskla Poltava);

Meio-campistas: Olexiy Gay (Shakhtar Donetsk), Oleh Gusev (Dynamo Kiev), Andriy Yarmolenko (Dynamo Kiev), Evgen Levchenko (Saturn-RUS), Serhiy Nazarenko (Dnipro Dnipropetrovsk), Ruslan Rotan (Dnipro Dnipropetrovsk) e Anatoly Tymoschuk (Bayern de Munique-ALE);

Atacantes: Andriy Voronin (Liverpool-ING), Volodymyr Homenyuk (Dnipro Dnipropetrovsk), Artem Milevskiy (Dynamo Kiev), Evgen Seleznev (Dnipro Dnipropetrovsk) e Andriy Shevchenko (Chelsea-ING).

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