Roma: Jogo dos cinco erros

por Braitner Moreira

Há empates e empates. Atuar de forma brilhante durante todo o primeiro tempo e depois permitir a reação rival graças a falhas infantis é, no mínimo, um empate com sabor de derrota. Caso da Roma neste domingo, na partidaça frente a Juventus. O problema é que estas falhas têm aparecido – em menor escala, é claro – desde o início da temporada, e se acentuaram a partir do embate contra a Reggina. A diferença é que a Juve soube se aproveitar.

OS CINCO ERROS ROMANISTAS

I – Excesso de confiança em campo
Uma equipe que não crê em seu potencial não pode alçar vôos mais longos. Mas outra que confia cegamente que vencerá a partida quando quiser também terá problemas. O caso da Roma é o segundo, por mais incrível que pareça. Spalletti conseguiu alterar o pensamento da equipe, mas de forma extrema: sempre que está a frente no placar, o time passa a trocar passes sem objetividade, esperando o tempo passar. Contra a Juve, foram mais de 40 segundos de passes laterais em uma só jogada.
A Roma de tempos não tão distantes pecava justamente nisso. Alguns resultados, como o empate de 4-4 com o Chievo, a virada sofrida na final da Supercoppa por 3-4 após estar vencendo por 3-0 e a goleada de 7-0 sobre o Catania refletem o desespero romanista na busca do gol em temporadas passadas. A solução é chegar a um ponto de equilíbrio. O time tem de segurar o resultado sim, mas desde que esteja garantido. Iaquinta provou que era cedo demais.

II – Falta de precisão em fundamentos básicos
Este erro é genérico, porém só agudo em certas peças. Cobrar mais precisão nas finalizações de Totti, nos passes de Aquilani ou nos desarmes de Juan é covardia. Alguns jogadores-chave da equipe parecem mais atrapalhar o jogo fluido que lhe auxiliar. Perrotta, sempre sacrificado por seus gols perdidos, perdeu desta vez um no qual nem mesmo Buffon estava em sua frente. O trequartista inventado por Spalletti é provavelmente o jogador de maior movimentação no calcio atual, porém seu remate nunca foi destaque.

Aquilani, após os dois golaços em suas primeiras partidas, também está com dificuldades para acertar o gol da forma certa. Quando consegue fazer a bola seguir o rumo das redes, o chute sai muito fraco. Destaque também para os passes errados a granel por Taddei e Tonetto, além de um Mexès abaixo de sua forma comum. Taddei e Giuly… bem, estes merecem um pouco mais de exclusividade.

III – Insistência com jogadores em má fase técnica

Um jogador corta dois dentro da grande área e tem a oportunidade de matar o jogo, então manda a bola a pelo menos vinte metros da baliza. Um jogador recebe lançamento de Totti e a bola bate em seu calcanhar e sai para lateral. Um jogador está aberto pela direita e vê Perrotta passar livre pelo centro, mas resolve recuar a bola e entregá-la de graça para Nedved puxar o contra-ataque. Este é Taddei, que errou pelo menos três quartos de seus passes no domingo. O brasileiro ainda não fez nenhuma partida sequer aceitável desde a pré-temporada, mas mantém o posto de titular. Seu último gol foi em 11 de fevereiro, contra o Parma.

Em outro prisma, está Giuly. Quem se iludia esperando muita movimentação, desmacações, passes precisos e gols do francesino deve estar frustrado. Apesar de já ter anotado nesta temporada, Giuly está bem abaixo das expectativas. Contra ele pesam pelo menos quatro gols incríveis perdidos dentro da grande área, além de dez impedimentos nos últimos três jogos (sendo que em apenas um deles Giuly atuou por 90 minutos). Contra a Juve, mais especificamente, Giuly raras vezes deixou o lado esquerdo para flutuar no ataque romanista. E ainda por cima não ajudou a cobrir os avanços de Tonetto, papel fundamental para os meias externos do esquema de Spalletti.

IV – Terzini que têm o ataque como meta principal

Cassetti-Tonetto é uma duplinha do barulho que apronta altas confusões com seus ataques eletrizantes. Mas, ainda assim, há perspectivas de defesa. Por outro lado, quando Cassetti deixou o campo lesionado para a entrada de Cicinho, Spalletti não sabia da enrascada tamanho família em que estava se metendo. Ou sabia, mas preferiu curtir altos agitos com as traquinagens dos dois moleques levados.

Sessão da Tarde à parte, não dá para passar incólume pelo fato de Cicinho ser mais uma vez aproveitado na função de terzino. Tradicionalmente, os terzini na Itália têm a marcação em primeiro plano. Os que marcam mal e possuem um bom poder ofensivo geralmente são adiantados para o meio, onde fazem a função de esterno. Tonetto tem se adaptado à função mais defensiva há pelo menos três anos, quando foi contratado pela Sampdoria. Já Cicinho jamais defendeu como lateral, mesmo no Brasil. Somado ao fato de que Aquilani, indubitavelmente, terá menos preocupação defensiva que Pizarro, os zagueiros da Roma se vêem à deriva nestes três últimos jogos.

V – Pressão de ser o melhor futebol da Itália
Já não basta aos comandos de Spalletti vencerem – têm de vencer bem. O mito do joga bonito romanista já deixou de interferir apenas no conceito dos torcedores, e a grande mídia (nem sempre caridosa à Roma, aliás) comprou a idéia. Mais que vencer, a cada rodada alguns dos principais veículos cobram maior volúpia do jogo giallorosso.

Certamente mais esta cobrança estraga o trabalho de um time que tem como maior meta o scudetto. Até porque as vitórias serão lembradas mesmo daqui a cem anos, no rol dos campeões. O jogo bonito, nem sempre.

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Equipe Trivela

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