Romênia: novos tempos

Na década de 90, a Romênia era uma das seleções mais respeitadas do mundo. A “geração de ouro” do futebol romeno levou o país a três Copas seguidas (1990, 94 e 98), tendo alcançado as quartas-de-final nos Estados Unidos, além de duas Eurocopas (1996 e 2000).

Porém, após a aposentadoria de alguns símbolos desse time, casos de Munteanu, Popescu e o próprio Hagi, a Romênia passou por um período de ostracismo no cenário internacional. Foram anos fora das principais competições.

Mas foi justamente na última participação da Romênia em um grande torneio que a “solução” para o futuro foi encontrada. Nas eliminatórias da Euro de 2000, que foi disputada na Holanda e Bélgica, o técnico era o jovem Victor Piturca, que encerrara a carreira há pouco tempo.

O jovem treinador classificou à equipe para a Euro, mas antes mesmo do torneio começar, por problemas pessoais com os líderes do time – Hagi e Popescu – foi demitido pela federação romena. A equipe foi bem na competição, tendo avançado às quartas-de-final, mas os anos seguintes foram terríveis.

Sem um projeto de renovação, a Romênia desperdiçou a juventude de alguns atletas, casos de Adrian Mutu, e viu seu futebol decair consideravelmente. Foi preciso o retorno de Piturca para que a seleção reencontrasse seu caminho. Isso aconteceu em 2004.

Com o treinador no comando da seleção romena, o projeto de renovação começou e a mescla com alguns atletas mais experientes mostrou-se extremamente positiva – caso de Mutu, que voltou a ser a principal figura da equipe. A Romênia voltou a apresentar um futebol ofensivo, característica marcante na década passada do time, e recuperou o prestígio internacional.

Não coincidentemente, os clubes romenos voltaram a, pelo menos, figurar em competições européias. O Steaua Bucareste participou da primeira fase da Liga dos Campeões 2006/07, enquanto na Copa Uefa alguns time do país fizeram campanhas razoáveis.

Tanto que o país, no geral, ocupa uma honrosa sétima posição no ranking de acesso de clubes para competições da Uefa. Porém, a temporada 2007/08 guardou uma curiosa surpresa para o futebol romeno.

Pela primeira vez depois de 17 anos, um time de fora de Bucareste sagrou-se campeão. As honras ficaram com o pequeno Cluj, que turbinado com dinheiro de um milionário romeno (Arpad Paszkany), e muitos jogadores estrangeiros, conquistou seu primeiro título nacional.

Dias depois, levou para Cluj, uma cidade de cerca de 300 mil habitantes da Transilvânia, o título da Copa da Romênia – que também não saía da capital romena há 13 anos.

Dentre os 28 jogadores do elenco do Cluj, somente oito são romenos. Sem falar na origem húngara de Paszkany. Tudo isso também gerou diversas críticas de um personagem que nos últimos anos insiste em aparecer e, com isso, cada vez mais prejudica seu clube.

É impossível falar do futebol romeno hoje e não citar Gigi Becali, presidente do Steaua Bucareste. Dono de uma enorme fortuna e mínima inteligência, o dirigente é famoso por suas declarações xenófobas, homofóbicas e tentativas de suborno a árbitros, clubes e jogadores.

Mesmo assim, o futebol da Romênia passa por um excelente momento. Com a seleção em alta, atletas com muito destaque em grandes clubes europeus e novas forças surgindo no campeonato nacional, os romenos sonham com a volta dos velhos tempos.

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Equipe Trivela

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