Sem graça

“O Tottenham é um bom time, mas não será páreo para o Real Madrid.” “O Barcelona vai trucidar o Shakhtar Donetsk.” “Chelsea e Manchester United será um jogo muito equilibrado.” “Todos os times portugueses são favoritos para chegar às semifinais da Liga Europa.” Tão logo foram sorteados os duelos das quartas de final das duas maiores competições europeias, estas foram algumas frases bastante faladas.

Certo, já se sabe que futebol é um dos esportes mais imprevisíveis que existem – se não for o mais imprevisível. Só que, de fato, o favoritismo em algumas partidas era muito claro. E, se havia alguma expectativa de que várias surpresas acontecessem, ela foi praticamente dizimada com os jogos de ida, ocorridos nesta semana. A questão não é somente dizer que os vencedores conseguiram a vantagem para as partidas de volta: é reconhecer que esta vantagem foi imensa. Havia muito tempo, a frequência de goleadas não era tão grande numa fase de quartas de final.

A bem da verdade, houve apenas e tão somente uma surpresa. Esta atende pelo nome de Schalke 04. A equipe alemã era tida como franca atiradora contra a Internazionale. E havia elementos palpáveis para fazer tal análise. Os Nerazzurri encaravam uma grande ascensão na temporada, e chegavam turbinados pela classificação heróica contra o Bayern de Munique. E os Azuis Reais, mesmo tendo um time com bons valores (e Raúl, garantia de respeito em Liga dos Campeões), encaravam uma fase de reestruturação. E teriam o pesado desafio de jogar em San Siro sob novo técnico.

Pois Ralf Rangnick armou uma estratégia muito valente para o jogo. Poderia ter dado erradíssimo, até pelo gol precoce de Stankovic, que tinha potencial para desestabilizar emocionalmente os visitantes. Mas não deu errado. Porque toda a equipe apresentou um grande esforço, conseguindo manter a marcação forte. No lado ofensivo, Farfán, Raúl, Edu e Jurado foram constante fonte de tormentos para uma defesa nerazzurra bastante combalida pela ausência de Lúcio – e pela horrível atuação de Chivu. Com essa coragem, o Schalke fez o histórico 5 a 2. E está perto de conseguir uma classificação merecida.

Mas, de resto, na Liga dos Campeões, o que impressionou foi a facilidade com que os favoritos se sobressaíram nas quartas de final. O Real Madrid se beneficiou da tola expulsão de Peter Crouch para deslanchar e golear o Tottenham. Assim como o Barcelona tomou proveito das falhas da defesa do Shakhtar para fazer 5 a 1 – e praticamente assegurar a realização do duelo que o mundo espera, nas semifinais. E que tem tudo para ser mais tenso e histórico do que o Milan x Inter de 2002/03, só para ficar em outro exemplo de clássico que foi semifinal de LC.

Na Liga Europa, o desequilíbrio foi ainda mais aterrador. Porque Benfica e Porto tiveram pouquíssimas dificuldades para golear PSV e Spartak Moscou – assim como o Villarreal, em relação ao Twente. E praticamente três classificados estão definidos. Apenas Braga e Dynamo Kiev fizeram uma partida mais equilibrada, que só deverá ser definida na volta, em Kiev.

Enquanto isso, na Liga dos Campeões, de certo modo, Chelsea e Manchester United trouxeram um alívio. Embora isso já fosse previsto, a partida de Stamford Bridge se revelou mais apertada, com o United aplicando sua velha tática de segurar perigosamente o jogo na defesa, tendo uma vantagem, enquanto os Blues atacavam. Não fizeram gol, esbarrando na aplicação do meio-campo e na segurança defensiva. Mas conseguiram um feito: mantiveram, pelo menos em uma partida, o suspense que as quartas de final das competições europeias não estão tendo.

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Equipe Trivela

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