Questão de caráter

Todo mundo conhece e megalomania do Real Madrid desde Florentino Pérez. Os Merengues esperam ficar claro quem vai ser o melhor do ano, e começam a espalhar que querem comprá-lo . Mesmo que não dê certo, apazigua a torcida, que parece a brasileira: consegue acreditar até no As e no Marca. Pois bem: a pantomina anual encontrou um parceiro ideal em um menino de grande futebol mas cabeça fraca. Cristiano Ronaldo resolveu achar que é Pelé, e que, por isso, pode esquecer que tem um contrato para brigar de chantagear seus empregadores.

Não se pode esperar nada da direção madridista, acostumada pelas autoridades nacionais e locais a ter as regras burladas para beneficiá-lo – para não falar de favorecimentos de arbitragem, vale a pena ler a matéria do Ubiratan em uma edição recente da Trivela sobre os “esquemas” que encheram o cofre da equipe no começo da era “galáctica”. Alguns jogadores, entretanto, têm caráter, como é o caso de Kaká, e, embora não desprezem os milhões merengues, não alimentam o rumor – nem chantageiam seus clubes. Não parece ser o caso de Cristiano.

Pois bem: ninguém pode ser obrigado a trabalhar onde não quer. Ninguém, porém, obrigou o jogador a assinar um contrato. Se o United quisesse se livrar dele, teria que pagar uma multa. Se ele quer o mesmo, a regra tem que ser igual.

A atitude de Cristiano Ronaldo é de uma pequenez sem igual. Acaba indisposto com a torcida, fica com fama de mercenário e ainda arruma um problema desnecessário para a Euro, que começa em uma semana.

A melhor coisa que o português tem a fazer é fingir que nunca foi nada disso, dizer que nunca pensou em deixar Old Trafford e que tem um contrato, que vai respeitar. Um bom papo com Felipão provavelmente ajudaria.
 

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Equipe Trivela

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