Sem bodes expiatórios

Apesar de ter jogado bem, a seleção brasileira de fato mereceu ser eliminada da Copa América por uma simples razão: não conseguiu fazer nenhum gol, nem de pênalti. Não é motivo, porém, para que se faça um alarde e se escolha bodes expiatórios, como já foi feito com Dunga, Felipe Melo e boa parte daquele time que perdeu para Honduras. Neste domingo, eles não existiram.

Robinho, que já foi devidamente cornetado por ter jogado mal nos primeiros jogos, atuou muito bem, assim como Ramires. Neymar perdeu os gols que poderiam garantir a vaga na semifinal, mas se movimentou, buscou jogo. Ganso, um pouco abaixo dos citados, puxou contra-ataques e acertou belos passes.

Sobra, talvez, André Santos, mas ele esteve longe de ser vilão, apesar de ter perdido um pênalti. Não é meu nome preferido para a seleção, mas jogou uma partida razoável. O gramado, ridículo, atrapalhou na cobrança de pênaltis, mas também não pode ser responsabilizado. Foi uma derrota sem grandes culpados, de fato. O Brasil foi bem como time e perdeu como time, cada um errando um pouquinho.

Não há, também, motivos para que o trabalho de Mano Menezes seja interrompido ou criticado de uma maneira irracional. O time, embora tenha algumas deficiências, mostrou nítida evolução durante a competição, e se o objetivo for de fato a Copa do Mundo, precisa ter continuidade no trabalho.

Vale também, ressaltar o mérito do Paraguai, uma seleção que complicou a vida da Espanha na Copa do Mundo e cresceu muito nos últimos anos.

Num desejo bem utópico, essa derrota da seleção brasileira bem que poderia servir para acabar com dois raciocínios preguiçosos: o de que o Brasil é infinitamente superior aos times “não tops” do mundo (geralmente tratados como galinhas mortas) e a de que “Ganhou é bestial, perdeu é uma besta”.

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Equipe Trivela

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