Sem categoria

RESENHA: “Meninos de Kichute”

Por Roberto Aló Filho

Desde que o futebol tornou-se um esporte popular, meninos batem uma bolinha em campinhos de terra batida, nas ruas e nas praias. As traves são feitas com dois chinelos formando o famoso “gol caixote”. A bola começa a rolar e aquele campo acaba virando um Maracanã nos devaneios infantis. Muitas das vezes o gol é narrado pelo próprio autor como se estivesse mesmo em um estádio fato que dava um toque todo especial àquela “pelada”.

Durante a Copa do Mundo de 1970 a fábrica de calçados Alpargatas lançou um tênis que tinha cara de chuteira: o Kichute. Era preto com travas de borracha e virou objeto de desejo da molecada. Eu mesmo, na década de 80, tive o meu. O cadarço era enorme e todos tinham o costume de amarrá-lo dando voltas por baixo da sola, entre as travas, para dar mais firmeza ao chute. Quem nunca fez isso com o Kichute? Era um sonho ter um. Aí sim você se tornava um boleiro.

Esse sonho de se tornar um jogador de futebol é retratado pelo filme “Meninos de Kichute”, homônimo do livro lançado em 2003 por Márcio Américo. Filmado em 2010 conta a história de Beto, um garoto de 12 anos que mora com os pais e irmãos e sonha em ser jogador futebol. Porém, seu pai (Werner Schünemann) é extremamente autoritário e sua fé não permite competição, fato que se contrapõe ao sonho do filho de se tornar goleiro. Ele almeja ser o goleiro da Seleção Brasileira. Mesmo com a pressão paterna, ele continua indo ao campinho e resolve fundar o clubinho “Meninos de Kichute”. Recebe o apoio de uma vizinha muito legal (Arlete Salles) que inclusive lhe dá de presente um par desse famoso tênis que acabou se tornando a chuteira de muitos meninos por cerca de três décadas.

Nos anos 70, época em que o filme se passa, vivia-se o mito do “Brasil, o país do futebol”, do milagre econômico e também da pressão social promovida pela Ditadura Militar. Longe desses problemas, a garotada queria apenas se divertir, jogar bola, bolinha de gude, bater figurinhas e aproveitar a liberdade plena, desafiadora e emocionante dessa fase da vida.

O diretor do filme, Luca Amberg, diz que em novembro de 2010, o “Meninos de Kichute” participou da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e ganhou o prêmio de Melhor Filme Brasileiro. Assinou a distribuição com a Europa Filmes, mas estranhamente ainda não conseguiu o lançamento do filme no Circuito Nacional. Na época dessa assinatura foi passado a ele que ainda não havia chegado a hora certa. Amberg ressalta que o público gostou por se tratar de um “filme família” que agrada a todos e que por isso levou o prêmio. Está captando recursos para lançá-lo o mais breve possível, já que em 2013 os olhos do mundo do futebol começarão a se voltarem para o Brasil com a Copa das Confederações e, em 2014, a Copa do Mundo. Provavelmente seja essa a época mais propícia para o lançamento de um filme sobre o nosso esporte bretão.

No elenco estão Lucas Alexandre (Beto), Werner Schünemann (pai de Beto), Vivianne Pasmanter (mãe de Beto), Arlete Salles (vizinha), entre outros. A direção é de Luca Amberg que também assina o roteiro ao lado de Márcio Américo. Tem duração de 100 minutos e foi produzido pela Amberg Filmes.

Site: http://www.meninosdekichute.com.br/site/index.php

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo